quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pergunta importante

Sempre ouvi e achei importante a pergunta: "O que é que você vai ser quando crescer?". Eu, por exemplo, quando pequeno, dizia que queria ser motorista de caminhão ou então, de taxi (no caso, por causa dos maços "enormes" de dinheiro que eu os via manusear).
Hoje, ao "folhear" os jornais de SP, dei com uma pergunta mais importante ainda:
"O que é que você vai ser quando morrer?"
A pergunta me pegou de surpresa, pelo inusitado, e demorei pra conseguir pensar na relevância e profundidade do seu alcance. Daí, me veio à lembrança outra frase que li algures e achei ótima (além de hilária): "Não queira ser o mais rico do cemitério". E realmente, não desejo. 
O que quero ser quando morrer é uma boa lembrança na memória daqueles que me são caros, uma narrativa alegre, positiva, inspiradora e emocionante para aqueles que forem falar de mim, dos meus atos, dos meus pensamentos, das minhas lutas, vitórias e derrotas. Que eu não sirva de exemplo (bom ou ruim), mas que sirva de reflexo daquilo que a vida pode ser: algo que vale a pena!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

"I'll be back!!!" - Arnold Schwarzenegger

Não se iludam: em 5 dias eu voltarei para o Facebook. Em 5 dias a eleição terá acabado e, espero, as pessoas voltarão a ser o minimamente sensatas. 
(Sei o que você está pensando... e sim, eu sou um otimista ingênuo.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A Verdade e o Diálogo

"De todas as posturas que os dois movi­men­tos [cristão e judeu] foram criando e reforçando para diferenciar-se um do outro, já a partir do primeiro século, poucas são mais con­tras­tan­tes do que o modo que cada um escolheu como adequado para apresentar a verdade.
Os cristãos estabeleceram que a verdade pertence ao dogma, os judeus estabeleceram que a verdade pertence ao diálogo."

(Paulo Brabo, em "verdade na assembleia dos discordantes", que você pode ler AQUI)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Quando a política é inimiga

O Secretário de Saúde da minha cidade pediu demissão. Pelo pouco contato e informação que tive dele e de sua administração à frente da Secretaria de Saúde, era um bom secretário, é um bom homem, experiente, sério, preparado, um bom líder.
Consta que o motivo foi um desacordo entre ele e o Prefeito a respeito de assuntos afetos à saúde.
Dizem, nos bastidores, no entanto, que foi por pressão dos vereadores da cidade, insatisfeitos por serem impedidos de usar o SUS como ferramenta de clientelismo político - algo com que se acostumaram fazer por muitos anos aqui na cidade.
A se confirmar a segunda hipótese - a mais provável - fica mais uma vez comprovada uma suspeita frequente na mente dos cidadãos comuns dessa cidade: nossos vereadores não valem o que ganham e prestam, continuamente, um desserviço à cidade apenas para defender seus próprios interesses mesquinhos.
Eu sou um desses cidadãos comuns. Minha solidariedade ao Sr. Secretário.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Relacionamentos - por Zygmunt Bauman

"Os problemas não terminam quando os casais passam a viver juntos. Os quartos compartilhados podem ser um local de alegria e diversão, mas raramente de segurança e sossego. Alguns deles são palco de dramas cruéis, cheios de escaramuças verbais que resultam em brigas aos socos (se o casal não se separa antes) e amplas hostilidades com desfecho semelhante ao de um "Cães de Aluguel". Belas cerimônias de casamento não ajudam; festas só para homens ou só para mulheres não põe fim ao Desconhecido, repleto de riscos e propenso a acidentes, e os aniversários de núpcias não são novos inícios que estimulem os casais a fazer algo totalmente diferente, apenas pequenos intervalos num drama sem cenários nem textos definidos."
em "Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos", página 20, ed Zahar.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Homo Sapiens e Homo Demens

Morin afirma que a humanidade não é só "homo sapiens", capaz de feitos maravilhosos, mas é também "homo demens", igualmente capaz de barbárie e crueldades inimagináveis.

Um bom exemplo disso é a maravilhosa música de Renato Teixeira, "Tocando em frente", que faz um grande sucesso, há anos, em todo o país, na voz e viola de Almir Sater.

Ela começa afirmando "ando devagar porque já tive pressa"... o paulistano adora essa canção, e continua com pressa feito um alucinado.
É "homo sapiens" quando canta, mas "homo demens" quando vive...

Só Morin pra entender, né?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pensamentos de Edgard Morin em “Rumo ao Abismo?”


“O conhecimento especializado é em si mesmo uma forma particular de abstração. A especialização abs-trata, ou seja, o ato de extrair um objeto de um campo determinado rejeita as ligações e intercomunicações desse objeto com seu meio, insere-o em um setor conceitual abstrato, que é o da disciplina compartimentada, cujas fronteiras rompem arbitrariamente a sistemicidade (a relação de uma parte com o todo) e a multidimensionalidade dos fenômenos. Ela conduz à abstração matemática que produz uma cisão de si mesma com o concreto, de um lado privilegiando tudo que é calculável e formalizável, de outro, ignorando o contexto necessário à inteligibilidade de seus objetos. Assim, a economia, que é a ciência social matematicamente mais avançada, é a ciência social e humanamente mais retrógrada, pois se abstraiu das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas, ecológicas inseparáveis das atividades econômicas. É por essa razão que seus experts são cada vez mais incapazes de interpretar as causas e consequências das perturbações monetárias e as oscilações das bolsas de valores, de prever e predizer o curso da economia, mesmo a curto prazo. Como disse Galbraith, “a única função das previsões econômicas é fazer a economia parecer respeitável”. (Ed Bertrand Brasil)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Abaixo o Desenvolvimento!!! (abaixo o desenvolvimento????)

Abandonemos o Desenvolvimento!
(trecho de “Rumo ao abismo?”, Edgar Morin, ed Bertrand Brasil)

"A ideia de desenvolvimento sempre implicou uma base tecnoeconômica, mensurável pelos indicadores de crescimento e dos lucros. Ela supõe de modo implícito que o desenvolvimento tecnoeconômico seja a locomotiva que naturalmente impulsiona, em consequência, um “desenvolvimento humano”, cujo modelo ideal e perfeito é o dos países considerados desenvolvidos, ou seja, os ocidentais. Essa visão pressupõe que o estado atual das sociedades ocidentais constitui a meta e finalidade da história humana.
O desenvolvimento “sustentável” não faz senão amenizar o desenvolvimento, por levar em consideração o contexto ecológico, mas sem questionar seus princípios; no desenvolvimento “humano”, a palavra humano é vazia de toda substância, a menos que não remeta ao modelo humano ocidental, que certamente envolve traços essencialmente positivos, mas também, vale repetir, essencialmente negativos.
Noção aparentemente universaliza, o desenvolvimento também constitui um mito típico do sociocentrismo ocidental, um motor de ocidentalização furiosa, um instrumento de colonização dos “subdesenvolvidos” (o Sul) pelo Norte.
O desenvolvimento ignora o que não é nem calculável nem mensurável, ou seja, a vida, o sofrimento, a alegria, o amor e sua única medida de satisfação se encontra no crescimento da produção e da produtividade, do lucro monetário. Concebido unicamente em termos quantitativos, ele ignora as qualidades da existência, as qualidades da solidariedade, as qualidades do meio, a qualidade da vida, as riquezas humanas não calculáveis nem negociáveis; ignora o dom, a magnanimidade, a honra, a consciência. Sua atitude nega os tesouros das civilizações arcaicas e tradicionais; o conceito cego e grosseiro de subdesenvolvimento desintegra as artes da vida e as sabedoras de culturas milenares.
O desenvolvimento ignora que o crescimento tecnoeconômico também produz o subdesenvolvimento moral e psíquico: a hiperespecialização generalizada, as compartimentalizações em todos os domínios, o hiperindividualismo, o espírito do lucro conduzem à perda das solidariedades. A educação disciplinar do mundo desenvolvido traz muitos conhecimentos, mas engendra um conhecimento especializado que é incapaz de compreender os problemas multidimensionais e determina uma incapacidade intelectual de reconhecer os problemas fundamentais e globais.

O desenvolvimento contém em si como benéfico e positivo tudo que é problemático, nefasto e funesto na civilização ocidental, sem por isso conter necessariamente o que há de fecundo (direitos humanos, responsabilidade individual, cultura humanista, democracia)."