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terça-feira, 4 de abril de 2017

Decrescimento

"Decrescimento: leituras para a "Prisão Crescimento"

 Pequeno tratado do decrescimento sereno, de Serge Latouche, 2007, francês. [Trad: Claudia Berliner, 2009.]
 Democracia econômica: alternativas de gestão social, de Ladislau Dowbor, português, 2013.
 O decrescimento: entropia, ecologia, economia, de Nicholas Georgescu-Roegen, 1970-81, inglês. [Trad: Maria José Perillo Isaac, 2012.]
 A natureza como limite da economia: A contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen, de Andrei Cechin, 2010, português.
* * *


O economista francês Serge Latouche se autoentitula um “objetor do crescimento” — como em outros tempos havia os “objetores de consciência”, que se recusavam a ir a guerra. O Pequeno tratado, que tem objetivo de ser “um compêndio do corpus das análises já disponíveis sobre decrescimento”, é a melhor porta de entrada ao assunto.


Ladislau Dowbor é um economista polonês radicado no Brasil e professor da PUC-SP. Democracia econômica, também muito acessível às pessoas leitoras leigas, tem como objetivo fazer uma “revisão da literatura econômica internacional” sobre a construção de um novo tipo de economia, uma certa “democracia econômica” mais afinada às problemáticas e necessidades atuais.


Já o falecido economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994) foi um dos precursores do decrescimento, em uma época que esse tema ainda era anátema dentro da economia. Basicamente, ele diz que, como o universo tende à entropia, cada joule de energia, cada quilo de alumínio, que gastamos hoje é um pequeno roubo dos nossos descendentes. Ou seja, ele defende o decrescimento, entre outras coisas, para que a matéria-prima do planeta não acabe tão rápido.


A prosa de Georgescu-Roegen pode ser um pouco densa para pessoas leigas, e a Editora do Senac tem feito um excelente trabalho de popularização de suas idéias: Decrescimento é uma seleção de quatro de seus principais e mais acessíveis artigos, oferecendo um bom ponto de entrada para sua obra; e Natureza, escrito por um professor brasileiro, é uma tentativa de apresentar suas ideias de maneira resumida, explicada e ainda mais acessível."

(retirado de postagem de Alex Castro em seu "Leituras comentadas")

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LOGAN

"Eu machuco pessoas" - murmura Wolverine.
"Eu também machuco" - retruca Laura - "mas elas são más".
"Isso não muda nada" - lamenta Wolverine
Eu sei que o filme é só uma mentirinha de muita ação, porrada, e sangue.
Mas essa cena poderia dar um "pause" no filme, pra gente pensar nela por uns minutos, né...

terça-feira, 21 de março de 2017

O sistema tem suas raízes em cada um de nós

"Uma sociedade verdadeiramente humana será uma sociedade onde não haverá miséria, ignorância e abandono - uma vergonha do passado, então inconcebível. Qualquer um que apresente qualquer argumento explicando a inviabilidade de uma sociedade assim, apenas me provoca um riso amargo. Não há produção suficiente de alimentos? Não existem conhecimentos, logística, condições de eliminar estas excrescências da face da terra? Ora, é claro que existem. 
O que acontece é que a acumulação, a concentração de riquezas, propriedades e privilégios precisa roubar direitos, mantendo populações em condições de barbárie, precisa de ignorância, desinformação, miséria e abandono pra seguir explorando populações e saqueando riquezas, moendo gente, destruindo potenciais e vidas, sujando e envenenando, tanto o planeta quanto as almas, as mentalidades, os comportamentos. Devemos a isso o estado de degradação social em que vivemos. 
Querer vencer na vida é sustentar isso. Competir é manter o modo de relacionamento social. Acreditar nas informações e "opiniões" dos veículos de comunicação é envenenar a mente e receber uma visão de mundo completamente distorcida. Querer o que é induzido pelo massacre publicitário em suas sutilezas sedutoras é o alimento do sistema social. Não ligar a violência e a criminalidade ao desequilíbrio social absurdo, à miséria, à pobreza e aos valores distorcidos pela publicidade e pela propaganda ideológica subliminar da mídia, acreditando que repressão e encarceramento são algum tipo de solução - ou mesmo contenção - pra situação de terror cotidiano, pros níveis de criminalidade, é ter a mente lavada, enxaguada, teleguiada, entorpecida e estupidificada. 
Pretender mudar um sistema que estimula a competição, o confronto e a disputa, confrontando, disputando e competindo - ainda mais dentro das instituições, infiltradas e dominadas pelos poderes econômicos - é de uma ingenuidade mais que inútil e incapaz. Acaba sendo a "prova" apontada pelos defensores deste sistema social criminoso de que a farsa política é realmente uma "democracia", alegando que não se poderia falar assim se não fosse uma democracia. Alegação mentirosa, obviamente. Pode-se falar como esses pretensos revolucionários falam porque eles não tem nenhum poder de mobilização popular, em seus condicionamentos de superioridade social, em seu doutrinarismo estéril, em sua arrogância e pretensão de liderar, organizar e conduzir as massas. Pensam que estão lutando por uma sociedade igualitária, mas estão é colaborando com essa estrutura desumana, ajudando a construir o cenário do teatro macabro. Se alcançassem humildade, perceberiam. Eu percebo que há muitos se tocando. O processo tem seu ritmo. 
Em cada um de nós há raízes dos condicionamentos sociais produzidos em laboratórios de pensamento bem pagos, contratados por um punhado de parasitas sociais podres de ricos - que não participam do caos que provocam, cercados em suas fortalezas com muros eletrificados e exércitos bem armados de seguranças privadas. Estamos expostos a isso desde o útero materno e ingenuidade é pensar que nossa vontade é toda nossa, como nossa visão de mundo, opiniões, sentimentos, desejos,... esta percepção, a meu ver, é a primeira de todas. E o trabalho interno, o mais importante. A coletividade é formada por todos e cada um. Trabalhando em si mesmo, o trabalho se estende automaticamente ao coletivo, sem pretensões de ensinar, liderar ou conduzir."

Eduardo Marinho - "Observar e Absorver" - 19 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Minha Mensagem de Natal

"Outro dia o filho que não tenho, e que já é grandinho o bastante para fazer esse tipo de pergunta, perguntou-me, olhando para o mundo, se existe esperança.
Era época de Natal e ele queria que minha resposta o enchesse de inspiração e de bons sentimentos; uma resposta que o capacitasse a abraçar o futuro com olhos brilhantes e pés otimistas. Queria, em outras palavras, uma mensagem.
Esta, meu filho, é uma resposta que palavras não podem dar - menti o menos que pude, e invoquei não sei de onde um sorriso.
Quando ele for mais velho direi que não, que não há qualquer esperança. Andaremos lado a lado por um caminho no meio da tarde e confessarei que não enxergo esperança no mundo, nas religiões e instituições e, ainda menos, em mim mesmo. Direi que as belas mensagens otimistas que os homens trocam em ocasiões solenes são distrações que não chegam nem de perto a alterar a dura malha da realidade. As pessoas não se tornarão mais generosas, menos mesquinhas e mais iluminadas, porque vivi quarenta anos e a cada dia me distancio mais, eu mesmo, desse ideal ilusório.
Ele me olhará nos olhos e, sem dizer nada, abrirá um meio sorriso, porque verá que, embora não exista esperança, embora eu esteja convicto de que não há, cultivo ainda assim alguma.
Se tudo der certo, com o passar dos anos ele aprenderá a guardar a esperança como eu: como quem tem vergonha de permanecer criança e continuar olhando com fascinação para a chama de uma vela que qualquer um pode apagar."
(Paulo Brabo, AQUI)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mistério!!!

Até setembro passado, este blogue recebia, em média, mil visitas por mês. Eu achava razoável, visto que nunca foi minha intenção ser um blogger profissional, com 50, cem mil visitas/mês.
Subitamente, em outubro e novembro, as visitas subiram para mais de 5 mil em um só mês!!!!
O que será que aconteceu?!?!?! Terei me tornado celebridade e nem percebi???
Acho que há uma explicação lógica para o fato, mas... deixa prá lá!!!
Esse mistério é mais interessante que a explicação, com certeza!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A Quem Interessar Possa: Anarquismo não é Utopia! Entrevista com Daniel Colson

Entre las tradiciones históricas revolucionarias, es difícil encontrar una más repleta de tesoros que el anarquismo. Las diferentes versiones del marxismo-leninismo (maoísmo, trotskismo), son hoy prácticamente “lenguas muertas”, es decir, “lenguas que no son ya la lengua materna de ningún individuo, ni la lengua de uso en ninguna comunidad natural de hablantes”. Y si algún autor de esa corriente aún nos hace pensar hoy, como es el caso de Gramsci, es por haber tenido que inventar en su día un nuevo lenguaje (en lugar del vocabulario marxista clásico) para esquivar la censura.
Por el contrario, el anarquismo resuena intensamente con los movimientos políticos más recientes como las plazas de 2011: autoorganización, rechazo de la delegación, disgusto hacia las intrigas de palacio, atención sensible hacia todas las relaciones vitales, carácter afirmativo y no sólo reactivo, lógica no frontal o simétrica del antagonismo, etc. Y sin embargo, ese vínculo es más implícito e inconsciente que explícito. ¿Por qué? Porque hay dragones. Dragones guardianes que, hechizados por el brillo del tesoro, lo custodian de tal modo que lo sofocan y esterilizan. Encierran el anarquismo en siglas, fechas y héroes, fetichizan la memoria, construyen identidades-fortaleza, desconfían de lo nuevo.
Se vuelven necesarios, pues, los espíritus aventureros que se atreven a burlar la vigilancia de los dragones para liberar y compartir los tesoros retenidos. Los “traductores” que devuelven la vida al anarquismo y el anarquismo a la vida, activando una memoria no nostálgica, sino inspiradora para el presente. Como por ejemplo Tomás Ibañez Christian Ferrer o el filósofo e historiador francés Daniel Colson.
En esta entrevista concedida a la revista francesa Ballast, Daniel Colson comparte algunos de los preciosos tesoros que ha encontrado en sus incursiones: el anarquismo como ontología y no como utopía o ideal, la visión del Estado como “resultante” de las relaciones de poder micro, el antiautoritarismo existencial como rasgo libertario, la ética anarquista como lógica de los comportamientos y los afectos, la revolución social más allá de la revolución política, el sentido de la multiplicidad, etc.
Tesoros para disfrutar y compartir, para activar en la vida y en las luchas, una vez liberados de los dragones guardianes de la ortodoxia.
Propones la idea de que el anarquismo no sería un modo de vivir, ni un estado de ánimo, sino una verdadera ontología. ¿Qué quieres decir con esto?
Hablar de ontología es hablar de lo que es, de lo que hay, de las cosas, de los hechos. Al contrario de lo que se piensa a menudo (algunos libertarios también lo hacen), el anarquismo no es un ideal o una utopía, ni tampoco una de esas ideas bellas pero irrealizables. El anarquismo es extremadamente realista. Habla de las cosas tal y como son: el caos, los accidentes, la vida y la muerte, la alegría, pero también la tristeza y el sufrimiento, las relaciones de fuerza y de poder, el azar y la necesidad, tanto de la existencia humana como del mundo y el universo que son los nuestros. En dos palabras, la "anarquía" de lo que es. El idealismo y la utopía no están del lado del anarquismo, sino del lado de las "leyes", de las "religiones", de los "Estados" y de los sistemas (incluso científicos) que pretenden poner orden y dar sentido al caos, doblegarlo a su lógica particular, a costa de muchos sufrimientos, violencias y obligaciones. El orden se dice a sí mismo realista, pero su realidad no es otra que la de la dominación.
¿Podrías hablarnos de esto a través de un ejemplo?
Sí, formo parte desde hace muchos años de una librería asociativa libertaria, La Gryffe. Como todas las asociaciones -esos "seres colectivos", que diría Proudhon-, La Gryffe ha vivido (y vive) numerosos conflictos a lo largo de su dilatada historia: una multitud de pequeñas tensiones localizadas en el día a día; pero también conflictos generales (o de conjunto) más o menos dramáticos, bajo la forma de crisis periódicas en torno a la orientación y el funcionamiento de la librería o a la apropiación de la "fuerza colectiva" (Proudhon) que "resulta” de cualquier cooperación, grupo o asociación.
Esas tensiones y crisis han provocado a menudo un profundo desánimo entre los miembros de La Gryffe y entre quienes la observan desde fuera. ¿Cómo? ¿Incluso un proyecto libertario como La Gryffe no logra evitar las fricciones, los líderes y las luchas por el "poder"? ¿Qué pasaría entonces en un marco más amplio? ¿Cómo puede creerse en el proyecto anarquista si ya sus más mínimas manifestaciones y tentativas no consiguen funcionar sin complicaciones, divisiones, renuncias, impotencias y choques (incluso a veces violentos, como lo demuestra la historia del anarquismo español)?
Por supuesto, hay razones evidentes en este mundo para estar desanimado. Pero desde un punto de vista libertario, no son de este tipo. No tienen que ver con la debilidad de una utopía o ideal que se estrellaría contra la dura realidad de un mundo en el que actuar como un ángel conduce muy a menudo a comportarse como una bestia. Lejos de sorprenderse o desanimarse, los anarquistas deberían advertir que las tensiones, los conflictos, las pasiones, las rivalidades y las violencias que se pueden constatar por todas partes son justamente la prueba más concluyente de la ontología que ellos defienden: la anarquía de lo que es, la anarquía de lo que hay. Bajo la fachada de las religiones y los Estados, de la cortesía y de las apariencias, siempre espera una nueva crisis, una nueva explosión, una nueva demostración del carácter anarquista e indomable de la realidad.
El desánimo de los libertarios no tiene que ver con el diagnóstico de la realidad, sino con la dificultad para deshacerse del peso de las representaciones idealistas, con la transformación reiterada del realismo anarquista en unos principios abstractos e ideológicos comparables a los de todas las demás ideologías y religiones, morales o estatales. Una vez convertido en programa e ideal, los anarquistas se esfuerzan, como nuevos Sísifos, en aplicar el proyecto anarquista a la realidad, pero es en vano. Ni siquiera disponen del poder de las instituciones autoritarias y jerárquicas que podrían darle a su proyecto, como ocurre en los demás casos, ciertas apariencias de realidad.
¿Dónde y cómo nace la concepción anarquista de la realidad? ¿Y en tu caso personal?
El punto de partida de la concepción anarquista del mundo no radica en la filosofía o en "la cabeza" de algunos pensadores como Proudhon o Bakunin. Bakunin "se vuelve anarquista" tardíamente, bajo el efecto de los acontecimientos, de su encuentro sensible y concreto con los  obreros relojeros del Jura en Suiza. El pensamiento de Proudhon, muy marcado al comienzo de su vida por la experiencia profesional en una imprenta, se debe principalmente a los acontecimientos de 1848, que transformaron profundamente, quizá no tanto a la persona que era, pero sí lo que pensaba y no dejó ya nunca de pensar.
En mi caso (mucho más modesto, evidentemente), tampoco empecé por la filosofía, sino también por unos acontecimientos (los de Mayo del 68 en este caso) que cambiaron mi vida, pero también por una serie de investigaciones históricas profundas sobre el movimiento obrero. Es decir, yo me hice interiormente anarquista en el fuego de los acontecimientos de Mayo, pero fue el contacto con la historia obrera lo que me hizo entender la amplitud y la profundidad del proyecto libertario, su manera de relacionarse con las cosas y con la vida más inmediata y material, así como la radicalidad de la revolución que este proyecto implica.
En el vocabulario de la filosofía contemporánea, se podría decir que el anarquismo constituye un horizonte de pensamiento o, de manera más amplia, un “plano de consistencia” (Deleuze). Algo "prende", algo "cuaja" y va asociando numerosas entidades diferentes al mismo tiempo que las hace proliferar: prácticas, teorías, técnicas, expresiones, temperamentos, personalidades, modos de ser, conceptos, gestos, ideas, estéticas, etc. Proudhon propone un concepto especial para pensar este "cuajar" de hechos y fuerzas diferentes: es el concepto de "homología" (que por cierto usa también Spinoza cuando explica, a groso modo, que hay más puntos comunes entre un caballo de labranza y un buey que entre un caballo de labranza y un caballo de carreras).
Así es como se han asociado (para mí) realidades tan diferentes como la historia del movimiento obrero y El Anti-Edipo de Deleuze y Guattari, entre ellas y a la vez con todo un mundo de hermanos, hermanas y primos, a veces muy lejanos: Spinoza, Leibniz, Simondon, Gabriel Tarde y muchos otros más. Y así creo que puede entenderse el concepto de "anarquía positiva" de Proudhon: un "prender", un "cuajar" de cuerpos y sentidos, no como se solidifica el hormigón (esa es la manera del fascismo religioso y el integrismo islámico), sino más bien en el sentido de una improvisación de jazz: modos de asociación de entidades radicalmente dispares y singulares que recomponen el mundo sin dejar nunca de ser diferentes, de tener una realidad, un modo de ser y un punto de vista radicalmente irreductibles a todos los demás. Los "haces de autonomía" (Proudhon), las "libres asociaciones de fuerzas libres" (Bakunin) o la "unión libre [...] de los únicos" (Stirner y Landauer) son modos de asociación que implican la autonomía absoluta de las fuerzas asociadas.
Hablabas de "anarquía positiva". ¿Tiene esta noción de Proudhon un eco en tus libros, en tu insistencia sobre el carácter nocivo del resentimiento y de la negatividad como motores políticos, tan presentes sin embargo en los ámbitos contestatarios? En el fondo, ¿cómo luchar sin odio?
No había pensando en el sentido que le das a la palabra "positiva" en la fórmula de Proudhon. Me parece que esta palabra le servía sobre todo para distinguir entre una especie de anarquía primera, en el sentido tradicional y negativo de "an-anarquía", de caos, y un segundo sentido, la auto-organización en el seno de ese caos, la auto-organización de ese mismo caos, mediante todo un proceso de selección de fuerzas, de disposiciones, en oposición y en equilibrio, etc. Pero, tenga que ver o no con Proudhon, tu pregunta sigue vigente y valida.
El anarquismo, estrechamente vinculado en su nacimiento a la violencia de la lucha de clases de los inicios del capitalismo industrial, no se libró de los efectos de odio, de resentimiento y de venganza que inducía dicha violencia. Pero no es el odio y el resentimiento lo que llama más la atención cuando se estudia la historia del anarquismo, especialmente de ese anarquismo obrero que fue su cuna y su horizonte.
Si uno examina la organización de los  "Caballeros del trabajo" o el contenido de los discursos de los líderes de los movimientos obreros que recriminan a su público la actitud de esclavos o de ovejas, es que el anarquismo obrero nace y se afirma, no como un movimiento de víctimas, sino de "maîtres" [amos y señores, pero también maestros y maestros artesanos], en el sentido que Nietzsche da a esa palabra. El "amo" anarquista y el "amo" nietzscheano comparten la característica decisiva de no tener ni necesitar esclavos (tanto Nietzsche como Proudhon son críticos de Hegel y de su dialéctica del amo y del esclavo).
Los "amos" de artes y oficios donde el anarquismo encuentra a muchos de sus militantes, los “amos” zapateros del Père Peinard que echan a los patrones a golpes de cinturón, etc. Habría mucho que decir sobre la complejidad y la ambivalencia de aquella actitud de "amos", tanto en el terreno profesional como dentro de las familias obreras, a través del modelo patriarcal que defiende vigorosamente Proudhon, donde el cinturón no sólo sirve para echar a los patrones...
Los "amos" de Nietzsche y del anarquismo son afirmativos, afirmativos en la rebelión y en las fuerzas interiores que autorizan esa rebelión, incluso cuando se trata de una rebelión tan desesperada como la de los Sonderkommandos de Birkenau o de Treblinka. En Nietzsche y en el anarquismo encontramos la misma idea de una afirmación emancipadora que escapa a toda negatividad; una afirmación generosa que pretende arrastrarlo todo consigo, rehacerlo todo, como lo demuestra la idea de huelga general insurreccional y el "separatismo" que implica ("la comunidad en la fuga" de la que habla Gustav Landauer) y que uno encuentra en el viejo anarquismo obrero, pero también en muchos movimientos contemporáneos (puede leerse en este sentido A nuestros amigos, el último libro del Comité Invisible).
Creo que estás de acuerdo con el análisis que hace Foucault del poder, ¿nos puedes decir algo más al respecto?
Para Foucault, el "poder" está en todas partes: es una multitud infinita de pequeños poderes o de pequeñas relaciones de poder que se encadenan, producen y sostienen entidades más amplias (las "resultantes" de que hablan Proudhon, Bakunin, Reclus...): los Estados, las Iglesias, las leyes religiosas, el capital, Dios. Todas las micro-relaciones de poder parecen emanar de estas entidades, pero en realidad son su causa y su sostén .
Se puede lamentar que Foucault no haya tomado más en cuenta el pensamiento libertario. Pero también es lamentable el hecho de que el pensamiento libertario haya podido, no tanto en sus prácticas como en las representaciones de muchas de sus organizaciones y de sus militantes más ideológicos, hipostasiar las resultantes de las relaciones de dominación: hipostasiar el Estado, el capital, las religiones como grandes enemigas (reproduciendo la creencia de que ellas son la fuente y el origen de las relaciones de poder, cuando en realidad sólo son sus resultantes y sin ellas no son nada).
El anarquismo no nació de una teoría previa y negativa del Estado y su conveniente destrucción. De forma mucho más concreta, el anarquismo nació de la práctica y de las interacciones inmediatas y minúsculas de la Primera Internacional, del modo en que Anselmo Lorenzo y Paul Robin percibieron las relaciones de Marx con sus discípulos, por ejemplo. Son estas pequeñas interacciones, amplificadas, las que han dado sentido a una crítica más general del Estado, del Capital, de la Religión, de la Política y de los Partidos. De manera muy significativa, el movimiento libertario naciente no se definió primero como anarquista, sino como "anti-autoritario". El anarquismo nació de prácticas y percepciones anti-autoritarias (la vertiente guerrera y combativa de la palabra "libertario") y son esas prácticas y esas percepciones las que han continuado dándole cuerpo y sentido al anarquismo, al anarquismo obrero o al anarquismo actual, en sus componentes más vivas y menos ideológicas.
La suerte del anarquismo es que, como movimiento práctico y nacido de la práctica, tuvo enseguida, con Proudhon y Bakunin principalmente, una teoría homóloga a esas prácticas. Una teoría de la "fuerza colectiva" compuesta por otras fuerzas colectivas que producen "resultantes" que corren siempre el riesgo de volverse contra las mismas fuerzas que las han producido. Sé que es complicado, sobre todo para las mentes marcadas por las representaciones del orden dominante, pero me parece que quienes tienen las tripas (ese "otro cerebro") o el resorte anarquista, deberían hacer el esfuerzo de leer realmente a Bakunin, a Proudhon, a Kropotkin y a tantos otros...
¿Qué podríamos encontrar en estos viejos autores?
Por ejemplo, Proudhon proporciona una batería de conceptos extremadamente ricos y esclarecedores sobre la naturaleza de las relaciones de poder. "Fuerzas", "fuerzas colectivas", "resultantes", "componentes" y "composiciones", "absolutos", "mónadas", etc. La gran originalidad de la teoría anarquista de inspiración proudhoniana se puede resumir en tres puntos:
1. Dar cuenta, de manera concreta, de todas las potencias que nos aplastan y dominan en el campo económico (teoría del valor), político (nacimiento y sostenimiento del Estado), ideológico y simbólico (Iglesia, Dios).
2. Dar sentido a las luchas e interacciones más inmediatas y minúsculas, frente a la visibilidad cegadora de las grandes dominaciones, como los "focos" donde se libra por doquier la guerra entre dominación y emancipación.
3. Inscribir explícitamente lo que está en juego de manera global e inmediata en lo que Proudhon llama una "nueva ontología" que funda la potencia teórica, práctica y revolucionaria del anarquismo.
Criticas el "cientificismo ingenuo y cínico" del marxismo y elogias la ética del anarquismo. ¿Cuál es esa ética? ¿Que los medios, como decía Camus, son ya fines en sí mismos? ¿Que, como declaraba Malatesta, a quien dedicaste un libro, más vale una derrota que la victoria sin principios?
Me parece que habría que precisar lo que entiendo por "principios". En el anarquismo, no se trata de ideas y leyes abstractas, codificadas y grabadas en mármol. Se trata de una determinación y de un juicio internos a cada situación , por minúscula que sea, un juicio o una evaluación inmediata, práctica y muy intuitiva, intempestiva, por ejemplo la de los milicianos españoles desertando de las columnas anarquistas en el momento mismo de su militarización.
Camus tiene razón. Para el anarquismo, solo existen "fines" y no "medios", fines inmediatos e innumerables: en dos palabras, la anarquía, la an-arkhe , no es la ausencia de principios, sino un exceso de principios primeros, de “absolutos” como decía Proudhon, que asociados y federados, son capaces por selección, confrontación, imitación, lógica y dinámica internas de reproducirse y propagarse por todas partes. El anarquismo se opone a cualquier lógica instrumental y utilitaria, objetiva y objetivante. Cada cosa es una fuerza singular que resulta de una composición de fuerzas igual de singulares, ellas mismas compuestas de otras fuerzas singulares.
Para criticar el anarquismo, hay quien habla de "deseo", de "capricho" y de "subjetividades deseantes". Pero es equivocado reducir el anarquismo a las trampas y las deformaciones del liberalismo, a la presión de consumir cada vez más objetos o mercancías de todo tipo. Para el anarquismo, los "deseos" no son los del consumo capitalista y sus individuos artificiosos, esas "unidades de codicia" de las que habla Gilles Châtelet en Vivir y pensar como puercos: "bolas de billar patéticas que en sus esfuerzos por diferenciarse se hunden cada vez en la mayor equivalencia". Para el anarquismo, los deseos son fuerzas materiales singulares que implican y movilizan cada vez la totalidad de lo que es, bajo cierto punto de vista, según cierta configuración, un modo de ser opresivo o emancipador. "Deseos", "fuerzas", "voluntad de poder" (pero también "conatus", "entelequias" y otras nociones) son conceptos que afirman, cada uno a su manera, la misma realidad, la realidad material de lo que es.
Efectivamente, al cientificismo del marxismo (a las "situaciones objetivas" decretadas e impuestas por el Partido), el anarquismo no le opone ninguna moral, ni unos principios morales, sino una "ética", en el sentido de Spinoza. Una ética que es ante todo una etiología, una lógica de los comportamientos y de los afectos, un sentido práctico, que proviene de las cosas, los acontecimientos y las situaciones.
Una vieja querella agita los movimientos de emancipación, en el sentido amplio de la palabra: el individuo y el colectivo. Se acusa a menudo a los anarquistas de despreciar el segundo término y a los comunistas de sacrificar el primero. ¿Cómo resuelves esa cuestión?
Históricamente, el anarquismo padeció durante mucho tiempo una corriente "individualista" muy particular y que hoy, afortunadamente, casi ha desaparecido. Se volvió inútil en la medida que el propio capitalismo impuso a todo el mundo la "individualización" de los "gustos y colores" que el individualismo "anarquista" oponía a las nuevas y viejas comunidades (Iglesias, sindicatos, oficios, naciones, familias, grupos de afinidad, etc.). Este individualismo anarquista (que siempre fue marginal y que todavía perdura aquí y allá, en el terreno de la alimentación, de la procreación o de la sexualidad por ejemplo) tiene dos características negativas.
Acabamos de ver la primera: la inscripción del individualismo anarquista en el interior de las representaciones y las prácticas o los "deseos" del liberalismo capitalista hoy hegemónico. La segunda característica deriva de la primera pero va más allá. Es la creencia exorbitante en la existencia primera y auto-fundadora de un "sujeto" trascendental, dueño de sus elecciones y de sus decisiones; una creencia y un postulado extremadamente poderoso en la vida práctica (educativa, laboral, judicial…) y en el terreno de la filosofía, desde Descartes a Sartre, pasando por Kant, Husserl y muchos más.
Para los movimientos anarquistas pasados y presentes, la relación entre el individuo y el colectivo se plantea en unos términos y en un horizonte de pensamiento y acción radicalmente diferentes. La afirmación "personal", como diría Proudhon, no tiene nada de liberal y no remite a la ficción moderna de un individuo o un sujeto trascendente, que existiría por fuera de las cosas, de las situaciones y de los acontecimientos. La inmensa mayoría de los militantes revolucionarios, orgánicamente vinculados a movimientos de masas (principalmente, el sindicalismo), pueden calificarse seguramente como "personalidades fuertes" o "individualistas", pero ese individualismo y esa personalidad sólo tienen sentido y existencia dentro de los movimientos colectivos, dentro de las "subjetividades colectivas" de las que son a la vez el producto y una de sus componentes.
Un último comentario: para el anarquismo, no hay diferencias de naturaleza entre el "individuo" y el "grupo". Como lo subraya Proudhon, "el individuo es un grupo", un "compuesto de potencias" ellas mismas compuestas de otras potencias compuestas y así hasta el infinito. El "individuo es un grupo" y todo "grupo es un individuo", una "individuación", un "ser", una "subjetividad", un "absoluto", cada vez singular y sorprendente, y sólo mediante una larga experiencia colectiva podemos captar sus fuentes y sus efectos, buenos o malos, opresivos o emancipadores.
Críticas la pertinencia de las nociones de derecha y de izquierda como "ilusiones" que sólo sirven para estafar a los ciudadanos-electores. ¿Piensas que habría que superar esa división ineficaz para comprender nuestra época, como aconsejaba Castoriadis? Hay quien te diría que es lo mismo que dice el Frente Nacional...
La distinción derecha/izquierda, así como el "ni derecha ni izquierda", son nociones políticas y politiqueras, aunque se basen y actúen en un viejo fondo imaginario que desborda los meros dispositivos políticos. El anarquismo recusa lo político como una trampa mortal para un proyecto revolucionario que abarca la totalidad de lo que hay, que parte de esta totalidad, de todos sus componentes. A la "revolución política" (nuevo Estado, nuevos dirigentes, nueva constitución), el anarquismo opone desde el principio una revolución social y económica ("la Social") que se distingue radicalmente de la simple y vieja revolución política. Una revolución que parte de todas las cosas, una revolución de largo recorrido que las implica a todas por igual: es "la independencia universal" y "la independencia del mundo" que cantan las viejas canciones obreras del siglo XIX. En esa lógica emancipadora, los "revolucionarios" no preguntan jamás a sus numerosos compañeros de pelea si son socialistas, de derechas, cristianos o budistas. La dinámica y la lógica emancipadora valen por sí mismas, no se exigen los compromisos ideológicos propios de los partidos, las Iglesias o las "sectas".
Hemos visto recientemente, en España, a ciertos anarquistas mostrarse  extremadamente hostiles hacia un movimiento como Podemos y, en particular, hacia su portavoz Pablo Iglesias: ¿no hay una especie de purismo y de sectarismo en el movimiento anarquista que le condena a predicar dentro de su capilla, a hablar sólo a las minorías, a mantenerse lejos de “las masas”, por usar una palabra que no te gusta mucho?
Desconozco la naturaleza de esas críticas hacia Podemos y, por experiencia, desconfío un poco de ellas. Pero en lo que venimos diciendo creo que habría argumentos para elaborar una crítica anarquista. Podemos presenta dos características estrechamente unidas e igualmente inaceptables para el anarquismo:
1. Una solución política, ganar las elecciones, conquistar el poder del Estado.
2. Fundar su acción y esta victoria (de opinión) sobre la cantidad, sobre la "mayoría" de individuos-electores-ciudadanos, que se parecen como tales a las "bolas de billar" de Chatelet y se expresan en  grandes coreografías "de masa" que llegan después (y codifican) las movilizaciones de las multitudes heterogéneas.
Para acabar, quizá la pregunta más difícil: ¿podrías dar una breve definición del anarquismo?
Es Deleuze (y Guattari) quien, de manera aparentemente enigmática, da a mi juicio la mejor definición: la Anarquía, "una extraña unidad que sólo se reclama de lo múltiple". Espero que lo dicho anteriormente contribuya a aclararla.
(Esta es una versión parcial de la entrevista publicada por la revista francesa Ballast en febrero de 2015.)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

3 erros do governo PT

"Talvez o melhor aspecto do pensamento à esquerda e que mais me influenciou foi o estímulo à análise e à auto-crítica. Faz um ano publiquei um vídeo one analisava o problema dos governos recentes de esquerda no Brasil, que fizeram a maior inclusão da história do país, mas que o fizeram as custas de três defeitos: 1- a inclusão foi tutelada, não permitindo a libertação e a emancipação plena dos cidadãos. 2- A inclusão foi financiada por crédito para consumo, desestimulando a poupança e o investimento desde a base. 3- A inclusão foi medida pela capacidade de consumo, e assim sendo, criou mimados e estimulou o desejo mais torpe de felicidade por meio do consumo, do desejo e da aparência (avião, carro, eletrodomésticos, roupas se tornaram objetivos a serem alcançados). 
Esta tríade, mas em especial este terceiro aspecto explica em grande parte porque um João Dória, epítome do consumismo superficial, virou desejo de TODAS as sessões eleitorais de são paulo, elegeu-se nas zonas mais pobres do mesmo jeito que nas mais ricas, e porque não há resistência efetiva ao golpe, mas sim o silêncio omisso de quem não liga. Ao optar pela inclusão a crédito, tutelada e consumista criou-se o chão para pavimentar a subida da direita. Fomos derrotados não por uma direita má e autoritária, mas por optar por um conjunto de valores sedutores e irresponsáveis e por fazer inclusão pela consumo"

Claudio Oliver, no Facebook

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O que nos faz, seres humanos, diferentes de todos os outros animais conhecidos?

Este video está em Inglês, mas felizmente, há legendas em em Português.
Sugiro fortemente que separe 17 minutos do seu tempo para vê-lo. 
Você não vai se arrepender!


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um cérebro, dois hemisférios

"A mente humana e sua capacidade de fazer duas coisas muito diferentes: Uma é a habilidade de dividir as coisas em suas partes constituintes e examinar como se misturam e interagem. A outra é a habilidade de unir coisas separadas para que contem uma história... O melhor exemplo da primeira é a ciência; da segunda, a religião. A ciência segmenta as coisas para ver como elas funcionam. A religião junta as coisas para ver o que significam... A primeira é uma atividade predominantemente do lado esquerdo do cérebro; a segunda está associada ao lado direito do cérebro. O lado esquerdo do cérebro nos diz como o mundo é, enquanto o direito nos oferece uma visão de como poderia ser.
...quando usamos o lado esquerdo do cérebro para argumentar, articulamos uma teoria, indo de um ponto a outro em sequência lógica da premissa à conclusão. Uma vez reconhecida a verdade da premissa, não há escolha a não ser aceitar a verdade da conclusão. Quando usamos nosso hemisfério direito, o lado intuitivo e não o lado lógico do cérebro, não propomos um argumento. Contamos uma história. Uma história ser verdadeira ou falsa não depende de que  ela represente ou não o mundo como ele é ou foi, e sim de que ela produza ou não a resposta emocional "sim, é assim que a vida funciona"."
(Harold Kushner em "As nove lições que aprendi sobre a vida")

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Imperdível: A Mentira Que Vivemos

Adicionei um video à lista dos videos essenciais que todos nós deveríamos assistir algumas vezes durante a vida:
Chama-se "The Lie We Live" (A Mentira Que Vivemos) e completa a lista anterior:

Pale Blue Dot - Pálido ponto azul
Dance Monkeys, Dance! - Dancem, macacos, dancem!
Wear Sunscreen - Use filtro solar
Sabe Com Quem Está Falando?!
Everything Is Offensive - Tudo é ofensivo

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Classes - Harold Kushner

"Sociólogos identificaram a diferença nítida entre as pessoas da classe trabalhadora e da classe média como resultado de quanto controle alguém tem sobre sua própria vida. As pessoas da classe trabalhadora, bem como as mulheres em tempos pré-modernos, estavam acostumadas a seguir ordens, submetendo-se à autoridade. Por outro lado, pessoas da classe média e das classes mais altas entendem que não é obediência, mas, sim, discernimento, o que os outros esperam delas. Elas sentem que tem não só o direito, mas a obrigação de questionar o modo como as coisas sempre foram feitas."
(Harold Kushner, em "As 9 lições essenciais que aprendi sobre a vida", ed Best Seller, p20)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Filtro Solar... de novo!?!?

 Wear Sunscreen
"Se eu pudesse lhe dar um conselho em relação ao futuro, seria: “use filtro solar”. Os benefícios do uso do filtro solar a longo prazo foram cientificamente provados. Quanto aos demais conselhos que dou, baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Vou lhes dar esses conselhos:
Desfrute do poder e da beleza da sua juventude. Não... Esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da juventude quando já tiver passado. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará fotos de você de um jeito que você não pode compreender agora e perceberá quantas possibilidades se abririam para você e o quão fabuloso você realmente era... Você não é tão gordo(a) quanto imagina!
Não se preocupe com o futuro. Ou preocupe-se, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente importam em sua vida são aqueles que nunca passaram pela sua cabeça, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.
Faça todos os dias alguma coisa que te assuste.
(Cante...)
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. E não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.
(Relaxe...)
Não perca tempo com a inveja. Às vezes se ganha, às vezes se perde. A corrida é longa, e, no final, você só pode contar consigo mesmo.
Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos. (Se você conseguir fazer isso, me diga como...).
Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários.
(Estique-se...)
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas de 40 anos mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez você se divorcie aos 40. Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. Seja o que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Assim como as de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Use-o de todas as formas que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele. Ele é o maior instrumento que você possuirá.
Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.
Tente entender seus pais. Você não sabe a falta que você vai sentir quando eles forem embora pra valer.
Seja gentil com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente não deixarão você na mão.
Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.
More em São Paulo algum tempo. Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura. More em Salvador por um tempo. Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
(Viaje...)
Aceite algumas verdades eternas: Os preços vão subir, os políticos são veniais e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem os preços eram razoáveis, os políticos, nobres e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos.
Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha um fundo de garantia. Talvez você tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito com seu cabelo. Senão, aos quarenta anos, vai ter a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos. Mas seja paciente com elas. Um conselho é uma forma de nostalgia. Dar um conselho é um jeito de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.
Mas... acredite em mim, quando eu falo do filtro solar."
 
(Video disponível aqui: http://rubensosorio1.blogspot.com.br/2014/11/use-filtro-solar.html)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Como ouvir quando você discorda

Ela me olhava apenas.
Tinha algo a dizer, e eu podia ver que ela estava curiosa sobre o cartaz "Free Listening" [algo tipo, Sou todo Ouvidos], mas não parecia ter a coragem para falar comigo.
Ainda.
Então, esperei. Nenhum lugar para ir e o dia todo para chegar.
Fazia calor lá fora.
Finalmente, ela andou em minha direção, como um jovem guerreiro preparando-se para batalha, e disse:  
“Não costumo fazer isso, e sei que esse não é mais um tópico do momento… mas acho aborto errado. Não é uma forma de controle da natalidade, e as pessoas que fazem deviam ser presas por homicídio."
A maior parte dos protestos na Convenção do Partido Republicano em Cleveland gritava contra ou a favor Donald Trump—tudo parte deste lindo circo da livre expressão.
Ela era diferente.
Não havia um circo aqui.
Ela estava curiosa.
Há poucas horas como um Free Listening na Convenção e a maior parte das pessoas falaram comigo sobre suas famílias, seus empregos e as coisas que os haviam levado à Convenção. Ninguém havia se aberto sobre uma questão séria e controversa.
Mas lá estava ela.
Estava quente lá fora.
Convenhamos, o ruído está alto lá fora.
Parece que todos tem algo a dizer e um lugar para fazê-lo. Nosso feed do Facebook está cheio de artigos, postagens e imagens de todo tipo de pessoa. Para alguns de nós, isto é difícil de gerenciar, então eliminamos de quem discordamos até que nosso feed pareça-se mais com uma caixa de ressonância de nossos próprios pensamentos.
Se não formos cuidadosos, passaremos a tratar as pessoas da mesma forma.
Eliminar quem discorda de nós até ficarmos cercados de pessoas iguais a nós.
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Mas, sei o que você está pensando:
“É meu, vou bloquear quem eu quiser. Eu não preciso ser ofendido. Não tenho tempo para isso. a vida é muito curta. Quero ver só o que eu quiser.”
Se não formos cuidadosos, passaremos a tratar as pessoas da mesma forma.
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Se há uma pergunta que me fazem mais do que qualquer outra é esta:
Como ouvir alguém quando você discorda dela?
Há várias formas de responder. Precisa de muito perdão, compaixão, paciência, e coragem para ouvir na cara o que discorda. Posso escrever páginas sobre cada um desses princípios, mas comecemos com aquilo que faz possível o perdão, a compaixão, a paciência e a coragem.
Devemos nos esforçar para ouvir a outra pessoa, não apenas sua opinião.
Meu amigo, Agape, diz algo como:
Ouça a Biografia, não a ideologia.
Quando alguém tem um ponto de vista difícil de aceitar, desagradável, ou mesmo ofensivo, devemos olhar para o conjunto de circunstâncias que a pessoa passou que resultaram naquele ponto de vista. Consiga sua história, sua biografia, e você conseguirá uma possibilidade real de compreensão que transcende a discórdia.
Tal como as raízes de uma árvore, nossas histórias, que podem criar nossos crenças, são totalmente únicas, e também conectadas. É através da história que podemos encontrar um espaço comum suficiente para coexistir frente a uma grande, e frequentemente necessária, tensão.
Quando você se encontra em desacordo com alguém, faça apenas uma pergunta:
“Você me conta a sua história? Adoraria saber como você chegou a este ponto de vista.”
Ao falar sobre suas crenças sobre o aborto, eu queria interrompê-la e contar a minha história. Acompanhei duas pessoas amadas enquanto sofriam pela difícil decisão e consequências de terminar uma gravidez. Foi uma experiência humana brutal, e me deu uma visão de algo que nunca esperei testemunhar. Em momentos como aqueles, "escolha" não parece ser a palavra correta.
Então, quando ela me disse que eles deveriam ser presos por interromper uma gravidez, o fogo familiar da discordância começou a queimar no meu peito.
Havia tantas coisas que eu queria dizer.
Queria mudar sua cabeça, argumentar, discordar. É a reação natural. Mas, se minha história me levou às minhas crenças, então preciso saber como sua história a levou às suas convicções.
"Quando você ouve, pode aprender algo novo” — Dalai Lama
“Obrigado por compartilhar isso comigo. Conte-me sua história! Gostaria muito de saber como você chegou a esta conclusão.”
Ela pareceu surpresa com meu interesse.
“Por que? Não importa. Seu cartaz diz "Sou todo ouvido, então lhe dei algo para ouvir.”
“Dê-me mais para ouvir.”
“Deviam ser presos! Está errado. Não é certo sair e dormir com alguém, e aí apenas um vácuo como resultado, como se nada tivesse acontecido.”
Fez uma pausa... e inalou o mundo inteiro.
“E não é justo. Tudo que eu sempre quis foi ser mãe. Toda minha vida soube que tinha sido feita para ser mãe. Então, quando tinha 18 anos —18!— o médico me disse que eu nunca teria filhos. Meus ovários eram defeituosos ou ausentes... não importa. Mantive segredo e quando meu marido descobriu, abandonou-me. Estou só, meu corpo não funciona, estou velha... ninguém jamais vai me amar…”
Fiquei a imaginar se ela teria ouvido meu coração partir-se.
“…portanto, imagino que me aborreço quando vejo gente que pode ficar grávida, que pode ter filhos, cujos corpos funcionam… que podem ser mães… e apenas escolhem não ser…”
Algumas vezes não há nada para se "discordar".
Eu não precisava estar certo. Eu precisava apenas estar ali.
Ela enxugou as lágrimas. deu-me um abraço e agradeceu por tê-la ouvido. Expirou e caminhou de volta para a o circo da Convenção Republicana.
Quem sabe, um dia, ela ouvirá minha história. Mas hoje era minha vez de ouvir a dela.
Espero que ela tenha se sentido amada.
Na verdade, se nosso amor puder dar espaço para o paradoxo, tensão e desacordo, há espaço para todos os tipos de crenças e opiniões.
A divisão é uma escolha.
A vida não é um feed do Facebook. Nosso amor, nossa escuta deve trazer para junto, não lançar para fora. Arrisque-se a ouvir, arrisque-se a ficar quieto, arrisque-se a compreender; no fim, são as pessoas, e não suas ideias, que devemos amar.
Como você ouve alguém quando discorda do que esta sendo dito?

(Tradução do texto em inglês publicado AQUI)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Um pouco de Eduardo Marinho

"As falcatruas por trás das ações do estado e de empresas interessadas podem ser sentidas no ar, nos procedimentos, uma sociedade cujos poderes públicos são na prática privatizados e a hipocrisia é o lugar comum no trato com a população... ...como todo poder dito “público”, ávidos por “autorizações” e taxas, no vício de arrancar dinheiro da gente, sem contrapartida com o cumprimento nem da própria constituição. Um poder público que não merece nem o próprio nome, sempre aplicado ao atendimento dos interesses de poucos, os financiadores de campanhas eleitorais, e em enganar a população. Não pagaremos pra expor, nem ganhamos o suficiente pra isso, pois nos aplicamos em pagar as próprias contas, com dificuldade mas com persistência pra não se render aos valores e comportamentos vigorantes nesta sociedade criminosa, que abandona e sabota grande parte das pessoas – a miséria, a exploração, a ignorância, a desinformação são crimes sociais tão cotidianos que estão absurdamente naturalizados, quando ninguém devia se conformar com isso. Assim como ninguém deveria se conformar com uma vida sem sentido que gira em torno do consumo e da posse material, valorizando o desenvolvimento tecnológico, mas não o desenvolvimento moral pra tratar com ele, o que dá origem à escandalosa concentração de renda e propriedade e à consequente carência, criminalidade e violência. A violência do Estado é a mãe de todas as violências. E a vida imposta é a origem maior das frustrações existenciais. Essa é a base do meu trabalho. Escrito, desenhado e falado." - 

Eduardo Marinho em seu blogue "Observar e Absorver"

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Cem mil, em dez anos, sem perceber

Curioso.
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Fala Edgar Morin:

"Atualmente, a África importa um terço de suas necessidades [alimentares]. A explicação encontra-se na política dos países que favorecem as exportações agrícolas em detrimento de sua soberania alimentar, que permitiria alimentar sua população de maneira autônoma, principalmente em cereais. Em consequência, o trigo de baixo preço, originário de países que subvencionam sua produção cerealista (França, EUA), e que substitui o mileto, o sorgo, a mandioca, extingue as produções indígenas. No meio agrícola, essa política se traduz pela eliminação dos recursos dos pequenos agricultores que praticam uma agricultura de subsistência, em benefício dos agroinvestidores, os quais, por sua vez, preferem trabalhar prioritariamente para o mercado internacional, com apoio dos governos que buscam divisas estrangeiras... a industrialização agrícola desenfreada provoca a degradação acelerada da terra, da água e o rápido empobrecimento da biodiversidade. Pior ainda: a concorrência desigual na exploração dos recursos agrava o processo de empobrecimento e de exclusão de milhões de famílias de pequenos agricultores rurais..."
(Morin, Edgar "A Via para o futuro da humanidade" ed. Bertrand Brasil, p 273, 274)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Por que o Congresso é essa M*???

Estamos todos - pelo "sim" e pelo "não" - horrorizados com o comportamento do Congresso na sessão que aceitou o processo de impeachment.
Muitos falam que esse Congresso é apenas o reflexo da sociedade que o elegeu.
Concordo e discordo.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
NENHUM.
Deixe-me repetir: N-E-N-H-U-M.
E sabe por que? Porque se ele não "entrar na jogada", não participar das "manobras", não fizer o que os carreiristas e vendidos quiserem, ele, por melhor que seja, nunca aprovará medida alguma, nunca fará parte de comissão importante, nem terá seu nome pronunciado em plenário. E, claro, nunca subirá no palanque. Será jogado às traças, será um zero à esquerda. Há alguns por aí.
Qual a solução para esse problema?
Não é uma, são muitas soluções. Todas passam por uma profunda reforma política.
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.

sábado, 16 de abril de 2016

E Sonhos Não Envelhecem...

Tenho hoje, aos 64 anos, os mesmos sonhos que tinha há 50 anos.

Não os sonhos devaneios, os sonhos adolescentes, infantis, diáfanos, insubstanciados.
Mas os sonhos mesmo, aqueles desejos ardentes, profundos, de moldar a vida, moldar o mundo, os sonhos divinos...

Sabem por que? Porque Sonhos Não Envelhecem...

 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Vivo por...

Alguém já disse que ninguém vive para si, nem morre para si...
Caso seja verdade, a questão se resume a: Viver (e morrer) por quem (ou por o quê).
Alguns vivem por uma pessoa, outros vivem por um ideal e estes podem ser mais ou menos merecedores dessa dedicação.
Se você sabe por o quê ou quem vive, e está seguro de que vale a pena viver e morrer por isso, esta música é para você ouvir e cantar.
Basta substituir "Lei" (ela, em italiano) pelo objeto da sua dedicação.
E que o fervor com que essa canção linda é maravilhosamente interpretada sirva também como oportunidade de analisar e avaliar se, realmente, vale a pena viver por...