quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O preço do futuro

"Foi precisamente essa perda de contato com o passado, nosso desenraizamento, que deu origem aos "descontentamentos" da civilização, a uma pressa e uma agitação tão grandes que vivemos mais no futuro com suas quiméricas promessas do que no presente, cujo passo acelerado nosso pano de fundo evolucionário não aprendeu ainda acompanhar. Precipitamo-nos impetuosamente novidade adentro, guiados por um senso cada vez mais acentuado de insuficiência, de insatisfação e de inquietação. Não vivemos mais daquilo que temos, vivemos de promessas; deixamos de viver à luz do presente e passamos a viver nas trevas de um futuro que, esperamos, trará o aguardado amanhecer. Recusamo-nos a reconhecer que toda coisa melhor é comprada ao preço de uma coisa pior." 
Carl Jung em Memories, Dreams and Reflections (1957)
(Retirado do excelente texto "As persistentes persuasões do desenvolvimento", de Paulo Brabo em sua Forja Universal. Vale a pena a visita!)

domingo, 23 de dezembro de 2012

A flor e o ser

Essa flor abriu-se solitária à meia-noite de ontem. Pela manhã, já estava murcha. Dura umas poucas horas, no meio da noite, pouca gente vê. Por que ela existe? Qual o propósito de uma flor tão linda, que ninguém vê, e que dura só uma madrugada? O que justifica a sua existência? E a nossa? Perto da imensidão das galáxias no espaço sideral, o que somos, o quanto duramos, o que justifica a nossa efêmera e insignificante presença no universo? Ah! A vida humana é bela e frágil como essa flor... (foto tirada pela minha sobrinha, Izabela Desgualdo)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Na Lua ou em Marte... sem traje espacial???


Não!
Não se trata de uma linda e formosa astronauta!
É apenas minha doce Elaine, fotografada a admirar o Valle de la Luna, no Deserto de Atacama no Chile.
É um dos desertos mais secos do mundo! Dá pra perceber, né?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo não é um Dia

Sim!
Descobri que o fim do mundo existe, mas não é uma data, um dia, uma hora.
O fim do mundo é um lugar...
Deserto de Atacama - Chile. É ou não é o fim do mundo???

sábado, 1 de dezembro de 2012

Observar e absorver

"O mundo é apresentado aos jovens como um grande “mercado” dividido entre o trabalho e o consumo, e a razão da existência é constituir patrimônio e consumir. Todos são competidores e é cada um por si nesta vida. Não se pode confiar em ninguém. O valor pessoal é apresentado pelo nível de propriedade e capacidade de consumo, não pelo caráter, pelos sentimentos, pela participação na coletividade, pela generosidade, pela integração humana. Expressões como “chegar lá”, “ser alguém”, “vencer na vida” tomam ares de objetivo de vida, como verdades incontestáveis, enquanto são fonte de angústias e sentimentos de derrota na maioria das pessoas que, segundo essa linha “filosófica”, devem se conformar com sua inferioridade. São incontáveis as mentiras a que somos submetidos, como aos dogmas religiosos. E nós vamos aí, comendo essa farinha podre. E pior, muitos se convencem e repetem essas mentiras."

(Eduardo Marinho, do blogue "Observar e absorver", um cara pra se conhecer e admirar. Ele reflete bem o meu pensamento político anarquista atual)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O ontem explica o hoje

Terminei a leitura de "1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil" (Ed Planeta, SP).
Como faço já há alguns anos, leio devagar, um pouco por dia. Deixo que as frases, a escolha das palavras, as imagens, a musicalidade das sentenças ressoe em minha mente. E aprecio muito cada livro lido.
Este tem, além de algumas ilustrações belíssimas, uma farto material de pesquisa e grande quantidade de notas e comentários.
Muita coisa boa pode se dizer sobre o livro de Laurentino Gomes. O mínimo é que ele deixa o leitor com vontade de ler "1822", o segundo tomo de sua trilogia. Com certeza o lerei.
Em meio à campanha eleitoral, ao julgamento do mensalão e à guerra travada entre as polícias de SP e SC e o crime organizado, fiquei com uma certeza: o ontem explica o hoje.
Não gostamos do que somos. Gostaríamos de ser mais civilizados, organizados, menos corruptos, mais trabalhadores, mais cultos e até mais asseados. Não é possível, porém, imaginar outro país que não fosse esse pobre Brasil que temos hoje depois de ler "1808". Aquilo tudo - e fartamente documentado - deu nisso.
Outra coisa emerge nas entrelinhas do texto, comprovado com inúmeros casos da época e atuais: por pior que seja este país, torna-se quase impossível ao estrangeiro não amá-lo, depois que conhece seu povo, sua cultura e suas belezas naturais.
E olha que, com um pouquinho de boa vontade, o Brasil poderia ser muito, mas muito melhor...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Brennand e um poema


"Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

(do excelente e exuberante artista Brennand, em mostra no SESC-Sorocaba)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"Wonderful World" - Observações de um Turista Distraído

No banheiro público masculino, no meio da praça, a limpeza é impecável. Piso e paredes de granito polido, secador de mão a ar quente, sabonete líquido, iluminação clara o tornam uma raridade digna de admiração. E é gratuito.
Um policial militar enxuga as mãos e enquanto lavo as minhas, comento com ele:
- É um alívio estar aqui do que em meio à violência de Santa Catarina e São Paulo, não?
Ele concorda e me diz:
- Minha sede é a 300 km daqui. Eu vim no dia 4 de novembro para reforçar o policiamento neste período de festas natalinas, e fico até dia 4 de janeiro. Considero como se fossem férias. O maior trabalho que tenho é, de vez em quando, dar uma informação a algum turista...
E saio pensando porque o país todo não é assim, limpo e pacífico. Afinal, eu não estava na Europa, nem nos Estados Unidos.
O lugar chama-se Gramado e fica no Rio Grande do Sul.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Uma nova definição?

"Com recursos tecnológicos e mediação dos professores, a Escola Tal é uma rede social dinâmica e criativa."
(Trecho de publicidade no radio de uma escola privada de Sorocaba-SP)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Homem é finito... sua Estupidez, não.

Claudio Oliver, um amigo que não conheço, mas que admiro, escreveu-me para contar as agruras por que passa o projeto Casa da Videira - de produção alternativa de alimentos, dentro de modernos conceitos ecológicos, científicos e econômicos, mas fora dos limites estreitos da legislação.
Tomo a liberdade de reproduzir sua mensagem aqui, pois reflete, em muito, o que penso sobre a situação de nossa sociedade:
"Oi Pessoal
Hoje, logo depois do almoço, recebemos nova visita de uma pessoa nos ameaçando por sermos a causa de todos os problemas do mundo... o cheiro de esgoto que atinge o bairro, as moscas (que sempre estiveram aqui e se nossos animais as atraem, mesmo que com as armadilhas que usamos e tudo o mais, podemos pelo menos pensar no papel do um milhão de cahorros ao nosso redor, do rio de esgoto que todo dia às 18 horas fede quando todos os moradores chegam em casa e as suas descargas ultrapassam o limite de vazão da SANEPAR e vazam para o rio que vai desaguar no Barigüi), o barulho, nossa existencia... e agora vem a ameaça judicial de nos remover.
Sinceramente? A gente sabe que mais cedo ou mais tarde a gente vai ter de fechar, que a cidade (seus moradores na maioria) já fez sua escolha pela urbanização absoluta, essa luta, estas questões e estas brigas não são exclusivas nossas e de toda forma somos as partes mais frágeis desse sistema. Também sei, como acontece em todas as partes do mundo, que mais cedo ou mais tarde, a racionalidade do que fazemos, a esquizofrenia da vida dicotomizada da própria vida, vai ser confrontada com as consequências da loucura:
de que viver em condominio gera violência ao invés de evita-la;
de que trabalhar para comprar dá a impressão de autonomia enquanto nos escraviza a um mercado monocultural e venenoso;
que a independência de nossos carros nos torna dependentes em tudo da máquina de andar;
que dar o melhor para os filhos usualmente coincide com deixar de dar o importante... e por ai vai.
Bem.... a gente sabe que vai perder quando a hora chegar, mas gostaria que vocês estivessem sabendo e acompanhando isso; se alguém quiser lutar com a gente, se o que a gente faz for importante.... sei lá.... a gente aceita qualquer ajuda. Mas ajuda mesmo, caminho junto mesmo e ações concretas que possam ajudar a gente a teminar de mostrar que outro mundo é possível.Tudo isso é muito engraçado depois de receber aqui o pessoal da Universidade de Cornell, da Universidade de Aalborg, da UTFPR, das turmas de veterinária, biologia, zootecnia, de receber o deão da Universidade de Cuba, de estar discutindo ações para lidar com o drama do clima e do aquecimento global com o Comitê de Lausanne, de conviver com o pessoal de A ROCHA UK, a ROCHA Brasil, de servir de referência para amigos do "transition towns" e de ser inspirado por eles, de encorajar pessoas no TEDx Tubarão, de ser matéria até na VOCÊ S.A (que não necessariamente representa nosso modo de ser e viver...).... Bem... é engraçado e desgraçado como o mundo reage.Se alguém quiser estar junto da gente para ver o que fazer, para onde e como pular... nos avise.Por enquanto, esperamos a bomba chegar."