Curaçao e Aruba são duas pequenas ilhas no sul do Caribe que se tornaram países independentes da Holanda há menos de meio século e continuam fazendo parte da "comunidade holandesa".
Com 160 mil e 130 mil habitantes respectivamente, são menores do que muitos bairros de Sampa.
O que me lembra a piada sobre o homem que vai a Mônaco e no café da manhã do hotel, o garçom pergunta o que ele pretende fazer enquanto estiver no país.
"Ah! Eu pretendo conhecer o país inteiro!" - responde o viajante.
"Muito bem, senhor!" - diz o garçom, educadamente. E acrescenta: "E após o almoço?"
A impressão que tive foi de que um pequeno país pode ter muitas desvantagens, mas, aparentemente, tem pequenos problemas, também.
E isso, comparado aos problemas colossais que enfrentamos no Brasil, me pareceu uma grande vantagem!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Você é normal? Não fique triste, isso tem cura!
A interessantíssima revista Superinteressante do mês de julho de 2013 trouxe um texto sobre uma das mais recentes doenças do mundo pós-moderno: a NORMOSE.
Que nada mais é do que a "obsessão por ser normal".
Tá todo mundo comprando iPhone? Preciso um!
Tá todo mundo assistindo "Game of Thrones"? Vou assistir!
As cerimônias de casamento viraram eventos pirotécnicos? O meu vai ser mais!
A galera tá bebendo demais no fim-de-semana? Eu também vou!
Cara, sai dessa! Seja único, seja você!
Que nada mais é do que a "obsessão por ser normal".
Tá todo mundo comprando iPhone? Preciso um!
Tá todo mundo assistindo "Game of Thrones"? Vou assistir!
As cerimônias de casamento viraram eventos pirotécnicos? O meu vai ser mais!
A galera tá bebendo demais no fim-de-semana? Eu também vou!
Cara, sai dessa! Seja único, seja você!
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Tá errado! ... Tá? ... E se não estiver?
"Os ateus vão arder no inferno imaginário dos cristãos.
Os cristãos vão arder no inferno imaginário dos muçulmanos.
Os muçulmanos vão demorar para atingir o nirvana dos budistas, após um longo ciclo de encarnações.
Os budistas estão excluídos do reino prometido aos judeus...
Essa insanidade insustentável, que parece coisa de anciãos enlouquecidos de um passado remoto, é transmitida de pai para filho como se fosse verdade – em milhares de templos, com apoio da reedição constante de volumosos livros sagrados, a cujas páginas podemos nos dirigir, apontando um dedo convicto, confirmando: 'Vejam: está escrito aqui!'"
Estou aqui tentando há um tempão achar um forte argumento para destruir o texto acima... Ainda não achei... Sei que deve estar errado... é preciso que esteja errado!!!
Mas... e se não estiver errado???
Os cristãos vão arder no inferno imaginário dos muçulmanos.
Os muçulmanos vão demorar para atingir o nirvana dos budistas, após um longo ciclo de encarnações.
Os budistas estão excluídos do reino prometido aos judeus...
Essa insanidade insustentável, que parece coisa de anciãos enlouquecidos de um passado remoto, é transmitida de pai para filho como se fosse verdade – em milhares de templos, com apoio da reedição constante de volumosos livros sagrados, a cujas páginas podemos nos dirigir, apontando um dedo convicto, confirmando: 'Vejam: está escrito aqui!'"
Estou aqui tentando há um tempão achar um forte argumento para destruir o texto acima... Ainda não achei... Sei que deve estar errado... é preciso que esteja errado!!!
Mas... e se não estiver errado???
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Muito pouco - Arnaldo Antunes
MUITO MUITO POUCO
(Arnaldo Antunes)
tem muito carro e muito pouco chão
tem muita gente e muito pouco pão
tem muito papo e muito pouca ação
muito parente e muito pouco irmão
e então?
o que vamos fazer então
com mais um milhão?
e depois?
o que vamos fazer depois
com um grão de arroz?
tem muito pouca dúvida e muita razão
tem muito pouca idéia e muita opinião
muita pornografia e muito pouco tesão
muita cerimônia e muito pouca educação
e então?
o que vamos fazer então
com mais um milhão?
e depois?
e daí?
(Arnaldo Antunes)
tem muito carro e muito pouco chão
tem muita gente e muito pouco pão
tem muito papo e muito pouca ação
muito parente e muito pouco irmão
e então?
o que vamos fazer então
com mais um milhão?
e depois?
o que vamos fazer depois
com um grão de arroz?
tem muito pouca dúvida e muita razão
tem muito pouca idéia e muita opinião
muita pornografia e muito pouco tesão
muita cerimônia e muito pouca educação
e então?
o que vamos fazer então
com mais um milhão?
e depois?
e daí?
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Herege
Algumas coisas que aceitamos com naturalidade hoje já foram heresias que colocavam em risco a vida de quem as mencionava:
Tá certo, algumas ainda não são bem aceitas por todos, mas os que discordam são poucos.
Essas heresias provaram retratar melhor a realidade e ser mais benéficas à sociedade do que as "verdades" que elas substituíram. Mas levaram tempo para serem aceitas.
Tenho lutado com várias heresias que vem martelando minha cabeças nos últimos 20 anos. E tenho me tornado, pouco a pouco, um herege. A velhice não me fez mais sábio, mas, com certeza, mais herege. Sorte minha que não serei - espero - queimado em praça pública por isso.
Pergunto-me se minhas heresias serão aceitas um dia como mais próximas da verdade do que as ideias que elas confrontam. Talvez - como aconteceu com muitos hereges - eu nem esteja vivo para ver esse resultado. Mas tenho esperança que elas possam ajudar o mundo a ser um pouco melhor e mais justo.
Salvo engano.
"O planeta Terra não é o centro do Universo"
"A raça branca não é superior às outras"
"Mulheres e homens devem ser iguais em direitos e deveres"
"Ninguém deve ter direitos absolutos sobre uma sociedade"
"As pessoas devem ter liberdade de expressão"
Essas heresias provaram retratar melhor a realidade e ser mais benéficas à sociedade do que as "verdades" que elas substituíram. Mas levaram tempo para serem aceitas.
Tenho lutado com várias heresias que vem martelando minha cabeças nos últimos 20 anos. E tenho me tornado, pouco a pouco, um herege. A velhice não me fez mais sábio, mas, com certeza, mais herege. Sorte minha que não serei - espero - queimado em praça pública por isso.
Pergunto-me se minhas heresias serão aceitas um dia como mais próximas da verdade do que as ideias que elas confrontam. Talvez - como aconteceu com muitos hereges - eu nem esteja vivo para ver esse resultado. Mas tenho esperança que elas possam ajudar o mundo a ser um pouco melhor e mais justo.
Salvo engano.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Gestão e indigestão
Muitos no Brasil creem que não nos faltam recursos e, por acaso faltassem, há recursos disponíveis mundo afora.
O problema é que nossos governos precisam de um "choque de gestão", dizem. Há muito desperdício, muita corrupção, muita ineficiência.
Li, há muitos anos, um famoso economista brasileiro dizer-se favorável à municipalização com o argumento de que "quando um prefeito erra, é um errinho; quando um presidente faz bobagem é uma enorme bobagem".
A descentralização do poder governamental, por essa ótica, é não só desejável, mas benéfica.
Mas aí, acontecem as contradições: jornal da minha cidade da destaque para o recuo do prefeito em criar oito secretários adjuntos (leia AQUI). À primeira vista, parece ser uma decisão sensata, pois estanca o gasto público com pessoal - ainda mais oito cargos de alto nível como esses. Só que a análise que não vi foi a de que esses cargos permitiriam às grandes secretarias (como a Saúde e a Educação) descentralizarem a administração, levando o poder de decisão para mais próximo dos problemas a serem enfrentados.
A cidade tem mais de 600 mil habitantes. É difícil exigir eficiência de uma máquina administrativa tão grande ou desejar uma estrutura mais "enxuta" com tão grandes desafios.
A descentralização do poder de decisão pode, num primeiro momento, aparentar um aumento da máquina pública (que não desejamos), mas permite atingir maior eficiência no uso dos recursos públicos (que almejamos).
O que assistimos hoje no serviço público municipal de saúde é "correr atrás do prejuízo", "apagar incêndios", "o gestor como vítima da demanda". Se nada mudar, vamos continuar assim. Isso não é gestão, é indigestão...
O problema é que nossos governos precisam de um "choque de gestão", dizem. Há muito desperdício, muita corrupção, muita ineficiência.
Li, há muitos anos, um famoso economista brasileiro dizer-se favorável à municipalização com o argumento de que "quando um prefeito erra, é um errinho; quando um presidente faz bobagem é uma enorme bobagem".
A descentralização do poder governamental, por essa ótica, é não só desejável, mas benéfica.
Mas aí, acontecem as contradições: jornal da minha cidade da destaque para o recuo do prefeito em criar oito secretários adjuntos (leia AQUI). À primeira vista, parece ser uma decisão sensata, pois estanca o gasto público com pessoal - ainda mais oito cargos de alto nível como esses. Só que a análise que não vi foi a de que esses cargos permitiriam às grandes secretarias (como a Saúde e a Educação) descentralizarem a administração, levando o poder de decisão para mais próximo dos problemas a serem enfrentados.
A cidade tem mais de 600 mil habitantes. É difícil exigir eficiência de uma máquina administrativa tão grande ou desejar uma estrutura mais "enxuta" com tão grandes desafios.
A descentralização do poder de decisão pode, num primeiro momento, aparentar um aumento da máquina pública (que não desejamos), mas permite atingir maior eficiência no uso dos recursos públicos (que almejamos).
O que assistimos hoje no serviço público municipal de saúde é "correr atrás do prejuízo", "apagar incêndios", "o gestor como vítima da demanda". Se nada mudar, vamos continuar assim. Isso não é gestão, é indigestão...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Ser como Deus
"Os homens devem ambicionar nada mais nada menos do que ser como Deus - e ser como Deus é imitá-lo em sua característica mais essencial, sua característica mais inacessível e mais acessível e mais formidável: sua inflexível resolução em amar.
Num único gesto tornava ele a vida muito mais difícil - não basta aos homens ser menos do que Deus - e mais bela - ser como Deus é amar.
A perspectiva era assombrosa: o caminho de ser como Deus estava aberto a todos os homens, e o requerimento era uma postura ao mesmo tempo singela e exigentíssima: o amor. O evangelho de Jesus é este: o amor é a característica distintiva que Deus escolheu para se definir e se revelar, e é portanto a característica distintiva que Deus sonha escolham para si os seres humanos. A boa notícia não é só que Deus é amor, mas que podemos nós mesmos fazer parte da boa notícia."
(Paulo Brabo, em "As Divinas Gerações", página41/42)
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Amor e Liberdade
"No no love without freedom
No freedom without love..."
Não há amor sem liberdade
Não há liberdade sem amor
Dido: ouça em http://youtu.be/0nO45A7tTMs
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A Segurança e o Isolamento
As pessoas procuram, necessitam sentir-se seguras. E para isso buscam diversos meios.
Essa sensação de segurança é falsa, pois segurança não existe.
A todo e qualquer momento, em todo e qualquer lugar estamos sujeitos a tragédias desde de as mais irrelevantes - pisar num chiclete na calçada - às mais drásticas - morrer.
Mas, sabe-se lá porque, elas raramente acontecem. E não porque tenhamos tomado as devidas providências. Se você andar olhando para o chão o tempo todo para não pisar num chiclete, pode dar de cabeça num poste; se vc toma todas as precauções para não morrer de doença ou crime, pode ser vítima de um acidente.
Um dos maiores males resultantes da nossa preocupação excessiva com a segurança pessoal é o isolamento. Construímos muros e grades em torno das residências; andamos em veículos de vidros fumê, janelas fechadas; não falamos com estranhos; não passamos por locais desconhecidos, não frequentamos outros; trancamo-nos em casa, no escritório; escondemos nossos celulares, jóias, relógios. Tudo para aumentar a segurança... em vão.
Só aumentamos o nosso isolamento uns dos outros, apenas criamos uma falsa sensação de segurança, mas a situação de incomunicabilidade social é real.
As manifestações recentes tem também esse elemento "novo": a quebra do isolamento, o abrir mão da segurança para se viver em comunhão - por algumas horas - com o outro, que não conhecemos, mas que está ao nosso lado e se faz de nosso cúmplice no manifesto.
Se derrubássemos os muros que nos separam, deixássemos de lado a obsessão pela segurança, olhássemos as pessoas de frente, desarmados e vivêssemos em "comunidade" (oposto de isolamento), sabe o que aconteceria com a criminalidade? Despencaria, porque todos estariam comungando um espaço de todos e a violência contra um seria sentida e rechaçada por todos.
Mas, não. Preferimos nosso espaço (casa, trabalho, carro, igreja) bem fechado, protegido.
Como se isso não fosse apenas uma ilusão...
Essa sensação de segurança é falsa, pois segurança não existe.
A todo e qualquer momento, em todo e qualquer lugar estamos sujeitos a tragédias desde de as mais irrelevantes - pisar num chiclete na calçada - às mais drásticas - morrer.
Mas, sabe-se lá porque, elas raramente acontecem. E não porque tenhamos tomado as devidas providências. Se você andar olhando para o chão o tempo todo para não pisar num chiclete, pode dar de cabeça num poste; se vc toma todas as precauções para não morrer de doença ou crime, pode ser vítima de um acidente.
Um dos maiores males resultantes da nossa preocupação excessiva com a segurança pessoal é o isolamento. Construímos muros e grades em torno das residências; andamos em veículos de vidros fumê, janelas fechadas; não falamos com estranhos; não passamos por locais desconhecidos, não frequentamos outros; trancamo-nos em casa, no escritório; escondemos nossos celulares, jóias, relógios. Tudo para aumentar a segurança... em vão.
Só aumentamos o nosso isolamento uns dos outros, apenas criamos uma falsa sensação de segurança, mas a situação de incomunicabilidade social é real.
As manifestações recentes tem também esse elemento "novo": a quebra do isolamento, o abrir mão da segurança para se viver em comunhão - por algumas horas - com o outro, que não conhecemos, mas que está ao nosso lado e se faz de nosso cúmplice no manifesto.
Se derrubássemos os muros que nos separam, deixássemos de lado a obsessão pela segurança, olhássemos as pessoas de frente, desarmados e vivêssemos em "comunidade" (oposto de isolamento), sabe o que aconteceria com a criminalidade? Despencaria, porque todos estariam comungando um espaço de todos e a violência contra um seria sentida e rechaçada por todos.
Mas, não. Preferimos nosso espaço (casa, trabalho, carro, igreja) bem fechado, protegido.
Como se isso não fosse apenas uma ilusão...
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