sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Para bom entendedor, meia parábola basta


"Para um bom entendedor meia parábola basta: 
Estava eu em uma expedição com uns amigos perdido em um ponto remoto da floresta amazônica.
- Caramba, que lugar bonito! Valeu a pena ter ficado 3 semanas tentando chegar aqui, hein? Santo GPS! (forcei mas tudo bem)
- É mesmo, hein? E essa mata parece intocada, não? O que você acha, Hermenegildo, alguém já chegou aqui antes da gente?
- Duvido, Jubislânio! Veja essa natureza virgem! Somos os primeiros aqui, com certeza!
- Duvido, Hermenegildo! Tenho certeza que alguém já veio aqui antes de nós. Não é possível que isso nunca tenha ocorrido!
- Sinceramente, não acredito nisso. Sem a tecnologia que utilizamos ninguém chegaria... e você, Obadias, o que acha disso?
- ãhn...? Eu estava meio perdido, absorto diante de tanta exuberância.
- Então, será que alguém já veio aqui antes da gente?
- Ah... sei lá... não tenho a mínima ideia...
O Hermenegildo interrompe:
- Como assim, não sabe??? É claro que ninguém nunca veio aqui antes! Dá uma olhada à sua volta, cacete! Essa mata é totalmente virgem!
- Ah, sei lá, não tenho elementos suficientes para chegar a nenhuma conclusão. Simplesmente não sei...
- Se liga cara, é claro que já veio gente aqui! Me admira você simplesmente não ter opinião a respeito disso! Na realidade, eu acho que você não acredita que já veio gente aqui mas não tem coragem de admitir!!!
- Caramba, que cara mais indeciso!, Vocifera Hermenegildo. E eu, não sei se distraído ou enfadado, já estou de novo perdido diante daquele universo tão rico e indecifrável para mim..."

(texto perfeito do Obadias de Deus, no Facebook, em referência a um debate sobre ateus, crentes e agnósticos)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lendo Edgard Morin

Quinta-feira, 2 de fevereiro [1995]. Não sei mais quem foi que escreveu: "Todas as guerras são projeções da guerra que se desenvolve em nós" E acrescento: "A luta pela vida ou pela morte da humanidade decorre em cada um de nós."
...
Sim, é o eterno combate contra os vírus, as guerras, as idiotices e jamais vai haver vitória definitiva.
...
Anoto: "A própria definição de democracia está prestes a mudar. Se, na primeira faze, a democracia era medida por sua capacidade de integrar as diferenças culturais, na segunda fase ela se mede por sua capacidade de gerar o multiculturalismo. A democracia significava a uniformização das experiências, das vivências, das línguas, das memórias, por um apelo constante ao princípio da igualdade. Hoje, ela se define cada vez mais por sua capacidade de tolerar as diferenças étnicas, religiosas, sexuais e de reconhecer, portanto, o direito à diferença."
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...digo que o tolerante compreende o fanático, e compreende que o fanático não o compreenda; enquanto o fanático não compreende que o tolerante o compreenda.
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A mulher envolta em véu, a mulher embelezada e maquiada, a mulher desnuda: três maneiras adoráveis de sacralizar o corpo.
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...as duas faces de mim mesmo. Uma, o ceticismo irônico e crítico; a outra, a fé militante.
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"De hoje em diante é mais fecundo confessar sua dificuldade do que afirmar seu saber".
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Muitos acreditam que tudo está lançado; eu, como sempre, vejo o improvável e o inesperado.
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Resposta a um jovem leitor de "Meus Demônios". Ele me pergunta qual a melhor solução para as contradições da relação amorosa. Não há solução. A única coisa importante é continuar a encontrar poesia no ser amado.

(Edgar Morin em "Chorar, Amar, Rir, Compreender", ed SescSp)

Assim começou meu ano de 2014...

sábado, 30 de novembro de 2013

O melhor e o pior

Dizem, e com razão, que "o ótimo é inimigo do bom".
Não devemos, no entanto, cair na armadilha de concluir que "o ruim é inimigo do pior".
Isto pode nos levar a aceitar algo mau, apenas por medo de que a alternativa seja algo ainda mais perverso.
Devemos lutar pelo bem, e se a alternativa é escolher entre o ruim e o pior, não façamos escolha alguma!!! Lutemos por uma outra opção, uma que seja - talvez não ótima - mas uma boa opção, nem que tenhamos que criá-la!
Chega de aceitar porcaria!!!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Não confio na minha fé

Desconfio que o Deus em quem creio não se parece nem um pouco com Deus, como Ele realmente é. 
Mudo minha ideia de divindade apenas para desconfiar que estou equivocado novamente. 
Perguntam-me quem é Deus. Respondo que só sei que não é quem creio que seja...
Minha fé não merece fé. Dependo da Graça.

(reflexão em torno de afirmação semelhante de uma amigo no FB)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Millôr e o povo

"O povo quer sempre 
muito pouco,
mas sempre 
um pouco 
mais."

Não dá pra ser mais genial que isto.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma obra de arte que quase se confunde com o próprio artista.

"...tinha milhões de problemas filosóficos com a ideia de elaborar discursos sobre deus, que não queria enquadrá-lo (lo?) na minha caixinha, que não queria que ele (ele?) fosse mais um entre tantos objetos no universo, que esse tipo de teologia não me satisfazia mais, que eu não queria, de modo algum, crer num deus que pudesse ser capturado pelos meus esquemas de pensamento e por práticas religiosas naturalizadas, doutrinas caducas; que minha relação com ele, ela, elo, (x?), estava mais no terreno do indizível, do inominável, do que foge das categorias todas, da dúvida imperiosa, do esfumaçamento atrás do qual se esconde uma obra de arte que quase se confunde com o próprio artista." 

(Percio Faria Rios, no Facebook, refletindo meus pensamentos)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Na guerra e na paz


"- É assim, Mariamar - lembrava Adjiru -. Na guerra, os pobres são mortos. Na paz, os pobres morrem."

(O avô Adjiru, em "A confissão da leoa" de Mia Couto, ed. Cia das Letras)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

As Instituições e a inercia

Pessoas me dizem, ao saber da minha oposição às instituições em geral, que não há outra forma de viver em sociedade senão através de instituições.
Até concordo com eles, mas me pergunto: Por que temos que mantê-las, que deixá-las se petrificar, pois no afã de se perpetuar, esquecem até sua missão, sua razão de existir? Existem para continuar existindo. Permanecem por inercia.
Penso que não é preciso ser assim. Que morram as instituições! Que novas instituições surjam, com novas propostas, outras metodologias, sangue novo e estruturas diferentes! Instituições que atentem para as necessidades atuais do ser humano. E assim que se estabelecerem e se firmarem na sociedade... que morram também!
Porque mais do instituições, a sociedade humana é feita de humanos. E se nós - humanos - somos finitos e morremos, por que as instituições não devam morrer também e dar lugar ao novo?
Que morram os partidos, os sistemas econômicos, que morram as religiões, que morram as ONGs, as empresas, as igrejas, as escolas, as prefeituras, os estados, as cidades!!!
Que viva o ser humano, renovado e renascido para um mundo que nunca houve antes!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Arrependimento Inútil

"...Falo de gente que desejaria que Deus ou o universo fossem muito diferentes do que evidentemente são. Gente que gostaria de ser poupada do peso de absolutamente qualquer liberdade e de toda responsabilidade. Que gostaria que Deus lhe desse um sinal muito claro a cada passo a ser tomado, e uma simultânea garantia de sucesso. Que chora formidavelmente quando o bem que faz não é imediatamente premiado ou reconhecido. Gente que nem sempre está disposta a viver com as consequências do mal, mas está frequentemente disposta a arrepender-se do bem que fez, se entende que sua “ingenuidade” em pagar o preço da virtude acabou produzindo o próprio sofrimento. 
Gente que, numa palavra, está pronta a arrepender-se de qualquer coisa – até mesmo de amar – se sua presente condição implica em alguma medida de sofrimento...." - Paulo Brabo

(Que bom que "A Bacia das Almas" continua viva, mesmo depois de finda. Dessa forma, somos brindados com reflexões excelentes como esta, que você deve ler integralmente em "Sobre se Arrepender")

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um Paul novinho!

"Don't look at me
It's way too soon to see
What's gonna be, don't look at me
All my life
I never knew what I could be
What I could do
Then we were new
oo-oo-oo-oo

You came along
And made my life a song
One lucky day you came along
Just in time
While I was searching for a rhyme
You came along
Then we were new
oo-oo-oo-oo

We can do what we want
We can live as we choose
You see there's no guarantee
We've got nothing to lose

Don't look at me
I can't deny the truth
It's plain to see, don't look at me
All my life
I never knew what I could be
What I could do
Then we were new
oo-oo-oo-oo

We can do what we want
We can live as we choose
You see there's no guarantee
We've got nothing to lose

Don't look at me
It's way too soon to see
What's gonna be, don't look at me
All my life
I never knew what I could be
What I could do
Then we were new
oo-oo-oo-oo

Then we were new
oo-oo-oo-oo
Now we are new
oo-oo-oo-oo"