Ponto de vista recolhido em Lisboa:
Um ser à procura de sua humanidade. Seja bem vindo, e fique à vontade para comentar!!!
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Gestão e indigestão
Muitos no Brasil creem que não nos faltam recursos e, por acaso faltassem, há recursos disponíveis mundo afora.
O problema é que nossos governos precisam de um "choque de gestão", dizem. Há muito desperdício, muita corrupção, muita ineficiência.
Li, há muitos anos, um famoso economista brasileiro dizer-se favorável à municipalização com o argumento de que "quando um prefeito erra, é um errinho; quando um presidente faz bobagem é uma enorme bobagem".
A descentralização do poder governamental, por essa ótica, é não só desejável, mas benéfica.
Mas aí, acontecem as contradições: jornal da minha cidade da destaque para o recuo do prefeito em criar oito secretários adjuntos (leia AQUI). À primeira vista, parece ser uma decisão sensata, pois estanca o gasto público com pessoal - ainda mais oito cargos de alto nível como esses. Só que a análise que não vi foi a de que esses cargos permitiriam às grandes secretarias (como a Saúde e a Educação) descentralizarem a administração, levando o poder de decisão para mais próximo dos problemas a serem enfrentados.
A cidade tem mais de 600 mil habitantes. É difícil exigir eficiência de uma máquina administrativa tão grande ou desejar uma estrutura mais "enxuta" com tão grandes desafios.
A descentralização do poder de decisão pode, num primeiro momento, aparentar um aumento da máquina pública (que não desejamos), mas permite atingir maior eficiência no uso dos recursos públicos (que almejamos).
O que assistimos hoje no serviço público municipal de saúde é "correr atrás do prejuízo", "apagar incêndios", "o gestor como vítima da demanda". Se nada mudar, vamos continuar assim. Isso não é gestão, é indigestão...
O problema é que nossos governos precisam de um "choque de gestão", dizem. Há muito desperdício, muita corrupção, muita ineficiência.
Li, há muitos anos, um famoso economista brasileiro dizer-se favorável à municipalização com o argumento de que "quando um prefeito erra, é um errinho; quando um presidente faz bobagem é uma enorme bobagem".
A descentralização do poder governamental, por essa ótica, é não só desejável, mas benéfica.
Mas aí, acontecem as contradições: jornal da minha cidade da destaque para o recuo do prefeito em criar oito secretários adjuntos (leia AQUI). À primeira vista, parece ser uma decisão sensata, pois estanca o gasto público com pessoal - ainda mais oito cargos de alto nível como esses. Só que a análise que não vi foi a de que esses cargos permitiriam às grandes secretarias (como a Saúde e a Educação) descentralizarem a administração, levando o poder de decisão para mais próximo dos problemas a serem enfrentados.
A cidade tem mais de 600 mil habitantes. É difícil exigir eficiência de uma máquina administrativa tão grande ou desejar uma estrutura mais "enxuta" com tão grandes desafios.
A descentralização do poder de decisão pode, num primeiro momento, aparentar um aumento da máquina pública (que não desejamos), mas permite atingir maior eficiência no uso dos recursos públicos (que almejamos).
O que assistimos hoje no serviço público municipal de saúde é "correr atrás do prejuízo", "apagar incêndios", "o gestor como vítima da demanda". Se nada mudar, vamos continuar assim. Isso não é gestão, é indigestão...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Ser como Deus
"Os homens devem ambicionar nada mais nada menos do que ser como Deus - e ser como Deus é imitá-lo em sua característica mais essencial, sua característica mais inacessível e mais acessível e mais formidável: sua inflexível resolução em amar.
Num único gesto tornava ele a vida muito mais difícil - não basta aos homens ser menos do que Deus - e mais bela - ser como Deus é amar.
A perspectiva era assombrosa: o caminho de ser como Deus estava aberto a todos os homens, e o requerimento era uma postura ao mesmo tempo singela e exigentíssima: o amor. O evangelho de Jesus é este: o amor é a característica distintiva que Deus escolheu para se definir e se revelar, e é portanto a característica distintiva que Deus sonha escolham para si os seres humanos. A boa notícia não é só que Deus é amor, mas que podemos nós mesmos fazer parte da boa notícia."
(Paulo Brabo, em "As Divinas Gerações", página41/42)
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Amor e Liberdade
"No no love without freedom
No freedom without love..."
Não há amor sem liberdade
Não há liberdade sem amor
Dido: ouça em http://youtu.be/0nO45A7tTMs
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A Segurança e o Isolamento
As pessoas procuram, necessitam sentir-se seguras. E para isso buscam diversos meios.
Essa sensação de segurança é falsa, pois segurança não existe.
A todo e qualquer momento, em todo e qualquer lugar estamos sujeitos a tragédias desde de as mais irrelevantes - pisar num chiclete na calçada - às mais drásticas - morrer.
Mas, sabe-se lá porque, elas raramente acontecem. E não porque tenhamos tomado as devidas providências. Se você andar olhando para o chão o tempo todo para não pisar num chiclete, pode dar de cabeça num poste; se vc toma todas as precauções para não morrer de doença ou crime, pode ser vítima de um acidente.
Um dos maiores males resultantes da nossa preocupação excessiva com a segurança pessoal é o isolamento. Construímos muros e grades em torno das residências; andamos em veículos de vidros fumê, janelas fechadas; não falamos com estranhos; não passamos por locais desconhecidos, não frequentamos outros; trancamo-nos em casa, no escritório; escondemos nossos celulares, jóias, relógios. Tudo para aumentar a segurança... em vão.
Só aumentamos o nosso isolamento uns dos outros, apenas criamos uma falsa sensação de segurança, mas a situação de incomunicabilidade social é real.
As manifestações recentes tem também esse elemento "novo": a quebra do isolamento, o abrir mão da segurança para se viver em comunhão - por algumas horas - com o outro, que não conhecemos, mas que está ao nosso lado e se faz de nosso cúmplice no manifesto.
Se derrubássemos os muros que nos separam, deixássemos de lado a obsessão pela segurança, olhássemos as pessoas de frente, desarmados e vivêssemos em "comunidade" (oposto de isolamento), sabe o que aconteceria com a criminalidade? Despencaria, porque todos estariam comungando um espaço de todos e a violência contra um seria sentida e rechaçada por todos.
Mas, não. Preferimos nosso espaço (casa, trabalho, carro, igreja) bem fechado, protegido.
Como se isso não fosse apenas uma ilusão...
Essa sensação de segurança é falsa, pois segurança não existe.
A todo e qualquer momento, em todo e qualquer lugar estamos sujeitos a tragédias desde de as mais irrelevantes - pisar num chiclete na calçada - às mais drásticas - morrer.
Mas, sabe-se lá porque, elas raramente acontecem. E não porque tenhamos tomado as devidas providências. Se você andar olhando para o chão o tempo todo para não pisar num chiclete, pode dar de cabeça num poste; se vc toma todas as precauções para não morrer de doença ou crime, pode ser vítima de um acidente.
Um dos maiores males resultantes da nossa preocupação excessiva com a segurança pessoal é o isolamento. Construímos muros e grades em torno das residências; andamos em veículos de vidros fumê, janelas fechadas; não falamos com estranhos; não passamos por locais desconhecidos, não frequentamos outros; trancamo-nos em casa, no escritório; escondemos nossos celulares, jóias, relógios. Tudo para aumentar a segurança... em vão.
Só aumentamos o nosso isolamento uns dos outros, apenas criamos uma falsa sensação de segurança, mas a situação de incomunicabilidade social é real.
As manifestações recentes tem também esse elemento "novo": a quebra do isolamento, o abrir mão da segurança para se viver em comunhão - por algumas horas - com o outro, que não conhecemos, mas que está ao nosso lado e se faz de nosso cúmplice no manifesto.
Se derrubássemos os muros que nos separam, deixássemos de lado a obsessão pela segurança, olhássemos as pessoas de frente, desarmados e vivêssemos em "comunidade" (oposto de isolamento), sabe o que aconteceria com a criminalidade? Despencaria, porque todos estariam comungando um espaço de todos e a violência contra um seria sentida e rechaçada por todos.
Mas, não. Preferimos nosso espaço (casa, trabalho, carro, igreja) bem fechado, protegido.
Como se isso não fosse apenas uma ilusão...
terça-feira, 16 de julho de 2013
O Fundamentalista e o Herege
"Para o fundamentalista todo que crê no diverso ou descrê do comum é herege."(Marcelo Ferreira, lá da Zona da Reforma)
E a frase não se aplica apenas ao fundamentalista religioso, não! Tem muito fundamentalista político, científico, social, filosófico e cultural por aí...
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Alegrias e Preocupações
Alegram-me as manifestações por provar que muitas pessoas estão preocupadas e dispostas a demonstrar suas insatisfações com os problemas do país e a exigir providências para melhorar a vida da população;
Preocupam-me as manifestações porque em meio a tantas demandas, protestos e exigências - das mais simples às mais absurdas - vejo raro, e localizados nos mesmos grupos tidos por "radicais", o protesto contra "o sistema" - esse conjunto de normas, procedimentos, valores, leis e tradições econômicas, políticas, sociais, culturais e até religiosas - imposto pelos detentores do poder com o único e específico objetivo de mantê-lo e, se possível, aumentar o controle e influência sobre as pessoas e que tem sido, em suma, fonte inesgotável de injustiças, sofrimento e dominação de muitos por uns poucos (e os mesmo) há muito e muito tempo (demais).
Aos que por ventura perguntarem: "O que colocar em lugar desse sistema capitalista perverso?", respondo: "Não sei, mas isso que está aí eu definitivamente não quero!".
Preocupam-me as manifestações porque em meio a tantas demandas, protestos e exigências - das mais simples às mais absurdas - vejo raro, e localizados nos mesmos grupos tidos por "radicais", o protesto contra "o sistema" - esse conjunto de normas, procedimentos, valores, leis e tradições econômicas, políticas, sociais, culturais e até religiosas - imposto pelos detentores do poder com o único e específico objetivo de mantê-lo e, se possível, aumentar o controle e influência sobre as pessoas e que tem sido, em suma, fonte inesgotável de injustiças, sofrimento e dominação de muitos por uns poucos (e os mesmo) há muito e muito tempo (demais).
Aos que por ventura perguntarem: "O que colocar em lugar desse sistema capitalista perverso?", respondo: "Não sei, mas isso que está aí eu definitivamente não quero!".
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Mais política, partidos e poder
Escrevi no Facebook:
"Alguém pode se perguntar o que é que eu tenho contra os partidos políticos. Contra os partidos, nada. O problema é que TODO partido aspira ao poder. E pra chegar "lá" e lá manter-se, TODOS vendem a alma pro diabo. Enfim, o problema é o danado do "pudê" e da grande verdade que o poder corrompe... sempre."
Um amigo comentou que sim, "mas um mal necessário em uma democracia representativa...não é perfeita, mas não inventaram nada melhor...na verdade todo HOMEM aspira algum tipo de poder...não são os partidos, somos nós..."
O que me fez responder que "é necessário imprimir na organização social uma regra pétrea de alta rotatividade de poder, de diluição do poder, de aproximação do poder com a população - que é de onde emana o poder político, certo? Os partidos, por serem permanentes, aspiram o poder para perpetuarem-se nele. É instinto de preservação mesmo. O que acontece com toda organização humana - até, e inclusive, as igrejas. Se faz necessário solapar esse poder, castrar essas ânsia, esvaziar esse objetivo, enfraquecer o instinto. E isso só se faz com constantes e profundas mudanças no poder."
O que, em resumo, é minha grande diferença com as instituições, em geral. Todas caem na busca pela auto-preservação e manutenção do poder que adquirem ao ter sucesso junto à comunidade. Pois o poder tem o grande benefício de dar - aparente - solidez e segurança. E aí o objetivo, a missão da organização foi pro beleléu e a instituição começa a trabalhar para viver (e manter o poder é parte disso) e não para servir.
A pergunta, então é: Será desejável um sistema político sem partidos? Desejável, talvez; possível, duvido.
Proponho que seja restrito ao mínimo o poder dos partidos:
- seja através dos métodos eleitorais, seja através da distribuição de representatividade, forma de funcionamento das assembleias de eleitos (pra quê Senado?), da remuneração deles, etc
- e descentralizado ao máximo o alcance do poder - via municipalização, por exemplo
- e promovida a constante rotatividade dos representantes do povo - com o fim da re-eleição, adoção do voto distrital, etc.
Tá bom assim, pra começar. Só pra começar...
"Alguém pode se perguntar o que é que eu tenho contra os partidos políticos. Contra os partidos, nada. O problema é que TODO partido aspira ao poder. E pra chegar "lá" e lá manter-se, TODOS vendem a alma pro diabo. Enfim, o problema é o danado do "pudê" e da grande verdade que o poder corrompe... sempre."
Um amigo comentou que sim, "mas um mal necessário em uma democracia representativa...não é perfeita, mas não inventaram nada melhor...na verdade todo HOMEM aspira algum tipo de poder...não são os partidos, somos nós..."
O que me fez responder que "é necessário imprimir na organização social uma regra pétrea de alta rotatividade de poder, de diluição do poder, de aproximação do poder com a população - que é de onde emana o poder político, certo? Os partidos, por serem permanentes, aspiram o poder para perpetuarem-se nele. É instinto de preservação mesmo. O que acontece com toda organização humana - até, e inclusive, as igrejas. Se faz necessário solapar esse poder, castrar essas ânsia, esvaziar esse objetivo, enfraquecer o instinto. E isso só se faz com constantes e profundas mudanças no poder."
O que, em resumo, é minha grande diferença com as instituições, em geral. Todas caem na busca pela auto-preservação e manutenção do poder que adquirem ao ter sucesso junto à comunidade. Pois o poder tem o grande benefício de dar - aparente - solidez e segurança. E aí o objetivo, a missão da organização foi pro beleléu e a instituição começa a trabalhar para viver (e manter o poder é parte disso) e não para servir.
A pergunta, então é: Será desejável um sistema político sem partidos? Desejável, talvez; possível, duvido.
Proponho que seja restrito ao mínimo o poder dos partidos:
- seja através dos métodos eleitorais, seja através da distribuição de representatividade, forma de funcionamento das assembleias de eleitos (pra quê Senado?), da remuneração deles, etc
- e descentralizado ao máximo o alcance do poder - via municipalização, por exemplo
- e promovida a constante rotatividade dos representantes do povo - com o fim da re-eleição, adoção do voto distrital, etc.
Tá bom assim, pra começar. Só pra começar...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Ingenuidade
"Que ingenuidade a minha, pedir ao poder que reforme o poder!"
Esta advertência ecoa na minha cabeça desde que as manifestações começaram, e se tornou um grito interminável agora que se discute tão acaloradamente "plebiscito" versus "referendo" e se defende "nenhum dos dois". Espero, sinceramente, estar errado.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Qual é a questão?
(Trecho de texto publicado AQUI.)"Fui e vi que a questão agora é maior do que o preço do ônibus. Vi que a polícia bateu em muita gente sem motivo. De graça. Vi mesmo. Era tudo covardia. Bombas em quem estava sentado pedindo por “não-violência”."
A questão é que o sistema não atende as aspirações - justificadas ou não - da população e os detentores do poder são ineptos para atentar ao fato de que Copa do Mundo, carros novos e programas mirabolantes - bolsa-família, PAC, etc - NÃO satisfazem os anseios do povo.
Este, quer sentir que seus representantes realmente os defendem dos interesses egoístas e perniciosos dos grandes conglomerados empresariais; quer ações que promovam o bem estar da população.
Não é isso que está acontecendo. E as manifestações vão continuar, e a violência vai aumentar. Infelizmente.
Assinar:
Postagens (Atom)