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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

106- O LONGO CAMINHO DE VOLTA (O Tempo Passa...)

Quando criança, passava muito tempo na casa de meus avós maternos. Eles moravam em Santos, o que tornava o local perfeito para alguém que gostava de praia e mar, como eu.

Saíamos a pé, depois de caminhar um pouco, tomávamos o rumo da praia, pela avenida que margeia um dos canais de Santos. Altas árvores de jambolão manchavam o chão de roxo escuro durante o verão, e forneciam a sombra necessária para a caminhada. Rapidamente chegávamos à praia. Naquele tempo, as águas e a areias eram mais limpas – meu avô, médico, até receitava banhos de mar aos seus pacientes! – e eu podia me divertir à vontade.

As horas passavam rapidamente, e logo era hora de voltar, pois o almoço nos esperava.

Fazíamos o caminho inverso na volta, mas era interminável. O cansaço da praia, o calor do meio-dia, a fome e sede de quem estava à horas preocupado somente em brincar afloravam com força e me deixavam clamando por chegar. O que não acontecia nunca, era a impressão. O mesmo caminho, tão leve e fácil pela manhã, tornava-se longo e torturante na volta. Tentava distrair-me olhando as casas, acompanhando os girinos nas águas do canal, observando pássaros, gatos, cães, qualquer animal que ficasse à vista. Mas nada adiantava. O caminho de volta sempre foi muito, muito longo...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

105- INCONFUNDÍVEL (O Tempo Passa...)

Não há como fugir de certas características. Algumas são tão marcantes, que se tornam traços de identificação pelos outros.

Alguns são reconhecidos pelo nariz avantajado; outros, pelas orelhas; outras, pelos olhos, pelas pernas, pelo bigode, pela obesidade ou magreza, pelo cabelo ou ausência dele. Alguns fazem de certos acessórios suas marcas registradas: óculos, charutos, bengalas, roupas transmitem sua identidade aos outros.

Minha voz deve ter esta característica. Nunca percebi nela nada de extraordinário. Nunca fui elogiado ou criticado por ter a voz que tenho. Nunca me disseram que era boa, nem ruim, nem me fizeram brincadeiras a seu respeito.

No entanto, é impressionante o número de pessoas para quem telefono, alguns depois de vários anos sem nos falarmos, e que ao primeiro “Alô, como vai?”, respondem com um sonoro “Rubinho!!!

E não é só por telefone, não.

Uma vez fui ao casamento de uma amiga muito querida, que não via há anos em razão de ter me mudado da cidade. Depois da cerimônia, quando os muitos convidados cumprimentavam os noivos, cheguei de mansinho e tampei os olhos da noiva com as mãos e perguntei: “Advinha?”. Ela, sem a menor dúvida, respondeu como se nos falássemos ainda todo dia: “Rubinho!!!

Não há como negar: eu jamais poderia ser um sequestrador. Assim que fizesse contato para negociar o pagamento de um resgate, sairia a notícia: “Rubinho sequestra fulano e pede resgate”.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

104 - Por-do-sol, nascer-da-lua (O Tempo Passa...)

Foi beleza.
Estávamos no velho ônibus da escola (de Geologia), viajando pelas Minas Gerais. Passamos pela Gruta de Maquiné, pelas minas de ferro de Belo Horizonte, descemos abaixo do nível do mar na mina de ouro de Morro Velho, visitamos a charmosa Diamantina com suas pedras preciosas. Muito estudo, muita farra, muita estrada.
Em certo ponto da viagem, estávamos numa estrada ao longo de uma serra que providencialmente ia de norte a sul. Dava para vislumbrar o horizonte, lá longe, tanto a oeste - do lado esquerdo do ônibus - quanto a leste - pelo lado direito. Fim de tarde, o sol tomou o formato de uma bola vermelha e tingiu o céu de mil cores. Enquanto assistíamos ao espetáculo, encarapitados nas janelas à esquerda, alguém deu o aviso: Olhem! À direita!
No instante que o sol desaparecia de um lado, uma lua cheia, enorme e amarela, surgia do outro lado. Estávamos em pleno equinócio - quando o sol se põe em sintonia com a lua surgindo - e não sabíamos.
Mas curtimos aquele espetáculo natural, divino e genial sabendo que poderia ser único em nossa vida. Até agora, foi.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

103- 1968 (O Tempo Passa...)

Aos dezesseis anos, fui espectador privilegiado e um pouco desavisado do rebelde ano de 1968, que muito se discute sobre ter ou não mudado o planeta.

Na época, morava em São Paulo, centro de grandes acontecimentos, cursava o primeiro ano colegial e estudava inglês na UCBEU, fundação que tinha o apoio discreto do governo americano.

Meu pai, pessoa interessada em política, apoiava a ditadura militar de então. Eu, leitor ávido de tudo que caía em minhas mãos e fã de cinema e música, não tinha certeza do que se passava no país e no mundo. Só fui clarear minhas posições sócio-política-artísticas na faculdade, já nos anos setenta.

Mas lembro-me da sensação de estar vivendo um momento ímpar na história, “a turning point”, como diria o inglês. Fiquei chocado com as mortes de Martin Luther King e Robert Kennedy; espantado com a rebelião dos jovens de Paris; curioso para saber mais sobre a tal liberação sexual; intimidado pelo ambiente politicamente polarizado e reprimido; atraído pelas novidades musicais e cinematográficas que surgiam; e amedrontado com a incerteza quanto ao futuro do país e do mundo, em plena guerra fria.

Pra ser bem sincero, sinto certa frustração, como se tivesse ficado no “olho do furação” e ele passasse sem que eu o percebesse.

Hoje penso que 1968 foi como um espasmo, que chacoalhou o planeta, mas não foi capaz de alterá-lo positivamente. E a frustração daquela geração deu margem ao individualismo mesquinho e sem ideais dos nossos dias. Debito boa parte das angústias dos jovens do séc XXI ao fracasso dos jovens do ano de 1968.

É triste, pelo que podia ter acontecido e não aconteceu; pelo que podia ter sido e acabou sendo...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

102- PÁRA-QUEDAS (O Tempo Passa...)

Tenho duas primas em segundo grau que são adoráveis. Filhas de dois irmãos, primos meus, vejo-as pouco, mas é sempre muito divertido e gostoso conversar com elas.
Um dia, me disseram que pretendiam saltar de pára-quedas. Achei a idéia incrível e como a cidade de onde elas saltariam não fica muito longe da minha, disse que gostaria de presenciar o salto. Elas se entusiamaram e disseram que eu poderia saltar com elas, se quisesse, pois não é um solo; é um salto feito “a canguru” de um perito.
Agradeci o convite, fiquei de pensar, e esqueci o assunto. As férias chegaram e Elaine e eu aproveitamos uma oportunidade de visitar Florianópolis, cidade encantadora, com praias lindíssimas e uma deliciosa variedade de pratos de camarão, que ambos adoramos.
Estava na praia com a Elaine quando o meu celular toca. Atendo e uma voz feminina, excitada de alegria grita: “Tio, vamos saltar!!! Cadê voce?” Eram elas, já na cidade de onde saltariam e querendo saber se eu poderia ir com elas. Agradeci, contando ser impossível porque estava a muitos quilômetros de lá e pedi que me contassem tudinho depois, quando eu voltasse. Desliguei com um misto de frustração, alívio, e temor.
Dias depois, nos encontramos e elas nos mostraram uma filmagem do salto delas, que foi perfeito e uma experiência extraordinária. Ficou a dúvida: caso estivesse lá, teria coragem de saltar também??? Sei lá...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

101- CIDADE MARAVILHOSA (O Tempo Passa...)

O Rio de Janeiro é uma cidade que tem fama de maravilhosa, mas só aparece no noticiário ultimamente devido à violência que grassa solta.

Ela já foi realmente maravilhosa, e deve ainda ser. Tive a chance de visitá-la várias vezes, uma delas foi essa:

Elaine e eu tiramos férias do trabalho em julho, antes das crianças terem nascido, e decidimos passar uns dias no Rio de Janeiro, aproveitando o fato de minha prima morar com o marido em pleno bairro de Ipanema.

Ficamos sós, porque ela havia viajado para São Paulo, e o marido saía cedo para o trabalho e dormia cedo também.

Nossa rotina naquela semana foi interessante. Acordávamos bem cedinho – seis, seis e meia da manhã – vestíamos roupas de banho e caminhávamos os dois ou três quarteirões que nos separavam da praia de Ipanema. Curtíamos o mar e a praia maravilhosos até próximo da nove da manhã, quando voltávamos para o apartamento, tomávamos café da manhã e saíamos para passear pela cidade.

A razão para esta rotina é muito simples. Apesar de ser inverno no Rio de Janeiro, o calor era tão forte na praia, que não conseguíamos ficar lá depois das nove horas da manhã!

Assim, aproveitamos os dias visitando o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico, a Lagoa Rodrigo de Freitas e outros pontos turísticos da cidade.

Praia mesmo, só bem cedinho. Que calorão!!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

GÊMEOS !!! (O Tempo Passa...)

Meu primo Romeu-Sérgio é da minha idade - na realidade ele é 45 dias mais velho - e temos alguma semelhança (verifiquem na foto ao lado). Meu pai é irmão - três anos mais novo que meu tio, pai dele.
Quando adolescentes provavelmente éramos mais parecidos ainda, pois a história que vou contar é verídica - como todas as outras de "O Tempo Passa...".
Estávamos no ponto de ônibus próximo de minha casa, na Av. Rebouças, em São Paulo, esperando o que nos levaria à casa de nossa tia Jô. Conversávamos distraidamente e não demos maior atenção ao fato que uma senhora, já de idade, nos olhava atentamente. Depois de alguns minutos a mulher aparentemente não se conteve e nos interrompeu:
"Ahn, vocês por acaso são gêmeos?"
"Não senhora, não somos irmãos" - respondemos.
Ela não se deu conta da resposta e afirmou:
"Ah! vocês não são gêmeos!!!"
"Não, senhora" - corrigimos - "não somos irmãos!"
A pobre mulher abriu uma cara de espanto e descrença:
"Como? vocês, então, não são irmãos?" Perguntou como que duvidando.
"Não, somos primos. E aí vem nosso ônibus. Tchau!"
Subimos, dando risada, no ônibus e deixamos a mulher boquiaberta na calçada.
Não sei até hoje se ela acreditou... ela pode estar pensando que queríamos enganá-la, mas falávamos a verdade!!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

99- MARAVILHAS DO PRIMEIRO MUNDO (O Tempo Passa...)

Aos dezoito anos, visitar e morar nos Estados Unidos era algo raro. Ainda não estávamos na era da comunicação, e, portanto, as informações sobre a vida americana tinham ares de sonho e mistério.
Ao chegar lá, para um ano como intercambista, um mundo novo e fascinante se abria à minha frente. As casas, os carros, a comida, as meninas, os esportes, os costumes, os valores, o clima, a língua, a música, tudo era diferente. Até mesmo aquilo que pensávamos ser igual, era diferente.
Por exemplo, apesar de ouvirmos no Brasil muita música americana, também ouvíamos mpb e música européia. Lá, não. Era só rock e música americana. Do Brasil, só "Garota de Ipanema"!!!
Nos esportes, o baseball dividia as atenções com o basquete e o futebol americano. Nada de futebol "normal", que eles chamam de "soccer".
E por aí vai.
O desafio para adaptar-se a esse novo e diferente estilo de vida é muito grande. É a tal da "experiência transcultural", de valor inestimável para qualquer um que tenha tido a oportunidade de experimentá-la. Difícil, penoso às vezes, mas inestimável.
Em meio a tantas novidades, não foi nenhuma tecnologia de ponta ou avanço cultural que me surpreendeu de cara.
Foram duas coisas simples, quase banais. Mas causaram-me tanto impacto que escrevi à família descrevendo-as entusiasmado.
Primeiro, o papel higiênico, lá "nos States" cortava no picotado!!! Impressionante! Porque aqui, apesar de existirem, os picotes no papel, não tinham função prática. Nunca rasgava-se no picotado!!! Lá, sim!!!
A segunda coisa: a experiência sensual de tomar banho com sabonete Dove. Não havia Dove no Brasil, e a sensação de maciez na pele após o banho foi incrível. No primeiro banho, até enxaguei-me novamente porque pensei que o sabonete não havia saído da pele no primeiro enxágue...
Pois é, sabonete e papel higiênico: as primeiras grandes surpresas de minha experiência transcultural...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

98- CAINDO... (O Tempo Passa...)

Vila Velha é uma atração no estado do Paraná. Formada pela erosão dos ventos no arenito compactado, veios profundos e sinuosos deixaram o local com a aparência de uma cidade fantasma, ou fantástica.

Muitos turistas passam por lá e se divertem caminhando por entre as vielas formadas pelo vento ou com a vista quando se olha por cima.

A caminho das Cataratas de Iguaçu, minha família parou para conhecer Vila Velha. Eu, moleque, percorria as vielas e subia nas “torres” de arenito como se fosse um desbravador nas ruínas de uma cidade pré-histórica.

Em uma dessas andanças, tentei descer uma encosta íngrime, com uns quatro metros de altura. Como o arenito fica friável na superfície, meus pés escorregaram nos grãos de areia solta e desci na vertical praticamente sem apoio ou amortecimento. Cheguei ao chão, em pé, e o baque fez minhas pernas bambearem. A velocidade da queda e a parada brusca, além do enorme susto de ter descido quase em queda livre, fizeram o sangue sumir da cabeça, e tudo escureceu. Meu pai, que de baixo assistiu tudo, chegou perto, viu que eu estava bem e me disse para ficar sentado, com a cabeça abaixada entre os joelhos, respirando fundo, de olhos fechados. Em alguns instantes eu estava bem novamente. Apenas assustado com o mergulho inesperado, e com uma história pra contar...


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

97- XUXA (O Tempo Passa...)

Nos anos 80, trabalhei na ACM de Sorocaba -YMCA, no treinamento dos futuros “gerentes” para as ACMs da América Latina e países africanos de língua portuguesa. Um curso de 3 anos de duração que os alunos faziam concomitantemente ao curso superior de educação física mantido pela ACM.

Certa vez recebemos um aluno africano de fala inglesa, o John. Simpático, inteligente, atlético, alto, bem-humorado e simples, ele logo atraiu a amizade de todos, e o fato de ser um negro de pele muito, muito escura, não foi obstáculo maior do que a barreira da língua. Geralmente me procurava para tirar dúvidas.

Um dia, surgiu no escritório chateado. Disse que as pessoas estavam “calling him names”, xingando-o. Perguntei o que falavam, e ele, meio contrariado, meio constrangido, disse que começaram a chamá-lo de “Xuxa”, e ele não sabia o que era aquilo. Não pude evitar o riso, o que o fez relaxar um pouco. Depois, expliquei: “Cara, aqui no Brasil, todo mundo recebe apelido, poucos são chamados pelo primeiro nome. E os brasileiros são muito gozadores, gostam de fazer piada de tudo. A Xuxa é uma famosa personalidade da televisão”. Ele fez muxoxo e reagiu: “Estão me chamando de mulher?!” Respondi: “Não, não é de mulher, se voce fosse gordo, te chamariam de Jô, um apresentador de TV que é muito gordo; se fosse feio, seria Costinha, o humorista; é Xuxa porque ela é alta e loira, muito loira”.

Ele hesitou um instante e abriu um sorriso largo, iluminando o rosto negro com seus dentes muito brancos: “Ah, I get it! That's funny! Those guys...” (Ah, entendi! É engraçado! Aqueles caras...). E saiu da sala sorrindo.

Xuxa fez muito sucesso e amigos durante o tempo em que esteve conosco, e deixou saudades. Ao ser apresentado a alguém, dizia: “Prazer, John, mas pode me chamar de Xuxa!!!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

96- DEZ SEM QUERER... (O Tempo Passa...)

Estudar Geologia na USP foi uma das grandes e deliciosas experiências da minha vida. Aprendi muito, viajei muito – viagens educativas, bem entendido – refleti muito, porque, ao contrário da impressão que passa, o curso era, na época, freqüentado por gente “cabeça”, politizada – até demais – e culturalmente engajada.

O difícil era aguentar algumas matérias e alguns professores. Poucas e poucos, por sorte, eram, como direi, irrelevantes. Ou chatices puras.

Umas das matérias chatas, com professor idem, era ligada a astronomia. Pra dizer a verdade, nem me lembro mais o nome da matéria. Foi um semestre só, mas difícil de engulir. A matéria em si não era complicada, por isso, quando chegou o final do semestre e o exame, eu não estava preocupado.

Das dez questões apresentadas, fui respondendo uma a uma até chegar na última. Percebi que era uma pergunta mais trabalhosa. Olhei para a minha folha de prova e vi que estava recheada de respostas, o que me assegurava aprovação na matéria. Como já era hora do almoço, deixei a última questão em branco, entreguei a prova e saí.

Esperava pelos colegas no pátio da escola, quando um deles saiu e me disse: “Ué, Rubens, porque você não respondeu a última questão?”. Disse-lhe que as outras nove respondidas já me garantiam aprovação, mas ele retrucou: “Ah, não! Era um pergunta fácil. Eu não resisti, peguei sua prova da mesa do professor, voltei para meu lugar e respondi. Fica tranqüilo, imitei tua letra direitinho...” Surpreso, só pude rir e torcer para que o professor não descobrisse que aquela não era a minha letra.

Mas tudo correu bem. Terminei o semestre com “10” de nota na matéria. Sei que não merecia, mas... fazer o quê?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

95- BERMUDA NO CINEMA (O Tempo Passa...)

Mudei-me, com mulher e dois filhos pequenos para Sorocaba, cidade do interior de São Paulo. A vida ainda corria mansa por lá, com sotaque típico, vai-e-vem na praça, e o sobrenome falando alto.

Mas já havia um shopping center! É, a cidade perseguia a modernidade e tinha até um “shopping”, com lojas, supermercado e cinemas. Sim, duas salas de cinema de “alta qualidade” (nem tanto...).

Sempre gostei de cinema e assim, quando surgiu uma chance, fomos a uma sessão. Aqui, um parêntese. Sorocaba é uma cidade quente no verão, muito quente. As temperaturas beiram frequentemente os 30 a 35 graus. Aliada à temperatura, o “jeitão” simples da cidade permitia andar com roupas leves e descontraídas. Eu até costumava a dizer que se você encontrasse na cidade um homem de terno e gravata no verão, podia apostar em duas alternativas: ou era um “estrangeiro” ou estava a caminho do fórum para uma audiência ou da igreja, para um casamento. Fecha parêntese.

Cheguei com Elaine na entrada do cinema, ela com uma roupa bem verão, eu, de bermuda. Qual não foi minha surpresa e indignação quando o porteiro do cinema disse que eu não poderia entrar! Perguntei por que e ele disse que não era permitido entrar na sala do cinema de bermuda. Oras, disse eu, e as mulheres de mini-saia, podem? Ele disse que não havia nenhum impedimento para as mulheres de mini-saia. Ah, me deu uma vontade de comprar uma mini-saia numa loja qualquer daquele shopping... queria ver se ele me impediria... mas a vontade de ver a fita foi maior do que a de brigar. Fui pra casa, troquei a bermuda por calça comprida e voltei para o cinema, bufando de raiva por ter perdido os primeiros minutos da fita.

Pouco tempo depois a regra caiu em desuso, talvez por excesso de transgressores, talvez por terem percebido o ridículo da situação.

Seja como for, ir ao cinema de bermuda tem, para mim, um sabor especial.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

94- NATAL COM NEVE (O Tempo Passa...)

No Brasil a neve é caso raro, raríssimo, digno de sair no noticiário nacional da televisão. Então, quando fui aos EUA como intercambista, em 1970, esperava ter a chance de ver neve, muita neve. Mas a deliciosa Salisbury - NC, pequena e agradável cidadezinha onde morei não tinha neve com freqüência. Nevava, sim, todo inverno, mas apenas em alguns dias e em pequeno volume.

Assim, quando o inverno chegou, comecei a acompanhar o noticiário meteorológico pra ver se anunciavam alguma nevasca... nada! Os dias se passavam, o fim do ano foi chegando, as temperaturas cada vez mais congelantes (para os meus padrões, pelo menos), mas nada de neve. Até que chegou o Natal.

Na noite de Natal fomos à igreja, para uma bela e emocionante cerimônia com muita música natalina, e depois tivemos um deliciosa ceia. Lá pelas dez horas da noite, alguém entra em casa, vem me dizer que estão caindo alguns flocos de neve !!! Saí pra varanda e me assombrei com o espetáculo que davam os pequeninos flocos brancos caindo na noite. Foi legal demais!!! E melhorou, pois a neve caiu mais forte e, em pouco tempo cobria o chão o suficiente para sairmos com os “sledges” – pequenos trenós – com os quais descíamos a rua em ladeira onde morava uma amiga. Foi uma noite inesquecível por mais de um motivo. Eu finalmente sabia o que significava “White Christmas”.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

93- O BEIJA-FLOR DO TORIBA (O Tempo Passa...)

Campos do Jordão - turística cidade de montanhas em São Paulo - há muitos anos, foi um dos lugares preferidos para férias e feriados da família. Usufruíamos do direito de usar uma casa no bairro de Umuarama, próximo ao hotel de mesmo nome, pagando pouco.

Em Campos do Jordão as caminhadas são um “must”, sempre morro acima ou morro abaixo, e para nos fornecer energia meus pais compravam caixas de um bastão de chocolate chamado "Batom" - que ainda hoje existe - e lá íamos nós.

Uma das caminhadas favoritas, em parte porque as ladeiras eram poucas, mas também porque o caminho era lindo, levava-nos ao Hotel Toriba - um cinco estrelas de "babar" - que tinha vários atrativos: uma vista monumental, uma arquitetura belíssima e um jardim enorme e extremamente bem cuidado. No verão, o jardim enchia-se de flores e com elas vinham os beija-flores. O hotel então instalava alguns bebedouros para aves ao longo da passarela do jardim. Assim, podíamos observar os passarinhos bem de perto, junto às flores ou sugando água nos bebedouros.

Uma vez, eles estavam em grande quantidade, e acostumados com a inofensiva presença humana, nem se incomodavam em fugir, quando passávamos por perto. Aproximei-me de um bebedouro e em instantes os bichinhos, que haviam voado ressabiados, voltaram e continuaram a beber água em vôo imóvel, típico dos beija-flores. Metido a besta, como sempre, coloquei o dedo indicador esticado na horizontal bem abaixo de um bico de água e esperei. Logo uma ave veio beber neste bico do bebedouro, as asas em movimento, bebia sem se apoiar em nada. Mas percebeu que logo abaixo dele havia um dedo firme, imóvel. Então, lentamente, baixou uma das patas em direção ao dedo. Pousou-a, firmou-se, mas continuou agitando as asas. Resolveu que valia a pena arriscar-se e pousou a outra pata, ainda voando. Como viu que eu estava resoluto em não me mexer, fechou suas asas e sorveu alegremente a água sem gastar energia batendo asas. Quando ficou satisfeito, voou de volta para as flores, sem uma palavra de agradecimento.

Mas eu, eu estava extasiado de alegria...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

92- ATROPELADO POR PEDESTRE (O Tempo Passa...)

Por um motivo qualquer, precisei atravessar a cidade à noite. Era umas sete horas, e o movimento ainda era intenso – para uma cidade do interior – de pessoas voltando para casa. Eu estava com pressa pois pretendia cumprir o meu compromisso e ainda participar de uma reunião de confraternização de colegas do trabalho.

Dirigia com cuidado por uma rua movimentada nos dois sentidos e não muito bem iluminada. A existência de padaria, posto de combustíveis, farmácia e supermercado nesta rua aumentava o movimento ao qual eu não estava acostumado. Dirigia com cuidado, prestando atenção nos veículos. Notei que um pedestre vinha pela calçada, bem junto ao meio-fio, e... buumm!!!

Ele simplesmente atirou-se contra meu carro! Seu corpo bateu violentamente contra o capô do motor e depois contra o vidro dianteiro. Brequei forte e desviei para a esquerda, mas não muito, para não abalroar algum carro que viesse em sentido contrário. Desci rápido para ver o corpo estendido à frente do meu carro... o coração disparado pela preocupação de ver alguém ferido e morto por mim, ali no chão. Morto não estava, pois gemia e tentava se levantar. Falei pra ele não se mexer, olhei em volta para ver se corria risco de ser novamente atropelado, percebi que o trânsito parara, algumas pessoas corriam para acudir e então voltei para o carro, peguei o telefone celular e liguei para o Resgate.

As pessoas já haviam ajudado o rapaz a sentar-se à beira da calçada. Ele tinha as mãos na cabeça como que lamentasse o ocorrido. Reforcei o conselho para que não se mexesse, que o resgate estava a caminho, que seria melhor se deitar. Algumas pessoas lhe fizeram companhia. Tirei o carro do meio da rua: capô amassado, vidro quebrado, mas funcionando sem problemas.

O resgate chegou em dez minutos. Cuidou do rapaz, que não parecia muito ferido. Vieram me perguntar o que havia acontecido. Contei como ele havia “pulado” pra cima do carro. Outros também contaram a mesma coisa. A polícia chegou. O bombeiro que cuidava do rapaz falou para os policiais que ele havia confessado ter-se atirado contra meu carro porque estava muito chateado com sua vida. Foi levado ao hospital. Os policiais pediram que eu fosse à delegacia prestar depoimento. Disseram que tirariam fotos do carro, e que eu estaria livre de problemas com o depoimento da vítima ao bombeiro, além das testemunhas, e do fato de ter acudido a vítima.

Cheguei tarde à confraternização. Mas com uma história muito louca pra contar: fôra atropelado por um pedestre!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Dois em um

Bem vindos ao "O Tempo Mista" ou "Salada Passa" ou "O Tempo Passa na Salada Mista" !?!?!
É isto mesmo, dois blogs em um! E grátis!!!
Quem não os conhece, é só visitar "O Tempo Passa..." e o "Salada Mista" pra terem uma idéia do que vai rolar por aqui.
Pra quem já me visita, agradeço a consideração e peço que continuem dando uma passadinha por aqui, de vez em quando, e comentando... sim!... comentando! Não sou como uns aí que não gostam mais dos nossos pitacos. Não é, gente?
Bem, no mais, tudo nos conforme. A gente se vê na blogosfera, ok?