quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"You're in my spot" - Para Mudar o Mundo - 4

O excelente "sitcom" "The Big Bang Theory", que o canal pago Warner apresenta no Brasil tem feito muito sucesso pelas situações hilárias que apresentam seus 5 estranhos personagens. Deles, o mais divertido é sem dúvida Sheldon, cuja inabilidade social é espantosa.
O que talvez os fãs de TBBT não tenham percebido é que Sheldon mostra uma característica da nossa sociedade que terá que ser mudada caso queiramos - e realmente queremos??? - mudar o mundo.
"Você está no meu lugar", é a frase chave para entendermos a mudança de atitude que precisamos para mudar o mundo. Esta frase mostra:
- Sheldon admite que cada um tem um lugar, uma posição, um papel específico neste mundo;
- Que essa exclusividade é natural e positiva.
Se queremos - e queremos??? - um mundo melhor será preciso pensar que todos podem e devem ter acesso a todas as posições e que nenhuma é especialmente reservada para alguém. Isto é, em um mundo melhor, não podem haver castas, classes, especialistas com direitos exclusivos, posições nas quais apenas os "escolhidos" tenham direito.
Isto pode implicar em uma diminuição no ritmo de progresso científico-tecnológico-econômico atual. O que é, convenhamos, até bom, acha visto as barbaridades que acontecem com a aplicação precipitada de novas descobertas devido ao ritmo insano provocado pela competição desvairada do capitalismo neoliberal.
Portanto, precisamos eliminar de nossa consciência a frase "You're in my spot", por mais que pensemos ter todo direito a esse "spot".
Bazinga!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mutirão e Camaradagem - Para Mudar o Mundo - 3

"Imagine que não há empregos... 
(mas também não há desemprego).
É fácil, se você tentar.
Sem patrões, sem funcionários.
Mandando em nós apenas a consciência."
(Paráfrase da canção "Imagine", de John Lennon
O nome dessa ideia? Mu-ti-rão!
Coisa antiga, há muito usado por tanta gente, pelo mundo inteiro, com grande sucesso. Todos participam em tudo, fazendo o que sabem, contribuindo com o que podem, para o benefício e alguém e de todos.
Uma hora você será o chefe, outra hora será apenas um reles subalterno; uma hora dará as ideias, outra só seguirá instruções... mas sempre será uma parte importante de um projeto de TODOS.

Para que isso seja possível, é necessário que uma ligação interpessoal forte se estabeleça entre os membros dessa comunidade. Muitas vezes na História essa ligação aconteceu através de vínculos religiosos (como nas comunidades Amish, nos EUA ou Canudos, no Brasil), políticos (comunidades socialistas e/ou anarquistas do início do séc XX), raciais (como os "kibutz" israelenses ou os "quilombos" brasileiros), ou por necessidade (como a comunidade contemporânea mineira "Noiva do Cordeiro").
Proponho que o vínculo necessário seja a "Camaradagem". Se você não captou bem o conceito, remeto-o para o texto "A cidade invisível sobre o monte", de Paulo Brabo, que explica melhor do que eu jamais terei capacidade - ou disposição - o que seja o termo "camaradagem".

Munidos do binômio Mutirão-Camaradagem, a nossa sociedade pós-moderna, pós-industrial, pós-financeira e pós-tecnológica (em decorrência dos movimentos insurgentes tipo "Occupy Wall Street", "15-O", etc), poderá, então, desenvolver-se como, simplesmente, sociedade humana.

Salvo engano

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A Bacia das Almas - o livro

Foram 5 meses de leitura lenta e cuidadosa.
Alguns textos foram lidos mais de uma vez. Muitos outros ainda serão relidos no futuro.
A sensação é a de ter um tesouro de papel nas mãos. Frágil, simples e precioso. Trezentas e poucas páginas onde se escondem pérolas de alto valor.
Quem ler, entenda.
Se você não leu ainda, junte coragem e faça-o. Ele pode até não mudar você (afinal, "Os livros não mudam ninguém"). Mas duvido que os textos dele não lhe causem impacto.

Você pode adquirir seu exemplar AQUI. Garanto que não vai se arrepender...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mudar o Mundo - 2

Em postagem anterior, coloquei a música "Change the World", com o super astro do rock Eric Clapton. Pouco dias depois tive a oportunidade de ve-lo e ouvi-lo e algo mais, além da música, me agradou muito. Meu filho me diz que é uma atitude comum a muitos músicos de renome. Mas não deixa de ser interessante e muito ilustrativo da mudança que queremos no mundo.
Li algures que nossa oposição é contra quatro poderes: o poder econômico (dos bancos, do capitalismo, etc), o poder militar (da indústria de armamentos, dos exércitos, dos terroristas, etc), o poder político (dos governantes, do políticos, dos partidos, etc), e o poder midiático (das empresas de comunicação, dos jornalistas vendidos, dos falsos analistas, etc).
Toda essa oposição pergunta aos rebeldes: "Destruir o sistema, e substitui-lo por o quê?!" Boa pergunta. Eu não sei a resposta, mas acho que o que aconteceu no palco com Clapton ilustra o caminho para uma resposta.
Apesar dele ser a estrela maior do show, e das pessoas estarem lá exclusivamente para vê-lo e ouvi-lo, Clapton, em todas as músicas, deu lugar para seus parceiros de show aparecer, fazer seus solos (lindíssimos, por sinal), ficar sob os holofotes (a tal ponto que, quando outro músico solava, Clapton procurava "sumir" num canto escuro do palco de forma a não atrapalhar a atenção dos espectadores para o solista).
Sua postura "cavalheiresca" abria espaço para a "camaradagem" (voltarei a esta palavra em outra postagem), para a valorização do "outro" (que resultou, inclusive, em um show melhor), para o delicioso e generoso "frescobol" musical no qual a Graça transbordou do palco para a plateia. Era possível sentir o desejo da multidão de congraçamento, de alegria e emoção, de participação naquilo que acontecia no palco.
Creio que Deus olhava do alto para o Morumbi e dizia baixinho, ao coração de cada um: "Tá vendo, é assim que Eu gostaria que vocês vivessem, como se fossem todos uma grande banda de blues!!!"

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para mudar o mundo

É necessário apenas um decreto com 3 artigos simples.
(favor ler este texto ouvindo Eric Clapton)
A lei proposta baseia-se em ideias divulgadas por duas mentes brilhantes: Paulo Brabo e Rubem Alves.
Paulo, em seu artigo já divulgado aqui, deixou claro que a religião dominante atual é o capitalismo, cujo deus é a performance.
Já Rubem fez uma singela comparação entre o tênis e o frescobol - dois esportes populares no Brasil - e criou uma metáfora clara e direta com as mazelas do casamento moderno. Seus conceitos, entretanto, tem alcance muito maior.
Aproveitando-me, então da clarevidência desses dois sábios proponho meu
Decreto Para Mudar o Mundo:
Art 1o. - Fica eliminada a prática da religião conhecida como capitalismo; é proibido o culto à performance.Art 2o. - É proibida a prática do "tênis" nas atividades sócio-econômico-políticas; fica estabelecida a prática do "frescobol" em todas atividades humanas.
Art 3o. - Revogam-se as disposições em contrário.
Salvo engano.

domingo, 9 de outubro de 2011

A religião de Steve Jobs

"O capitalismo é religião; seu deus, ao contrário do que se pensa, não é o dinheiro, mas a performance."
Paulo Brabo, em seu essencial "O culto da performance".

O "Estadão" de hoje publica em seu caderno especial Aliás, depoimento de três acadêmicos sobre o movimento "Ocupar Wall Street", que tem se disseminado pelas grandes cidades americanas.
Explicações são desnecessárias. Basta olhar com atenção para as fotos estampadas na reportagem para entender o movimento. Em dois cartazes de papelão, escritos à mão, jovens sorridentes explicam que "Você vê hippies. Nós vemos patriotas." e "Você vê desorganização. Nós vemos democracia."
Brabo percebeu que o problema do capitalismo não é o fato de "não dar certo", ou "criar problemas, no lugar de resolve-los". Não!!! O problema do capitalismo é que é uma religião, cujo deus é a performance.
E isto faz toda a diferença. Torna o recém morto e incensado CEO da Apple apenas seu sumo-sacerdote, a quem todos veneramos. No mesmo caderno, do mesmo jornal, um articulista do New York Times chama Jobs de "O Último Grande Tirano" que em sua "busca  pela excelência, triturou subordinados e sócios cujo desempenho não o satisfez e arrasou concorrentes sem perdão".
Mas, como toda religião, em certo ponto começa a esmagar os próprios adeptos, a tal ponto que ocorre um motim contra deus, seu sacerdote e suas doutrinas. Assim como ocorreu com a "Igreja Evangélica da Noiva do Cordeiro", onde a comunidade simplesmente abandonou a igreja em um ato de legítima defesa. Creio que é isto que começa a ocorrer com o capitalismo. Mas, ao contrário do que previram os teóricos marxistas, não é o proletariado que vai derrubar o capitalismo. É o fato de ter se tornado uma religião, cujo deus é um opressor insensível. E os jovens podem ser os agentes dessa mudança. Libertadora.
Salvo engano.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Vida em Comunidade... Ahn?!?!?

Minha aspiração é simples: vida em comunidade. Sim, onde todos tenham tudo que precisam e ninguém sinta falta de nada. Onde cada um dá de si e recebe de todos.
Já li a respeito. Já soube de algumas experiências... fracassadas.
Eu mesmo, há quase 20 anos, imaginei-me morando em um lugar onde meus vizinhos fossem meus amigos e... a natureza! Mudei-me para um amplo terreno (24 mil metros quadrados), com mais 5 famílias, alguns cães e gatos... e muitas árvores, pássaros e ar puro! Mas... nada de comunidade!!!! Cada uma das 5 famílias moradoras continuou a viver sua vida como se morássemos numa cidade comum. Na verdade, moramos numa cidade comum, apenas, temos mais verde à nossa volta...
Qual não foi minha surpresa, e emoção, quando li, ouvi e vi sobre a Noiva do Cordeiro, uma pequena comunidade no interior de Minas Gerais e que resiste e insiste em viver da forma que o Mestre de Nazaré sugeriu que vivêssemos: sem crime, sem pressa, sem competição, sem religião, sem uma estrutura de poder. Uma perfeita anarquia, uma anarquia perfeita!!!
Uma sublime indicação do meu amigo Tuco Egg, e assisti, pasmo, ao programa do canal GNT sobre essa pequena e quase perfeita comunidade. Aperfeiçoada pelo sofrimento causado por décadas de discriminação, falsas religiões, pobreza, privações de toda ordem, essa comunidade espantou a tristeza e abraçou a solidariedade como caminho para a felicidade.
Eu ainda vou visita-la, ah, vou sim!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Corruptos e corruptores

"...Por mais irônico que possa parecer, ou trágico, os que protestam contra a corrupção e tentam transformar a corrupção em único mal do Brasil são os que corrompem.  E a meia dúzia de inocentes a acreditar nesse tipo de marginal......Deputados, senadores e juízes corruptos, governadores, são apenas figuras execráveis e compradas que carregam em seus balaios.Trabalhador não corrompe ninguém. Professor, que é trabalhador, não corrompe ninguém.Quem corrompe são banqueiros, grandes empresários e latifundiários.É simples entender isso. A corrupção é parte inseparável do modelo político e econômico que temos.Jogar por terra toda essa estrutura podre e construir um Brasil livre e soberano, sem essa gente, aí sim, essa é a luta real dos brasileiros.Não há corrupto sem corruptor...."


Trecho de artigo de Laerte Braga, publicado pelo sempre instigante Eduardo Marinho em seu blogue "Observar e Absorver". Passe lá e leia-o na íntegra. Vale a pena.