terça-feira, 10 de março de 2015

Panelaço


Perguntam-me sobre o discurso da presidente Dilma na TV e o "panelaço" de protesto ocorrido na noite do domingo, 8/3/2015.
Viajava com Elaine, minha esposa, à noite, pela rodovia Castelo Branco, entre São Paulo e Sorocaba. Chovia a cântaros. De repente, dois carros a algumas centenas de metros em posição estranha. Freei com dificuldade e desviei para a direita, passei a poucos centímetros dos carros abalroados em plena pista. Parei mais adiante e desci para ver se alguém se machucara. “Felizmente não há feridos”, me informou um dos acidentados, todos já seguros no largo canteiro central que separa as duas pistas. Mas os carros, espalhados por duas das três faixas de tráfego da rodovia ofereciam um enorme risco de mais acidentes. Por isso fomos avisar os carros e caminhões que vinham em velocidade, apesar da chuva torrencial, para que diminuíssem a velocidade e trafegassem pela faixa direita da pista. Mas mal nos pusemos, eu e um motorista de caminhão que também parara para ajudar e trazia uma valiosa lanterna, a acenar para os veículos diminuírem a velocidade, e ouvimos o barulho estridente de uma derrapada e buuummm!!!, outro carro chocou-se violentamente contra um dos carros parados. Corri para acudir possíveis feridos, mas os quatro ocupantes do carro saíram ilesos, apesar de abalados, e foram enxotados rapidamente para o canteiro central, a salvo. Voltei a pensar em sinalizar para os veículos e Elaine apareceu com um triângulo de segurança. Fui bem distante à frente e posicionei o triângulo na faixa da esquerda. Ao mesmo tempo, via o desespero com que alguns motoristas eram surpreendidos pela visão de um acidente à frente e quase se acidentavam também. Certifiquei-me que todos estavam bem, sem ferimentos, e que a polícia rodoviária já havia sido acionada. Voltei para o carro com Elaine. Ensopados, totalmente molhados, adrenalina a mil, seguimos viagem.
Não. Eu não vi o discurso, nem ouvi panelaço algum. Estava ocupado socorrendo pessoas em perigo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Monarquia ou República (um causo para tempos de impeachment)

"Certo tava o Caipira que perguntado pelo Tio Cornélio Pires, no início do século passado, se era Monarquista ou Republicano, responde que Política é como criação de porco. Por isso era Monarquista, pois o porco engordava à custa do povo, se acomodava com a vida boa só comendo e dormindo, e só quando morria era trocado por um filhote. Na tar de Republica, cê põe o porco pra engorda...ele fica lá 4 anos, engorda, e quando ta bão de saúde e comeno menos, a gente tem que trocá de porco...e começa tudi novo!!!!" 

(com meus agradecimentos o primo Zé Mauro Pires pela contribuição)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Lembranças - Z. Bauman

"A memória é uma bênção ambígua. Mais precisamente, é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição lançada sobre alguém. Pode "manter vivas" muitas coisas de valor profundamente desigual para o grupo e seus vizinhos. O passado é uma grande quantidade de eventos, e a memória nunca retém todos eles. E o que quer que ela retenha ou recupere do esquecimento nunca é reproduzido em sua forma "prístina" (o que quer que isso signifique). O "passado como um todo" nunca é recapturado pela memória. E se o fosse, a memória seria francamente um risco e não uma vantagem para os vivos. Ela seleciona e interpreta - e o que deve ser selecionado e como precisa ser interpretado é um tema discutível, objeto de contínua disputa. Fazer ressurgir o passado, mantê-lo vivo, só pode ser alcançado mediante trabalho ativo - escolher, processar, reciclar - da memória."

(Zigmunt Bauman, em "Amor Líquido")

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

De quem é o lixo?

De quem é, afinal, o lixo que produzimos diariamente?
Porque, segundo parece, ao nos desfazermos do lixo, em sacos plásticos colocados no lado de fora de nossas casas, ele não mais nos pertence...
Mas, pertence a quem?
As Prefeituras recebem a "taxa de lixo" que, supostamente, cobre os custos de coleta e destinação do lixo doméstico. Seriam as Prefeituras, as novas proprietárias do lixo que produzimos?
Sem dúvida, não agem como tal. Parecem mais intermediários que se encarregam apenas de mudar o lixo de lugar. No caso de minha cidade - Sorocaba - a transferência se dá para outro município!!! Sim! Exportamos lixo!!! (um absurdo...)

Sou vizinho de um condomínio residencial - o Residencial Ibirapuera - que trata seu lixo como algo que não lhe diz respeito. O máximo que fazem é colocá-lo - e muito mal acondicionado - em uma lixeira pequena demais para o volume crescente de lixo produzido e... dane-se o resto!!!
Em pouco tempo, o lixo começa a espalhar-se pela rua, e sobra muito, caído dos sacos antes de recolhidos pelos caminhões contratados pela Prefeitura, que só recolhem os sacos.
Resultado: o vento e a inclinação da rua faz com que esse lixo se deposite na entrada da minha casa. São papéis (inclusive higiênico), plásticos, e até gaze e algodão - usados, sabe Deus como - parados na entrada de casa.
Já fiz mais de uma reclamação, ilustrada com fotos e não obtive nenhuma ação para solucionar. É como se esse lixo não fosse mais deles. Mas é, e continuará sendo, até que deem um destino apropriado a ele.
Enquanto isso, comecei a recolher este lixo e depositá-lo em frente a entrada do Residencial Ibirapuera.
Agora, torno público essa situação. Quem sabe, movidos pela vergonha, tomem providências...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O sofrimento de todos não é maior do que o de um só homem

"Nenhum clamor de tormento pode ser maior que o clamor de um homem.
Ou, mais uma vez, nenhum tormento pode ser maior do que aquilo que um único ser humano pode sofrer.
O planeta inteiro não pode sofrer tormento maior do que uma única alma."

(Ludwig Wittgenstein, citado por Zigmunt Bauman em "Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos", excepcional livro da ed. Zahar)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Egoismo e Ganância

Querem me convencer, inutilmente (apesar dos incansáveis esforços) que o egoismo e a ganância - devidamente incentivados pelo liberalismo econômico - são os motores do progresso humano, os responsáveis por todos os avanços da civilização, enfim, por tudo de bom e belo que desfrutamos na sociedade moderna.

Arrepia-me tais tentativas, de nojo e asco. 

Dói-me o coração saber que existem pessoas cegas, iludidas ou maldosas e maliciosas o suficiente para defender tal ignomínia. Não fazem bem nem à humanidade, nem a si mesmas. Apenas ajudam a perpetuação de uma civilização atroz, que permite e ceva atentados a humoristas na Europa, genocídios religiosos na África e o assassinato patrocinado pelo Estado (a pena de morte) na Indonésia (entre outros países).

Que Deus tenha piedade dessas pobres almas...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Realidade e a Narrativa

Será? E se não é, como é?

"A Realidade é a Narrativa compartilhada por todos"

("The Librarians", série da Universal Channel)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A Crise do Desenvolvimento - Edgar Morin

Globalização, ocidentalização e desenvolvimento: a exemplo da Trindade Cristã, uma mundialização simultaneamente una e tripla.

O termo "desenvolvimento" tornou-se a palavra-chave que adorna o complexo trinitário com um rótulo de solução e progresso; ainda é considerado como via de salvação e progresso para a humanidade.

O crescimento é concebido como o motor evidente e infalível do desenvolvimento, e o desenvolvimento, como motor evidente e infalível do crescimento. Ambos, fim e meio um do outro. 
"Qualquer um que acredite que um crescimento exponencial pode durar para sempre num mundo finito ou é um louco, ou um economista!" (Kenneth Boulding)
A ideia fixa de crescimento deveria ser substituída por um complexo que comportasse diversos crescimentos, diversos decrescimentos, diversas estabilizações.

("A Via", de Edgar Morin. E eu estou só na página 28!!!)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A Via de Morin

Ganhei de Natal da Elaine o livro "A Via para o futuro da humanidade", de Edgar Morin, ed Bertrand Brasil.
O livro é tão bom, mas tão bom, que nas duas primeiras páginas, as de agradecimentos, já encontro essa pérola:

"Como introdução e esta derradeira obra, não posso repetir aqui senão o que escrevi no fim do meu prefácio de "O Método" [sua obra prima, em 6 volumes]: "Sinto-me conectado ao patrimônio planetário, animado pela religião do que religa, pela rejeição do que rejeita, por uma solidariedade infinita..." (grifo meu).

Pronto! Eu que há anos venho lutando contra a religião institucionalizada, que prende mais do que liberta, obscurece mais do que ilumina, condena mais do que salva, odeia mais do que ama, encontrei a minha religião: aquela que religa (o homem consigo, com o próximo, com o mundo, e, portanto, com Deus).

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Apenas mais um dia banal...

Uma das mais lindas músicas natalinas que já ouvi. 
E não me canso de ouvi-la, todo Natal.

Il Giorno Più Banale de Marco Masini

Um Bom Natal a Todos!!!