Curioso.
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...
Um ser à procura de sua humanidade. Seja bem vindo, e fique à vontade para comentar!!!
quarta-feira, 1 de junho de 2016
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Edgar Morin: Capitalismo, Ecologia e Alimentação
"Com sua lógica de rentabilidade a curto prazo, as produções de monoculturas industrializadas não levam em conta os desastres climáticos, ambientais e sociais que em parte elas provocam.
Assim, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária industrializadas destrói as culturas de subsistência, reduz a biodiversidade, devasta florestas, degrada o solo. Esse desenvolvimento não somente provocou devastações ambientais consideráveis, entre elas a miséria, a exclusão, as migrações. Ele continua a promover a desertificação das zonas rurais e a morte dos camponeses; ele aumentou as desigualdades gritantes entre países ricos e países pobres.
...
Acrescenta-se a isso o neocolonialismo agrário, que, a partir de 2008, efetuou a compra massiva de terras no hemisfério Sul por empresas do Norte, a fim de satisfazer um consumo exterior... As terras se tornaram ativos rentáveis para os capitais das bolsas de valores. Em um ano, dezenas de milhões de hectares representando, por vezes, porcentagens elevadas dos países do Sul, passaram para o controle de alguns grandes grupos.
...
A transformação da terra em bem de mercado, por meio da captação de riquezas e de rendas, tornada lícita pelos contratos "voluntários" concluídos em uma relação desigual de forças financeiras, técnicas e jurídicas, acelera o desemprego por meio da mecanização, da proletarização, da migração e do desaparecimento irreversível da metade da humanidade rural e seus saberes.
...
Finalmente, a crise agrícola, que atinge sobretudo os camponeses desenraizados e habitantes do Sul, provém dos efeitos da mundialização de tripla face (globalização, desenvolvimento, ocidentalização), da expansão descontrolada da economia capitalista, com a extensão da agricultura industrializada e todas as suas consequências."
(Morin, Edgar, "A Via para o futuro da humanidade", ed. Bertrand Brasil, p 275 - 277.)
Assim, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária industrializadas destrói as culturas de subsistência, reduz a biodiversidade, devasta florestas, degrada o solo. Esse desenvolvimento não somente provocou devastações ambientais consideráveis, entre elas a miséria, a exclusão, as migrações. Ele continua a promover a desertificação das zonas rurais e a morte dos camponeses; ele aumentou as desigualdades gritantes entre países ricos e países pobres.
...
Acrescenta-se a isso o neocolonialismo agrário, que, a partir de 2008, efetuou a compra massiva de terras no hemisfério Sul por empresas do Norte, a fim de satisfazer um consumo exterior... As terras se tornaram ativos rentáveis para os capitais das bolsas de valores. Em um ano, dezenas de milhões de hectares representando, por vezes, porcentagens elevadas dos países do Sul, passaram para o controle de alguns grandes grupos.
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A transformação da terra em bem de mercado, por meio da captação de riquezas e de rendas, tornada lícita pelos contratos "voluntários" concluídos em uma relação desigual de forças financeiras, técnicas e jurídicas, acelera o desemprego por meio da mecanização, da proletarização, da migração e do desaparecimento irreversível da metade da humanidade rural e seus saberes.
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Finalmente, a crise agrícola, que atinge sobretudo os camponeses desenraizados e habitantes do Sul, provém dos efeitos da mundialização de tripla face (globalização, desenvolvimento, ocidentalização), da expansão descontrolada da economia capitalista, com a extensão da agricultura industrializada e todas as suas consequências."
(Morin, Edgar, "A Via para o futuro da humanidade", ed. Bertrand Brasil, p 275 - 277.)
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Fala Edgar Morin:
"Atualmente, a África importa um terço de suas necessidades [alimentares]. A explicação encontra-se na política dos países que favorecem as exportações agrícolas em detrimento de sua soberania alimentar, que permitiria alimentar sua população de maneira autônoma, principalmente em cereais. Em consequência, o trigo de baixo preço, originário de países que subvencionam sua produção cerealista (França, EUA), e que substitui o mileto, o sorgo, a mandioca, extingue as produções indígenas. No meio agrícola, essa política se traduz pela eliminação dos recursos dos pequenos agricultores que praticam uma agricultura de subsistência, em benefício dos agroinvestidores, os quais, por sua vez, preferem trabalhar prioritariamente para o mercado internacional, com apoio dos governos que buscam divisas estrangeiras... a industrialização agrícola desenfreada provoca a degradação acelerada da terra, da água e o rápido empobrecimento da biodiversidade. Pior ainda: a concorrência desigual na exploração dos recursos agrava o processo de empobrecimento e de exclusão de milhões de famílias de pequenos agricultores rurais..."(Morin, Edgar "A Via para o futuro da humanidade" ed. Bertrand Brasil, p 273, 274)
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Delicadeza, sensibilidade, emoção... Ryuichi Sakamoto
Pequena homenagem a David Bowie, protagonista do filme da qual essa música belíssima é premiada trilha sonora:
terça-feira, 19 de abril de 2016
Por que o Congresso é essa M*???
Estamos todos - pelo "sim" e pelo "não" - horrorizados com o comportamento do Congresso na sessão que aceitou o processo de impeachment.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.
Muitos falam que esse Congresso é apenas o reflexo da sociedade que o elegeu.Concordo e discordo.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
NENHUM.E sabe por que? Porque se ele não "entrar na jogada", não participar das "manobras", não fizer o que os carreiristas e vendidos quiserem, ele, por melhor que seja, nunca aprovará medida alguma, nunca fará parte de comissão importante, nem terá seu nome pronunciado em plenário. E, claro, nunca subirá no palanque. Será jogado às traças, será um zero à esquerda. Há alguns por aí.
Deixe-me repetir: N-E-N-H-U-M.
Qual a solução para esse problema?Não é uma, são muitas soluções. Todas passam por uma profunda reforma política.
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.
sábado, 16 de abril de 2016
E Sonhos Não Envelhecem...
Tenho hoje, aos 64 anos, os mesmos sonhos que tinha há 50 anos.
Não os sonhos devaneios, os sonhos adolescentes, infantis, diáfanos, insubstanciados.
Mas os sonhos mesmo, aqueles desejos ardentes, profundos, de moldar a vida, moldar o mundo, os sonhos divinos...
Sabem por que? Porque Sonhos Não Envelhecem...
Não os sonhos devaneios, os sonhos adolescentes, infantis, diáfanos, insubstanciados.
Mas os sonhos mesmo, aqueles desejos ardentes, profundos, de moldar a vida, moldar o mundo, os sonhos divinos...
Sabem por que? Porque Sonhos Não Envelhecem...
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Vivo por...
Alguém já disse que ninguém vive para si, nem morre para si...
Caso seja verdade, a questão se resume a: Viver (e morrer) por quem (ou por o quê).
Alguns vivem por uma pessoa, outros vivem por um ideal e estes podem ser mais ou menos merecedores dessa dedicação.
Se você sabe por o quê ou quem vive, e está seguro de que vale a pena viver e morrer por isso, esta música é para você ouvir e cantar.
Basta substituir "Lei" (ela, em italiano) pelo objeto da sua dedicação.
E que o fervor com que essa canção linda é maravilhosamente interpretada sirva também como oportunidade de analisar e avaliar se, realmente, vale a pena viver por...
Caso seja verdade, a questão se resume a: Viver (e morrer) por quem (ou por o quê).
Alguns vivem por uma pessoa, outros vivem por um ideal e estes podem ser mais ou menos merecedores dessa dedicação.
Se você sabe por o quê ou quem vive, e está seguro de que vale a pena viver e morrer por isso, esta música é para você ouvir e cantar.
Basta substituir "Lei" (ela, em italiano) pelo objeto da sua dedicação.
E que o fervor com que essa canção linda é maravilhosamente interpretada sirva também como oportunidade de analisar e avaliar se, realmente, vale a pena viver por...
quinta-feira, 7 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
O Centro do Mundo - Milton Campos
“O que nós estamos vivendo hoje, é que o homem deixou de ser o centro do mundo. O centro do mundo hoje é o dinheiro, mas o dinheiro no estado puro. O dinheiro em estado puro só é o centro do mundo por causa dessa geopolítica que se instalou, proposta pelos economistas e imposta pela mídia.”("O Mundo Global Visto do Lado de Cá", documentário de Silvio Tendler, de 2002)
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Todos Esses Anos... / All Those Years Ago...
"Grito sempre sobre o amor
Enquanto te tratam feito cachorro
Quando foi você que deixou tudo bem claro
Todos esses anos...
Estou falando sobre como doar
Eles não agem com muita honestidade
Mas você apontou o caminho para a Verdade quando disse
'Tudo que você precisa é Amor'
Vivendo com o bem e o mal
Sempre te admirei e respeitei
Agora fomos deixados frios e tristes
Por alguém, o melhor amigo do diabo
Alguém que a todos ofendeu
Vivemos um sonho ruim
Esqueceram-se completamente da humanidade
E você foi quem eles deixaram contra a parede
Todos esses anos...
Na profundeza na noite mais escura
Eu mando uma oração pra você
Agora no mundo de luz
Onde o espírito se liberta das mentiras
E de tudo o mais que desprezamos
Esqueceram-se de Deus
Ele é a razão de existirmos
No entanto, você foi quem eles disseram que era o esquisito
Todos esse anos...
Você disse tudo apesar de poucos terem ouvido
Todos esses anos...
Você tinha o controle sobre nosso sorriso e lágrimas
Todos esses anos...
All those years ago..."
(Para John Lennon,
com carinho
de George Harrison)
Enquanto te tratam feito cachorro
Quando foi você que deixou tudo bem claro
Todos esses anos...
Estou falando sobre como doar
Eles não agem com muita honestidade
Mas você apontou o caminho para a Verdade quando disse
'Tudo que você precisa é Amor'
Vivendo com o bem e o mal
Sempre te admirei e respeitei
Agora fomos deixados frios e tristes
Por alguém, o melhor amigo do diabo
Alguém que a todos ofendeu
Vivemos um sonho ruim
Esqueceram-se completamente da humanidade
E você foi quem eles deixaram contra a parede
Todos esses anos...
Na profundeza na noite mais escura
Eu mando uma oração pra você
Agora no mundo de luz
Onde o espírito se liberta das mentiras
E de tudo o mais que desprezamos
Esqueceram-se de Deus
Ele é a razão de existirmos
No entanto, você foi quem eles disseram que era o esquisito
Todos esse anos...
Você disse tudo apesar de poucos terem ouvido
Todos esses anos...
Você tinha o controle sobre nosso sorriso e lágrimas
Todos esses anos...
All those years ago..."
(Para John Lennon,
com carinho
de George Harrison)
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