"Helio, também não sou petista, mas respeito quem fez alguma coisa pelo país e desprezo tipos raivosos que não toleram, e acham insuportáveis, quem não comungue seus ideais, crenças, preferências partidárias, religiosas etc.. Dessa violência lamentável, agora verbal, é que partem as barbáries e atrocidades físicas dos que querem impor pela força seus ideais, como se os que não participam do seu grupo de escolha fossem idiotas, limitados, ignorantes, mal informados, entre outros qualificativos... A história está repleta de exemplos e hoje mesmo vemos radicais xiitas eliminarem infiéis pelo q julgam ser "a verdade", ou mesmo fanáticos torcedores promoverem verdadeiras guerras entre torcidas, não esquecendo os crimes hediondos das ditaduras de direita e esquerda, onde cada lado se julgava um missionário do "Bem". Não tenho duvida alguma q mesmo "letrados" com esse perfil de intolerância estão no mesmo nível ou abaixo dos radicais mais estúpidos e irracionais, basta ver os apoiadores diretos e indiretos das ditaduras. Realmente nosso país é subdesenvolvido, não só pela má distribuição de renda, que denota injustiça social, mas principalmente pela grosseria, incivilidade e falta do minimo respeito por aqueles q pensam diferente... Como no passado, ainda reproduzimos a primitiva visão maniqueísta entre o bem e o mau, e adivinha quem representa o mal atualmente por aqui? Obviamente é o PT... portanto Helio, cuidado!! Você está correndo sérios riscos: menosprezado já está sendo, mas isso é só o começo, pois em nome do "bem" alguns dão a vida e muitos matam, rsrs... E eu, solitariamente, contínuo inocente acreditando que o mal está nas pessoas, onde quer q elas estejam inseridas, partido, religião, time... ou seja, que nosso problema é fundamentalmente moral e enquanto houver comportamentos egoístas, intolerantes e violentos, moral ou físicos, jamais conseguiremos viver em paz e construir uma sociedade civilizada, justa e organizada."Acho que vou tomá-lo para mim...
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Conselho de Amigo
Um amigo de um amigo deu-lhe este conselho no Facebook:
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Da Necessidade de um Pensamento Complexo (resumo) - Edgar Morin
Da necessidade de um pensamento complexo – Edgar Morin
(resumo)
trad. Juremir M. da Silva
"Não
posso conhecer o todo se não conhecer particularmente as partes, e
não posso conhecer as partes se não conhecer o todo"
– Pascal.
Vivemos
numa realidade multidimensional simultaneamente psicológica,
mitológica, sociológica, econômica, mas estudamos estas dimensões
separadamente, e não umas em relação com as outras. O princípio
da separação torna-nos talvez mais lúcidos sobre uma pequena parte
separada do seu contexto, mas nos torna cegos ou míopes sobre a
relação entre a parte e o seu contexto.
Durante
muito tempo, a ciência ocidental foi reducionista. Tal conhecimento
ignora o fenômeno mais importante, que podemos qualificar de
sistêmico, da palavra sistema, conjunto organizado de partes
diferentes, produtor de qualidades que não existiriam se as partes
estivessem isoladas umas as outras.
Penso
que o pensamento complexo deve ligar a autonomia e a dependência.
Para ser autônomo, tenho de depender do meio exterior (alimento,
abrigo, etc); para ser um espírito autônomo, tenho de depender da
cultura de que alimento os meus conhecimentos.
A
nossa educação nos habituou a uma concepção linear da
causalidade. Passamos de uma visão linear a uma visão circular.
Em que consiste esta circularidade? Consiste no fato de produtos e
efeitos serem necessários tanto ao produto como à causa. Como
exemplo, a vida é um sistema de reprodução que produz os
indivíduos. Somos produtos da reprodução dos nossos pais. Mas,
para que este processo de reprodução continue, é necessário que
nós próprios nos tomemos produtores e reprodutores de nossos
filhos. Somos, portanto, produtos e produtores no processo da vida,
isto é o princípio da causalidade retroativa.
Produzimos
a sociedade que nos produz. Ao mesmo tempo, não devemos esquecer que
somos não só uma pequena parte de um todo, o todo social, mas que
esse todo está no interior de nós próprios, ou seja, temos as
regras sociais, a linguagem social, a cultura e normas sociais em
nosso interior. Segundo este princípio, não só a parte está no
todo como o todo está na parte.
O
tesouro da humanidade é a sua diversidade. Esta não só é
compatível com a unidade fundamental, mas produzida pelas
possibilidades do ser humano.
Não
devemos esquecer que somos seres trinitários, ou seja, somos
triplos em um só. Somos indivíduos, membros de uma espécie
biológica chamada Homo Sapiens, e somos, ao mesmo tempo, seres
sociais.
É
difícil fazer compreender que o "um" pode ser "múltiplo",
e que o "múltiplo" é suscetível de unidade.
Compreender
a unidade e a diversidade é muito importante hoje, visto
estarmos num processo de mundialização que leva a reconhecer a
unidade dos problemas para todos os seres humanos onde quer que
estejam; ao mesmo tempo, é preciso preservar a riqueza da
humanidade, ou seja, a diversidade cultural; vemos, por exemplo, que
as diversidades não são só as das nações, mas estão também no
interior destas; cada província, cada região, tem a sua
singularidade cultural, a qual deve guardar ciosamente.
Damos
vida às nossas ideias e, uma vez que lhes damos vida, são elas que
indicam o nosso comportamento. Devemos considerar a história
humana de maneira complexa. E levar-nos a
compreender a incerteza do nosso tempo, visto que não há
progresso necessário e inelutável; sabemos que todos os progressos
adquiridos podem ser destruídos pelos nossos inimigos mais
implacáveis: nós mesmos, dado que hoje a humanidade
é a maior inimiga da humanidade. Sabemos, atualmente, que o
progresso deve ser regenerado; sabemos ainda que a barbárie
constitui uma ameaça, e vivemos mais do que nunca na incerteza,
porque ninguém pode adivinhar o que será o dia de amanhã. O nosso
destino é, pois, incerto, e ninguém sabe qual o destino do Cosmos.
A
nossa situação é extremamente complexa, porque somos,
integralmente, filhos do Cosmos e estranhos a esse mesmo Cosmos.
O
pensamento complexo conduz-nos a uma série de problemas fundamentais
do destino humano, que depende, sobretudo, da nossa capacidade de
compreender os nossos problemas essenciais, contextualizando-os,
globalizando-os, interligando-os: e da nossa capacidade de enfrentar
a incerteza e de encontrar os meios que nos permitam navegar num
futuro incerto, erguendo ao alto a nossa coragem e a nossa esperança.
A
especialização abstrai, extrai um objeto de seu contexto e
de seu conjunto, rejeita os laços e a intercomunicação do objeto
com o seu meio, insere-o no compartimento da disciplina, cujas
fronteiras quebram arbitrariamente a sistematicidade (a relação de
uma parte com o todo) e a multidimensionalidade dos fenômenos, e
conduz à abstração matemática, a qual opera uma cisão com o
concreto, privilegiando tudo aquilo que é calculável e
formalizável.
Eis
o problema universal para todo cidadão: como adquirir a
possibilidade de articular e organizar as informações
sobre o mundo. Em verdade, para articulá-las e organizá-las,
necessita-se de uma reforma de pensamento.
O
objetivo do pensamento complexo é ao mesmo tempo unir
(contextualizar e globalizar) e aceitar o desafio da incerteza.
Princípios
do pensamento complexo:
1-
Princípio sistêmico ou organizacional: liga o conhecimento
das partes ao conhecimento do todo, conforme a ponte indicada por
Pascal.
2-
Princípio
"hologramático"
: coloca em evidência
o aparente
paradoxo dos sistemas complexos, onde não somente a
parte está
no todo, mas o todo se inscreve na parte.
3-
Princípio do anel retroativo: permite o conhecimento dos
processos de autorregulação. Rompe
com o princípio de causalidade
linear: a causa age sobre o efeito, e
este sobre a causa.
4-
Princípio do anel recursivo: supera a noção de regulação
com a de autoprodução e auto-organização. É um anel gerador, no
qual
os produtos e os efeitos são produtores e causadores do que os
produz.
5-
Princípio de auto-eco-organização (autonomia/dependência):
os seres vivos são auto-organizadores que se autoproduzem
incessantemente, e através disso despendem energia para
salva-
guardar a própria autonomia. Como têm necessidade de
extrair
energia, informação e organização no próprio meio
ambiente, a
autonomia deles é inseparável dessa dependência, e
torna-se imperativo concebê-los como auto-eco-organizadores.
6-
Princípio dialógico: Une dois princípios antagônicos que,
devendo excluir
um ao outro, são indissociáveis numa mesma
realidade. Deve-se conceber uma dialógica
ordem/desordem/organização
desde o nascimento do universo. A
dialógica permite assumir racionalmente a associação de noções
contraditórias para conceber um mesmo fenômeno complexo.
7-
Princípio da reintrodução: esse princípio opera a
restauração do sujeito e ilumina a problemática cognitiva central;
da percepção à teoria científica, todo conhecimento é uma
reconstrução/tradução por um
espírito/cérebro numa certa
cultura e num determinado tempo.
Eis
alguns dos princípios que guiam os procedimentos cognitivos do
pensamento
complexo. Não se trata, de um pensamento que expulsa a
certeza com a incerteza, a separação com a inseparabilidade, a
lógica para
autorizar-se todas as transgressões. Consiste, ao
contrário, num ir e
vir constantes entre certezas e incertezas,
entre o elementar e o global, entre o
separável e o inseparável.
Ela utiliza a lógica clássica e os princípios de
identidade, de
não-contradição, de dedução, de indução, mas conhece-lhes os
limites e sabe que, em certos casos, deve-se transgredi-los. Não se
trata portanto
de abandonar os princípios de ordem, de
separabilidade e de lógica - mas de
integrá-los numa concepção
mais rica. Não se trata de opor um holismo global
vazio ao
reducionismo mutilante. Trata-se de repor as partes na totalidade,
de
articular os princípios de ordem e de desordem, de separação e
de união, de autonomia e de dependência, em dialógica
(complementares, concorrentes e
antagônicos) no universo.
O
paradigma da complexidade une enquanto distingue.
O
pensamento complexo é, portanto, essencialmente aquele que trata com
a
incerteza e consegue conceber a organização. Apto a unir,
contratualizar,
globalizar, mas ao mesmo tempo a reconhecer o
singular, o individual e o
concreto.
Por
toda parte, se reconhece a necessidade de interdisciplinaridade,
esperando o reconhecimento da relevância da transdisciplinaridade,
seja para o estudo da
saúde, da velhice, da juventude, das
cidades... mas a transdisciplinaridade só é
uma solução no caso
de uma reforma do pensamento. É preciso substituir um
pensamento que separa por um pensamento que une, e essa ligação
exige a
substituição da causalidade uni linear e unidimensional
por uma causalidade em
círculo e multirreferencial, assim como a
troca da rigidez da lógica clássica por
uma dialógica capaz de
conceber noções ao mesmo tempo complementares e antagônicas;
que o conhecimento da integração das partes num todo seja
completada pelo reconhecimento da integração do todo no interior
das partes.
A
reforma do pensamento permitirá frear a regressão democrática que
suscita,
em todos os campos da política, a expansão da autoridade
dos experts,
especialistas de todos os tipos, estreitando
progressivamente a competência dos
cidadãos, condenados à
aceitação ignorante das decisões dos pretensos
conhecedores, mas
de fato praticantes de uma inteligência cega, posto que parcelar e
abstrata, evitando a global idade e a contextualização dos
problemas. O desenvolvimento
de
uma
democracia
cognitiva
só
é
possível
numa
reorganização do saber, a qual reclama
uma reforma do pensamento capaz de
permitir não somente a separação
para conhecer,mas a ligação do que está
separado.
Toda
reforma desse tipo suscita um paradoxo: não se pode reformar as
instituições sem a reforma anterior das mentes; mas não é
possível reformar as mentes sem antes reformar as instituições.
Eis
uma impossibilidade lógica, mas é justamente desse tipo de
impossibilidade
lógica que a vida zomba
segunda-feira, 26 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Redefinido Democracia
Edgar Morin cita, certamente concordando, em seu diário "Chorar, Amar, Rir, Compreender", um texto de Nilufer Gole, da Univ de Istambul.
Penso que enriquece o debate sobre o momento político atual no Brasil:
Penso que enriquece o debate sobre o momento político atual no Brasil:
"A própria definição da democracia está prestes a mudar. Se na primeira fase, a democracia era medida por sua capacidade de integrar as diferenças culturais, na segunda, ela se mede por sua capacidade de gerar o multiculturalismo. A democracia significava a uniformização das experiências, das vivências, das línguas, das memórias, por um apelo constante ao princípio da igualdade. Hoje, ela se define cada vez mais por sua capacidade de tolerar as diferenças étnicas, religiosas, sexuais e de reconhecer, portanto, o direito à diferença".Pergunto: o Brasil tem a maturidade necessária para adotar essa nova democracia? Tenho minhas dúvidas
segunda-feira, 12 de maio de 2014
"Que regrettez-vous dans votre vie?"
Do que você se arrepende ou lamenta na vida?
Esta foi a pergunta que fizeram a Edgar Morin, numa entrevista em 1995, e essa é parte da resposta, conforme ele relata no diário "Chorar, Amar, Rir, Compreender" (ed SESC, 2012):
"Repenso meus erros políticos, cuja parte mais marcante foi, durante cinco anos, meu erro em relação ao comunismo stalinista. Provêm das mesmas origens que a minha lucidez. Meu julgamento combina, ou melhor, coloca em dialógica o realismo, a posição de princípio e a utopia ou ideal. O realismo conduz ao fatalismo, à aceitação do fato acabado e, além do mais, comporta em si uma falha: a crença de que o estabelecido é durável a longo prazo. Desse modo, em 1940-1941 acreditou-se (eu pude acreditar) que a hegemonia alemã estava estabelecida por um prazo muito longo, e o realismo, por sua vez, conduziu à resignação e ao erro. De 1941 a 1947, acreditei ser realista esperar que o poder soviético, com o tempo, produziria um socialismo com rosto humano. E, durante um tempo aceitei em silêncio as piores mentiras e as piores ignomínias. Meus princípios conduzem à resistência haja o que houver: é minha posição no final de 1941 contra Vichy [governo francês adesista aos alemães] e a ocupação alemã e, depois, em 1951, contra a URSS stalinista.
A utopia, ou o ideal, consiste em esperar um mundo melhor (mas jamais, no meu caso, o melhor dos mundos). Em si mesma, minha dialógica comportava dificuldade, incerteza, aposta. Não me arrependo daquilo que continua a determinar meu julgamento, ou seja, esta dialógica realismo/princípio/utopia. Posso me arrepender de ter errado? Não, porque a infalibilidade é impossível. Posso lamentar, por minha demora, a cada vez, em me revoltar." (p 27, negrito meu)
quinta-feira, 8 de maio de 2014
#Somos Todos... Não Somos?
Um interessante
diálogo ocorre nas redes sociais em função de casos aparentemente
desconexos que aconteceram nos últimos dias, especificamente, o caso
da banana atirada contra o jogador brasileiro na Europa e o
linchamento da mulher no litoral paulista.
A hashtag
#somostodos... foi utilizada à exaustão de diferentes formas e até
em oposição uma à outra. Pessoas diferentes, mas com a mesma boa
intenção, defenderam com veemência tanto o “somos todos”
quanto o “sou diferente”.
Inspirado pelo
pensamento complexo de Edgar Morin, quero refletir com vocês sobre a
realidade de sermos, sim, todos e ao mesmo tempo não sermos.
Não “sermos
todos” é bastante óbvio, não é? Desde o fato de nem todos
sermos pretos até a certeza de que o linchamento foi obra de alguns
ensandecidos, fica claro que fazemos parte de uma diversidade enorme
de posições e pensamento. É irreal e mesmo injusto juntar “alhos
com bugalhos” e jogar todos na mesma cova do racismo, do ódio e da
culpabilidade. Alguns, não só não são culpados como são ativos e
participantes da luta contra o racismo, a violência, etc.
Por outro lado, em
muitos aspectos “somos todos”, sim. Somos todos responsáveis
pela sociedade em que vivemos e por aquilo que nela acontece. E caso
alguém pergunte: “Mas o que eu poderia ter feito? Moro a milhares
de quilômetros do Guarujá, nunca estive lá, não conheço a mulher
morta nem seus linchadores... sempre fui contra a violência, contra
a boataria, e apoio o devido processo legal... o que eu poderia ter
feito?” A resposta imediata pode ser: “Nada”.
Mas, mesmo quem é
um ativista dos direitos humanos deve compreender que se algo assim
ocorreu é porque tudo o que foi feito até agora para impedir que
algo assim acontecesse foi insuficiente. E, nesse caso, sim, somos
todos responsáveis. Devíamos ter feito mais. Muito mais.
E o que precisa
atingir o nosso coração agora não é o horror, não é o desânimo,
não é a revolta, nem a inercia, o “não estou nem aí”, o “a
minha parte eu faço”, “isso é obrigação do governo” (da
igreja, do partido, dos outros enfim).
Precisamos é de um
sentimento de solidariedade (#somostodosum), de insuficiência
(sozinho eu não posso, mas juntos podemos melhorar), de esperança
(há de melhorar), de humanidade (reconheço a complexidade dos
problemas e o potencial de resolvê-los).
Não me sinto
culpado pela banana atirada, nem pela absurda morte de uma inocente.
Mas me sinto responsável por não ter feito mais para que coisas
assim não existissem e esse sentimento deve me empurrar a agir em
favor das respostas, das soluções, da compreensão maior entre os
seres humanos, da justiça e da paz.
Só assim valerá a
pena continuar vivendo.
segunda-feira, 31 de março de 2014
O Coletivo e o Individual
"São bilhões de cidadãos no mesmo planeta com a missão de conviver entre si e com o meio ambiente. Cada ser humano tem o privilégio de pensar individualmente e a responsabilidade de agir coletivamente.
Esta constatação é o cerne de todos os problemas ambientais causados pelo homem. Por discordar da sua responsabilidade, os seres humanos causam tantos danos ao planeta e à própria vida."
(http://vivaitabira.com.br/viva-colunas, publicado no informativo interno da Prefeitura de Sorocaba, março de 2014)
quarta-feira, 19 de março de 2014
Observações de um turista distraído - 9
Pastel de Angu
Estradas de Minas Gerais: sempre tão interessantes, paisagens, montanhas, rios, cidades, fazendas, cachoeiras.
E uma coisa nos chamava a atenção. Volta e meia aparecia algum cartaz, placa à beira da estrada propagandeando um restaurante, lanchonete, buteco. E ofereciam as delícias da cozinha mineira: queijos, linguiças, pães de queijo, comidas variadas e... pastel de angu!!!
Angu é um cozido de fubá, antigo e popular. Comida de antigamente, como se diz. Agora, fazer um pastel com angu, nunca tínhamos visto. Nem comido.
Pois quando se apresentou a oportunidade, aceitamos rapidinho a oferta da Aline, lá em Tabuleiro, de nos fazer uns pasteis de angu. Ao chegarem vimos que se trata de um pastel como outro qualquer, frito, com recheio. Mas a diferença é que a massa do dito não é feita de farinha de trigo, como os nossos aqui em terras paulistas. É feito com massa de fubá, o que lhe dá uma cor dourada, um aspecto crocante e um sabor... huuuuummmmm... DE-LI-CI-O-SO!!!!
Tá servido?
sexta-feira, 14 de março de 2014
Gentes, árvores, viagens e o sentido da vida
Viajamos, Elaine e eu,
por Minas Gerais
durante 25 dias de fevereiro. Visitamos 15 cidades, rodamos mais de 3
mil quilômetros.
Vimos 2 grutas (Lapinha
e Maquiné), dezenas de
cachoeiras (inclusive Tabuleiro, a terceira mais alta do país, com
273 metros), igrejas centenárias, lobos-guará, minas, museus (inclusive o
espetacular Inhotim), restaurantes deliciosos, e cenários fabulosos,
lindíssimos.
De tudo que vimos e conhecemos, o que nos causou maior prazer, deixou as melhores lembranças não foi nada disso. Foram as pessoas que encontramos pelo caminho.
A começar pela visita
que fizemos à Fani, amiga de infância nossa filha, a quem queremos
bem como se fora filha também. Ela, seu irmão e sua cunhada fizeram
de nossa primeira parada em Conselheiro Lafayete uma extensão do
nosso lar. Foi bom demais revê-los, conhecer sua pequena padaria, de
onde sai pão quentinho toda hora.
Em Caraça, conhecemos
o padre que se esmera por oferecer toda a noite, uma refeição
nutritiva aos lobos-guará, que a recebem como se fosse dádiva
divina, no adro do belíssimo santuário gótico do Caraça. Além da
experiência transcendental de vê-lo dar os alimentos de forma tão
respeitosa, o padre é profundo conhecedor dos hábitos e
características desses maravilhosos animais, que vivem uma vida
selvagem, exceto pelos curtos minutos quando se alimentam do que lhes
dá o padre.
Subindo sempre em
direção ao norte, ao longo da Serra do Espinhaço, conhecemos
muitas cachoeiras, em longas trilhas pela Parque S. do Cipó,
acompanhados por Pablo, mais do que um bom guia, excelente jovem,
correto, animado, que fez dos nossos passeios real diversão.
A próxima parada foi
no distrito de Tabuleiro, para conhecer a famosa cachoeira. Mas
antes, Aline, uma simpática dona de bar no vilarejo, não só nos
ofereceu comida simples feita com capricho, como pôs-se a conversar
conosco, pernas dobradas sobre o banco atrás do balcão, oferecendo
sinceramente seu olhar atento, analítico, perspicaz e divertido
sobre fatos corriqueiros e assuntos graves, enquanto matávamos a
fome e a sede.
Já em Milho Verde, um
(ainda) pequeno paraíso em pleno Espinhaço, Margot e Gaia nos
hospedaram em sua pousada – a Luar do Rosário -, tão linda quanto
simples, tão bucólica quanto alegre. A hora do delicioso café
transformou-se cada manhã em prosa gostosa, tranquila, alegre. E as
histórias de vida das duas sócias serviram de alento, inspiração,
aprendizado para nós.
E chegamos à nossa
última parada, onde uma garotinha de 12 anos – a Laura - nos
encantou com seu modo vivo, genuíno, colorido de nos guiar pela Casa
de Guimarães Rosa, em Cordisburgo, não só dando as informações
precisas sobre cada aposento da casa, como também nos contando um
pequeno texto do escritor com tal desenvoltura e brilho que
enxergamos a cena descrita com toda a emoção e detalhe que o autor
desejou dar.
Voltamos. Estávamos
cansados de tanta estrada, tanta paisagem, tantas novidades. Mas
sentíamos que ganháramos muito ao conhecer tais pessoas.
De volta, uma amiga do
Facebook propõe a seguinte reflexão: “Os frutos são mais
importantes que as folhas ou flores”. E acrescentou que a razão de
ser de uma árvore é frutificar. Ousei discordar: disse que a razão
de ser de uma árvore é ser uma árvore.
É lógico que
falávamos por símbolos.
E quando me referi a
“ser árvore” eu pensava na Fani (e não na padaria), no padre (e
não na igreja), no Pablo (e não nos seus préstimos de guia), na
Aline (e não no seu bar), na Margot e na Gaia (e não na Luar do
Rosário), na Laura (e não nos seus conhecimentos sobre o grande G.
R.). Seu valor não está naquilo que fazem (e o fazem muito bem),
mas naquilo que são (pessoas extraordinárias), e que por serem
assim tornaram nossa vida mais rica e nossa viagem, mais feliz.
Obrigado, amigos!!!
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Para bom entendedor, meia parábola basta
"Para um bom entendedor meia parábola basta:
Estava eu em uma expedição com uns amigos perdido em um ponto remoto da floresta amazônica.
- Caramba, que lugar bonito! Valeu a pena ter ficado 3 semanas tentando chegar aqui, hein? Santo GPS! (forcei mas tudo bem)
- É mesmo, hein? E essa mata parece intocada, não? O que você acha, Hermenegildo, alguém já chegou aqui antes da gente?
- Duvido, Jubislânio! Veja essa natureza virgem! Somos os primeiros aqui, com certeza!
- Duvido, Hermenegildo! Tenho certeza que alguém já veio aqui antes de nós. Não é possível que isso nunca tenha ocorrido!
- Sinceramente, não acredito nisso. Sem a tecnologia que utilizamos ninguém chegaria... e você, Obadias, o que acha disso?
- ãhn...? Eu estava meio perdido, absorto diante de tanta exuberância.
- Então, será que alguém já veio aqui antes da gente?
- Ah... sei lá... não tenho a mínima ideia...
O Hermenegildo interrompe:
- Como assim, não sabe??? É claro que ninguém nunca veio aqui antes! Dá uma olhada à sua volta, cacete! Essa mata é totalmente virgem!
- Ah, sei lá, não tenho elementos suficientes para chegar a nenhuma conclusão. Simplesmente não sei...
- Se liga cara, é claro que já veio gente aqui! Me admira você simplesmente não ter opinião a respeito disso! Na realidade, eu acho que você não acredita que já veio gente aqui mas não tem coragem de admitir!!!
- Caramba, que cara mais indeciso!, Vocifera Hermenegildo. E eu, não sei se distraído ou enfadado, já estou de novo perdido diante daquele universo tão rico e indecifrável para mim..."
(texto perfeito do Obadias de Deus, no Facebook, em referência a um debate sobre ateus, crentes e agnósticos)
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