terça-feira, 22 de janeiro de 2008

103- 1968 (O Tempo Passa...)

Aos dezesseis anos, fui espectador privilegiado e um pouco desavisado do rebelde ano de 1968, que muito se discute sobre ter ou não mudado o planeta.

Na época, morava em São Paulo, centro de grandes acontecimentos, cursava o primeiro ano colegial e estudava inglês na UCBEU, fundação que tinha o apoio discreto do governo americano.

Meu pai, pessoa interessada em política, apoiava a ditadura militar de então. Eu, leitor ávido de tudo que caía em minhas mãos e fã de cinema e música, não tinha certeza do que se passava no país e no mundo. Só fui clarear minhas posições sócio-política-artísticas na faculdade, já nos anos setenta.

Mas lembro-me da sensação de estar vivendo um momento ímpar na história, “a turning point”, como diria o inglês. Fiquei chocado com as mortes de Martin Luther King e Robert Kennedy; espantado com a rebelião dos jovens de Paris; curioso para saber mais sobre a tal liberação sexual; intimidado pelo ambiente politicamente polarizado e reprimido; atraído pelas novidades musicais e cinematográficas que surgiam; e amedrontado com a incerteza quanto ao futuro do país e do mundo, em plena guerra fria.

Pra ser bem sincero, sinto certa frustração, como se tivesse ficado no “olho do furação” e ele passasse sem que eu o percebesse.

Hoje penso que 1968 foi como um espasmo, que chacoalhou o planeta, mas não foi capaz de alterá-lo positivamente. E a frustração daquela geração deu margem ao individualismo mesquinho e sem ideais dos nossos dias. Debito boa parte das angústias dos jovens do séc XXI ao fracasso dos jovens do ano de 1968.

É triste, pelo que podia ter acontecido e não aconteceu; pelo que podia ter sido e acabou sendo...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Contradição

No mesmo caderno de jornal noticiam:
> A preocupação com a crise econômica americana - por colocar em xeque o crescimento mundial e nacional e;
> A constatação de que o aquecimento planetário - cuja causa principal é humana - já está provocando desastres naturais, com imensos prejuízos econômicos.

Como podem coexistir:
> O crescimento econômico - cuja base é principalmente a exploração dos recursos planetários - com altíssima produção de poluentes e;
> A tentativa - na minha opinião, fadada ao fracasso - de conter o processo de aquecimento que tantas tragédias nos causará?

Não seria mais sensato - e, por isso mesmo, inviável:
> Optarmos por um estilo de vida mais simples, melhorar a distribuição das riquezas existentes, e deixarmos de provocar a ira do planeta?
> Implicaria em abolir do vocabulário o termo "crescimento econômico" e trocá-lo por "desenvolvimento social"...

Mas isto está fora de questão. E quem sofrerá serão nossos filhos. E netos... se estes chegarem a existir.
Salvo engano... (e como eu gostaria de estar enganado!!!)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Completando frases...

O livro que traduzo tem uma frase boa e óbvia:
"O ser humano é muito variado"
Imediatamente, minha mente completou:
"E muito avariado".

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

102- PÁRA-QUEDAS (O Tempo Passa...)

Tenho duas primas em segundo grau que são adoráveis. Filhas de dois irmãos, primos meus, vejo-as pouco, mas é sempre muito divertido e gostoso conversar com elas.
Um dia, me disseram que pretendiam saltar de pára-quedas. Achei a idéia incrível e como a cidade de onde elas saltariam não fica muito longe da minha, disse que gostaria de presenciar o salto. Elas se entusiamaram e disseram que eu poderia saltar com elas, se quisesse, pois não é um solo; é um salto feito “a canguru” de um perito.
Agradeci o convite, fiquei de pensar, e esqueci o assunto. As férias chegaram e Elaine e eu aproveitamos uma oportunidade de visitar Florianópolis, cidade encantadora, com praias lindíssimas e uma deliciosa variedade de pratos de camarão, que ambos adoramos.
Estava na praia com a Elaine quando o meu celular toca. Atendo e uma voz feminina, excitada de alegria grita: “Tio, vamos saltar!!! Cadê voce?” Eram elas, já na cidade de onde saltariam e querendo saber se eu poderia ir com elas. Agradeci, contando ser impossível porque estava a muitos quilômetros de lá e pedi que me contassem tudinho depois, quando eu voltasse. Desliguei com um misto de frustração, alívio, e temor.
Dias depois, nos encontramos e elas nos mostraram uma filmagem do salto delas, que foi perfeito e uma experiência extraordinária. Ficou a dúvida: caso estivesse lá, teria coragem de saltar também??? Sei lá...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Errata

Ninguém percebeu - nem eu!!! - mas o post "Gêmeos" foi o centésimo post da série "O Tempo Passa..."
Este abaixo inicia a segunda centena... até onde irei? Sei lá...

101- CIDADE MARAVILHOSA (O Tempo Passa...)

O Rio de Janeiro é uma cidade que tem fama de maravilhosa, mas só aparece no noticiário ultimamente devido à violência que grassa solta.

Ela já foi realmente maravilhosa, e deve ainda ser. Tive a chance de visitá-la várias vezes, uma delas foi essa:

Elaine e eu tiramos férias do trabalho em julho, antes das crianças terem nascido, e decidimos passar uns dias no Rio de Janeiro, aproveitando o fato de minha prima morar com o marido em pleno bairro de Ipanema.

Ficamos sós, porque ela havia viajado para São Paulo, e o marido saía cedo para o trabalho e dormia cedo também.

Nossa rotina naquela semana foi interessante. Acordávamos bem cedinho – seis, seis e meia da manhã – vestíamos roupas de banho e caminhávamos os dois ou três quarteirões que nos separavam da praia de Ipanema. Curtíamos o mar e a praia maravilhosos até próximo da nove da manhã, quando voltávamos para o apartamento, tomávamos café da manhã e saíamos para passear pela cidade.

A razão para esta rotina é muito simples. Apesar de ser inverno no Rio de Janeiro, o calor era tão forte na praia, que não conseguíamos ficar lá depois das nove horas da manhã!

Assim, aproveitamos os dias visitando o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico, a Lagoa Rodrigo de Freitas e outros pontos turísticos da cidade.

Praia mesmo, só bem cedinho. Que calorão!!!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cilada

"...mas nunca imaginara que a curiosidade fosse outra das tantas ciladas do amor."

Gabriel Garcia Marquez em "Amor no Tempo do Cólera"

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Praia...

Pra quem não lembra, pôr-do-sol e praia foram dois itens na minha lista de maravilhas do mundo.
E a foto do post anterior é a reunião dos dois. Lou, foi em Barequeçaba, pertinho de S. Sebastião, litoral norte do estado de S. Paulo.
Georgia, juro que na hora que postei, pensei em vc, na Vilma e outros europeus passando frio...
Mas não foi só o sol que deu as caras. A lua também se mostrou linda e brilhante...

Ah, Lou, insisto em afirmar: este não é um "blog cristão", é um blog de "um cristão".

Retomando...

Pois é...
Depois de curtas e imerecidas férias, cá estamos, prontos para um novo e incógnito ano - o de 2008. O que nos reservará!!!
Nestas férias, pouco aconteceu. A foto abaixo explica melhor o que fiz nestes últimos dias...