terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cenas Inesquecíveis do Cinema e da TV - 2

O filme já acabou.
Foi muito divertido e nosso herói (ou anti-herói), um adolescente malandro, está no quarto depois de enganar os pais de que está doente. Na verdade, ele cabulou aula e fez mil estripulias com seus amigos. Foi o dia de folga de Ferris Bueller (e esse é o nome original do filme).
Na tela, os letreiros já acabaram. Da tela preta aparece o corredor que dá para o quarto de Ferris, palco da última cena do filme.
De repente, o rapaz aparece no corredor. Parece surpreso, avança uns passos e diz, olhando para a plateia:
"Ainda estão aí? Já acabou! Vão pra casa! Podem ir embora!"
Pega todo mundo - todo mundo não,  porque algumas pessoas, ao virem os letreiros já saíram do cinema; vão se arrepender depois - de surpresa. Surpresa essa que se torna uma gostosa e última risada, e que fica na memória o resto da vida.

(Quer ver a cena de Curtindo a Vida Adoidado? Clique aqui)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"As Aventuras de Pi"... ou "Escolha a História"

O único sobrevivente de um terrível naufrágio conta a sua história... não, o rapaz - adolescente ainda - conta duas versões da sua história:

Uma é bem trágica e traumática. Salvo em um pequeno barco com mais 3 pessoas, ele se vê só, depois de um haver morrido;  outro - enlouquecido - matar a sua mãe, sendo, em seguida morto por ele. Assim, só, o rapaz é encontrado numa praia muitos dias depois.

Outra versão tem como personagens 4 animais - uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre que estavam no navio naufragado - e ele. Depois de muita luta e sofrimento restam apenas ele e o tigre que vivem momentos incríveis e sobrevivem até chegar à costa do México, onde o tigre desaparece e o rapaz é encontrado desacordado por habitantes da região.

A primeira história é fria, quase cruel, lógica e, ao mesmo tempo, insana.
A segunda é sofrida, mágica, cheia de maravilhas e assombros. E difícil de crer.

Ao relatar suas histórias a um escritor que foi entrevistá-lo muitos anos depois, o sobrevivente pergunta: "Você tem o relato das duas histórias. Ambas sem comprovação alguma, apenas a minha palavra que foi assim que aconteceu. Qual das duas você escolhe?

O escritor é livre para escolher qual quiser, nada o prende, o obriga a escolher essa ou aquela, mesmo uma sendo "racional" e a outra "assombrosa".

Para o náufrago, crer em Deus é assim: uma escolha livre entre um mundo material frio, aterrador e um mundo onde a cada segundo, a cada passo nos assombramos com maravilhas incompreensíveis.

O escritor escolhe a segunda história.
Eu também.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O amor... vilão?

O jornal a Folha de São Paulo de terça-feira, 08/01/2013, publicou em seu caderno "Equilíbrio" um artigo de Juliana Cunha sobre o livro do filósofo inglês Simon May, "Amor - Uma História" no qual expõe a visão de pensadores como Spinoza, Ovídio e Rousseau sobre o assunto e conclui que "somos todos fanáticos. Exigimos que nosso sentimento seja eterno e incondicional e camuflamos sua natureza condicional e efêmera. É a mais nova tentativa humana de roubar um poder divino", disse em entrevista à Folha. É uma religião apregoada pela produção cultural, como nos filmes "em que um personagem não quer saber de namorar e só pensa na carreira. No final, descobre que sem uma paixão sua vida não será completa". A consequência é a frustração coletiva. "Nada humano é verdadeiramente incondicional, eterno e completamente bom. Essa é uma forma de amor que só Deus pode ter. Esse entendimento gera expectativas altas, que relacionamentos cotidianos não são capazes de suprir."
Já o autor de "Amor - Sentimento Desordenado", o alemão Richard David Precht afirma que "o papel de nos aceitar por inteiro, com todos os nossos defeitos e limitações, cabia a Deus. Hoje, buscamos alguém que possa cumprir essa função e ainda dormir conosco. É realmente, pedir demais."
A psicanalista e também autora ("O Livro do Amor") Regina Navarro Lins concorda que o amor romântico vigente é irreal: "Você conhece uma pessoa, atribui a ela características que ela não possui e passa a vida infernizando a criatura, querendo que ela seja  como você imaginou".
Simon May considera que ao enxergar o amor romântico como solução para todos os problemas, transforma esse tipo de amor em religião, pois "as pessoas subestimam o poder das questões sociais como componentes da felicidade. Viver em paz, com emprego e dignidade, provavelmente traz mais alegria duradoura do que o amor romântico".

E você? É membro da religião do amor romântico?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Da inutilidadede das provas

"Para quem crê, nenhuma prova é necessária;
para quem não crê, nenhuma prova é suficiente."

Stuart Chase

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para dar aos filhos

"As coisas mais importantes para dar aos filhos são: raízes e asas."
Li, não sei onde, e anotei num pedacinho de papel que ficou rolando pela minha mesa. Hoje dei com ele e pensei: não é que é mesmo!
Aos meus, já crescidos, eu pergunto: será que Elaine e eu lhes demos um pouco que seja de cada uma?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O preço do futuro

"Foi precisamente essa perda de contato com o passado, nosso desenraizamento, que deu origem aos "descontentamentos" da civilização, a uma pressa e uma agitação tão grandes que vivemos mais no futuro com suas quiméricas promessas do que no presente, cujo passo acelerado nosso pano de fundo evolucionário não aprendeu ainda acompanhar. Precipitamo-nos impetuosamente novidade adentro, guiados por um senso cada vez mais acentuado de insuficiência, de insatisfação e de inquietação. Não vivemos mais daquilo que temos, vivemos de promessas; deixamos de viver à luz do presente e passamos a viver nas trevas de um futuro que, esperamos, trará o aguardado amanhecer. Recusamo-nos a reconhecer que toda coisa melhor é comprada ao preço de uma coisa pior." 
Carl Jung em Memories, Dreams and Reflections (1957)
(Retirado do excelente texto "As persistentes persuasões do desenvolvimento", de Paulo Brabo em sua Forja Universal. Vale a pena a visita!)

domingo, 23 de dezembro de 2012

A flor e o ser

Essa flor abriu-se solitária à meia-noite de ontem. Pela manhã, já estava murcha. Dura umas poucas horas, no meio da noite, pouca gente vê. Por que ela existe? Qual o propósito de uma flor tão linda, que ninguém vê, e que dura só uma madrugada? O que justifica a sua existência? E a nossa? Perto da imensidão das galáxias no espaço sideral, o que somos, o quanto duramos, o que justifica a nossa efêmera e insignificante presença no universo? Ah! A vida humana é bela e frágil como essa flor... (foto tirada pela minha sobrinha, Izabela Desgualdo)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Na Lua ou em Marte... sem traje espacial???


Não!
Não se trata de uma linda e formosa astronauta!
É apenas minha doce Elaine, fotografada a admirar o Valle de la Luna, no Deserto de Atacama no Chile.
É um dos desertos mais secos do mundo! Dá pra perceber, né?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo não é um Dia

Sim!
Descobri que o fim do mundo existe, mas não é uma data, um dia, uma hora.
O fim do mundo é um lugar...
Deserto de Atacama - Chile. É ou não é o fim do mundo???

sábado, 1 de dezembro de 2012

Observar e absorver

"O mundo é apresentado aos jovens como um grande “mercado” dividido entre o trabalho e o consumo, e a razão da existência é constituir patrimônio e consumir. Todos são competidores e é cada um por si nesta vida. Não se pode confiar em ninguém. O valor pessoal é apresentado pelo nível de propriedade e capacidade de consumo, não pelo caráter, pelos sentimentos, pela participação na coletividade, pela generosidade, pela integração humana. Expressões como “chegar lá”, “ser alguém”, “vencer na vida” tomam ares de objetivo de vida, como verdades incontestáveis, enquanto são fonte de angústias e sentimentos de derrota na maioria das pessoas que, segundo essa linha “filosófica”, devem se conformar com sua inferioridade. São incontáveis as mentiras a que somos submetidos, como aos dogmas religiosos. E nós vamos aí, comendo essa farinha podre. E pior, muitos se convencem e repetem essas mentiras."

(Eduardo Marinho, do blogue "Observar e absorver", um cara pra se conhecer e admirar. Ele reflete bem o meu pensamento político anarquista atual)