"É verdade, são os ricos, os privilegiados, que podem usufruir da realidade social e pedem aos outros que sejam realistas, ou seja, que tomem consciência de que devem renunciar às suas aspirações e sonhos."(Edgar Morin, em "Califórnia", ed. SESC-SP, pg 55)
Um ser à procura de sua humanidade. Seja bem vindo, e fique à vontade para comentar!!!
sexta-feira, 18 de março de 2016
"Reality is for a privileged class"
quinta-feira, 17 de março de 2016
Edgar Morin me representa!
"Tentei dizer o que para mim era o essencial, mas com uns e outros não funciono nas mesmas frequências de ondas, não sentimos e não concebemos os mesmo problemas. Meu Deus, como me aborreço."
(Edgar Morin em "Califórnia", pg 184, ed. SESC-SP, 2012)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Melhor! Melhor? ...
"Porque, como vimos, o melhor tem se mostrado consistentemente
insuficiente. O melhor nunca nos basta, e pelo menos nesse sentido
tem se mostrado consistentemente pior, vez após outra. Agora, que
demônio nos faz continuar a abraçar a ilusão de que uma nova melhoria,
que nos custará um mundo, poderá chegar a nos satisfazer?
O peso ideológico do termo “melhor” é para todos os efeitos o grande imperativo categórico da civilização ocidental: sua supremacia e sua suficiência são a única unanimidade no nosso universo plural, o último artigo de fé comum, sendo que não requer conversão e não admite questionamento.
Como disse-me Bruce Sterling, numa conferência que ele usou para infectar-me com muitas das inquietações que estou tratando aqui:
(Paulo Brabo, em "A Espada Circular" na "Bacia das Almas". Se você não ficou irresistivelmente atraído para ler todo o texto LÁ, você nunca será melhor...)
O peso ideológico do termo “melhor” é para todos os efeitos o grande imperativo categórico da civilização ocidental: sua supremacia e sua suficiência são a única unanimidade no nosso universo plural, o último artigo de fé comum, sendo que não requer conversão e não admite questionamento.
Como disse-me Bruce Sterling, numa conferência que ele usou para infectar-me com muitas das inquietações que estou tratando aqui:
Os sucessos do progresso tornam-se problemas espinhosos para a geração seguinte: não permanecem permanentemente “melhores”. Nossos juízos de valor sobre o que é melhor são temporários, inteiramente limitados à nossa perspectiva no tempo. Não existe um “melhorômetro”; ninguém tem como medir a extensão, a amplitude e a duração de uma “melhoria”. Melhor é um juízo abstrato de valor, não uma qualidade científica; não pode ser testado experimentalmente. Ninguém sabe o que é melhor; na verdade, ninguém sabe o que é pior. É tremenda ingenuidade acreditar que cada desdobramento tecnológico é necessariamente um avanço.Ou, como ponderava Jung:
Recusamo-nos a reconhecer que toda coisa melhor é comprada ao preço de uma coisa pior.Ou Jacques Ellul:
O progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade."...
(Paulo Brabo, em "A Espada Circular" na "Bacia das Almas". Se você não ficou irresistivelmente atraído para ler todo o texto LÁ, você nunca será melhor...)
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Alhos com Bugalhos
Amiga postou no Facebook uma foto na qual atribuem ao papa Francisco afirmações religiosas MUITO polêmicas. Ela reproduz a foto e adiciona ferozes críticas à postura do papa.
Entrei, como sempre faço, na postagem original e vi que aquelas declarações estavam sob suspeita de não serem verídicas.
Comentei e acrescentei que divulgar aquela postagem era inconveniente pois corria o risco de estar espalhando uma inverdade.
A reação ao meu comentário foi, no mínimo, estranha.
Fui repreendido, tanto por ela quanto por um outra amiga, por estar "defendendo heresias" e apoiando um papa herético, líder de uma igreja herética.
Gente, o que é isso? Ajudem-me, por favor!
Estaria eu me referindo ao conteúdo das mensagens? Estaria eu dando apoio ao papa e suas pretensas "heresias"?
O que foi aquilo? Eu, de boa fé e em nome da amizade, com intuito de evitar que minha amiga passasse por "boateira", "fofoqueira", caluniadora e recebo uma avalanche de críticas como se minha intervenção fosse um ataque à amiga, uma defesa de doutrinas indefensáveis...
Meu, foi punk...
O que fiz: Despedi-me, na boa, da amiga, "sem ressentimentos" e deixei pra lá...
Fazer o quê? Estão misturando "alhos com bugalhos" e isto tem se tornado MUITO comum, infelizmente.
Entrei, como sempre faço, na postagem original e vi que aquelas declarações estavam sob suspeita de não serem verídicas.
Comentei e acrescentei que divulgar aquela postagem era inconveniente pois corria o risco de estar espalhando uma inverdade.
A reação ao meu comentário foi, no mínimo, estranha.
Fui repreendido, tanto por ela quanto por um outra amiga, por estar "defendendo heresias" e apoiando um papa herético, líder de uma igreja herética.
Gente, o que é isso? Ajudem-me, por favor!
Estaria eu me referindo ao conteúdo das mensagens? Estaria eu dando apoio ao papa e suas pretensas "heresias"?
O que foi aquilo? Eu, de boa fé e em nome da amizade, com intuito de evitar que minha amiga passasse por "boateira", "fofoqueira", caluniadora e recebo uma avalanche de críticas como se minha intervenção fosse um ataque à amiga, uma defesa de doutrinas indefensáveis...
Meu, foi punk...
O que fiz: Despedi-me, na boa, da amiga, "sem ressentimentos" e deixei pra lá...
Fazer o quê? Estão misturando "alhos com bugalhos" e isto tem se tornado MUITO comum, infelizmente.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Reforma do Pensamento - Edgar Morin - 1
...
"Todas as crises da humanidade planetária são, ao mesmo tempo, crises cognitivas."
...
"Submersos na superabundância de informações, para nós fica cada vez mais difícil contextualizá-las, organizá-las, compreendê-las. A fragmentação e a compartimentalização do conhecimento em disciplinas não comunicantes tornam inapta a capacidade de perceber e conceber os problemas fundamentais e globais."
...
"Nosso modo de conhecimento fragmentado produz ignorâncias globais."
...
"[A reforma do pensamento] trata-se de substituir o paradigma que impõe o conhecimento por disjunção e redução, por um paradigma que pretende conhecer por distinção e conjunção."
...
"Pascal: Todas as coisas sendo causadas e causantes, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas, e todas interligando por um laço natural e insensível que liga as mais distnates e mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, e não menos impossível conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes."
Edgar Morin em "A Via"
"Todas as crises da humanidade planetária são, ao mesmo tempo, crises cognitivas."
...
"Submersos na superabundância de informações, para nós fica cada vez mais difícil contextualizá-las, organizá-las, compreendê-las. A fragmentação e a compartimentalização do conhecimento em disciplinas não comunicantes tornam inapta a capacidade de perceber e conceber os problemas fundamentais e globais."
...
"Nosso modo de conhecimento fragmentado produz ignorâncias globais."
...
"[A reforma do pensamento] trata-se de substituir o paradigma que impõe o conhecimento por disjunção e redução, por um paradigma que pretende conhecer por distinção e conjunção."
...
"Pascal: Todas as coisas sendo causadas e causantes, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas, e todas interligando por um laço natural e insensível que liga as mais distnates e mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, e não menos impossível conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes."
Edgar Morin em "A Via"
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
A função dos cães
Perdi a Hilda.
Minha querida pastor alemão sumiu num fim de semana que eu não estava em casa.
Ao voltar pra casa, dei início a uma busca quase frenética:
Postei um apelo no Facebook; conversei com meus vizinhos; consultei a filha - veterinária sabe dessas coisas - sobre o que fazer e ela fez uma postagem com enorme repercussão no FB; imprimi uns cartazes e os distribuí pelo bairro. Um conhecido dispôs-se a correr o bairro comigo a perguntar por ela.
No dia seguinte, 5 dias depois de sumida, a Hilda voltou pra casa. Haviam-na achado a 3 quilômetros de casa e dado água, ração e atenção até acharem o proprietário - eu.
Logo após o retorno da fugitiva, voltei aos locais onde havia deixado os cartazes e pedi para retirá-los porque a cachorra havia sido encontrada. Sem exceção, todos deram suspiros de alívio, "graças a Deus!" fervorosos e efusivos "parabéns!", "que bom!". Uma jovem balconista de loja até me disse que havia sonhado com ela e se manifestou sinceramente feliz com o desfecho.
Nos dois dias seguintes, recebi dois telefonemas e um whatspp de pessoas que haviam visto um cão parecido com a Hilda e queriam me informar. Ao saberem do seu retorno sã e salva, cumprimentaram-me pelo fato e um até diss estar rezando por mim e pela Hilda.
A mesma coisa aconteceu no Facebook: as pessoas, algumas da quais nem me conhecem direito, deram vivas pelo meu reencontro feliz com minha cachorra.
O que isto quer dizer? Como interpretar esses gestos de solidariedade? Como pode um cão provocar reações de empatia incondicionais?
Minha querida pastor alemão sumiu num fim de semana que eu não estava em casa.
Ao voltar pra casa, dei início a uma busca quase frenética:
Postei um apelo no Facebook; conversei com meus vizinhos; consultei a filha - veterinária sabe dessas coisas - sobre o que fazer e ela fez uma postagem com enorme repercussão no FB; imprimi uns cartazes e os distribuí pelo bairro. Um conhecido dispôs-se a correr o bairro comigo a perguntar por ela.
No dia seguinte, 5 dias depois de sumida, a Hilda voltou pra casa. Haviam-na achado a 3 quilômetros de casa e dado água, ração e atenção até acharem o proprietário - eu.
Logo após o retorno da fugitiva, voltei aos locais onde havia deixado os cartazes e pedi para retirá-los porque a cachorra havia sido encontrada. Sem exceção, todos deram suspiros de alívio, "graças a Deus!" fervorosos e efusivos "parabéns!", "que bom!". Uma jovem balconista de loja até me disse que havia sonhado com ela e se manifestou sinceramente feliz com o desfecho.
Nos dois dias seguintes, recebi dois telefonemas e um whatspp de pessoas que haviam visto um cão parecido com a Hilda e queriam me informar. Ao saberem do seu retorno sã e salva, cumprimentaram-me pelo fato e um até diss estar rezando por mim e pela Hilda.
A mesma coisa aconteceu no Facebook: as pessoas, algumas da quais nem me conhecem direito, deram vivas pelo meu reencontro feliz com minha cachorra.
O que isto quer dizer? Como interpretar esses gestos de solidariedade? Como pode um cão provocar reações de empatia incondicionais?
Sim, porque ninguém, em tempo algum, perguntou-me qual era minha religião, ninguém pediu-me antecedentes criminais, prova de heterossexualidade, minha opinião sobre a Dilma, o Corinthians ou o funk. Na verdade, pouco se lhe importava quem eu era, o que pensava, quais eram meus valores. O importante era que EU HAVIA PERDIDO A HILDA e isso sobrepunha-se a qualquer diferença que poderia haver entre nós. A preocupação pelo bem estar da Hilda nos fez todos irmãos.Quase sinto pena de tê-la achado...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Homogênea e Burra
Há
um movimento permanente no mundo natural em direção à multiplicidade.
Rochas, plantas e animais sofrem mutações constantes que empurram o
mundo rumo a uma maior diversidade. Ela é um forte suporte à manutenção da vida. Basta ver que os "vira-latas" são bem mais resistentes a doenças do que nossos cãezinhos com pedigree, certo?
Seria
de se esperar que o mesmo movimento rumo à diversidade fosse aceito e recebido pela
humanidade de forma natural, positiva e sem reservas. Afinal, contribui para a preservação da espécie humana.
Não
é assim que acontece em sociedade. Todos temos uma forte inclinação
para rechaçar o diferente e aderir ao igual, buscando sempre uma
homogeneidade que, em alguns casos, seja a ser insana.
Há
alguns anos escrevi um protesto contra a ditadura das cores nos
automóveis. Isso porque só se viam carros pretos ou nos diversos tons de cinza pelas
ruas, o que eu achava horroroso. E era difícil escapar, pois as
opções diferentes eram raras.
Bem,
tudo mudou e nada mudou.
Hoje,
o que mais se vê são automóveis brancos. Concordo que o branco
seja mais leve, claro, alegre que os famigerados tons de cinza que
imperavam há pouco. Mas precisa ser tudo branco!?!?
Ah,
se você pensa que o texto subentende uma aplicação em outras áreas
da vida social, está certíssimo...
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Desperdício
"The most wasted of all days is the one without laughter." - Cummings
"O dia mais desperdiçado de todos é aquele sem uma risada."
sábado, 4 de julho de 2015
O que me espanta
O que me espanta
O que me espanta não é o ódio destilado nas redes sociais
por todos os lados de qualquer assunto.
Não importa se vc é a favor ou contra, esquerda ou direita,
liberal ou conservador, coxinha ou petralha, crente ou ateu, roqueiro ou
funkeiro. As posições são defendidas com unhas e dentes virtuais e são sempre
questões que defendemos apaixonadamente.
O que me espanta não são o extremismo das posturas, a
veemência dos ataques a quem não compartilha 100% de nossa opinião, a
superficialidade das análises.
O que me espanta é que só existam, nas mentes e corações,
duas situações possíveis: certo ou errado; branco ou preto, comigo ou contra
mim. Se vc não faz parte do meu time, é meu adversário; se não é meu amigo, é
meu inimigo, se não concorda comigo é porque não merece minha consideração, se
não tem a minha fé é um infiel...
Isso é o que me espanta. Isso é o que me aterroriza. É disso
que eu tenho muito medo...
Porque ao eleger como meu adversário, meu inimigo, meu
opositor quem não partilha das minhas ideias, não tenho mais interesse nenhum
em conhece-lo mais, em saber suas ideias e pesar suas opiniões. Só desejo
eliminá-lo, despreza-lo, desmerece-lo.
A única sociedade possível nessa situação não é uma
democracia plural, e, sim, uma sociedade homogênea. É uma teocracia
absolutista, um regime autoritário unipartidário, uma ditadura fascista, coisa
assim.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Não deixe de ver!
Este documentário pode ajudá-lo a pensar no mundo em que vivemos e no mundo em que queremos - ou precisamos, se é que vamos sobreviver - viver e deixar para nossos netos...
É longo? É
É um documentário? É
É imprescindível? É!!!!
É longo? É
É um documentário? É
É imprescindível? É!!!!
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