quarta-feira, 20 de julho de 2016

Um pouco de Eduardo Marinho

"As falcatruas por trás das ações do estado e de empresas interessadas podem ser sentidas no ar, nos procedimentos, uma sociedade cujos poderes públicos são na prática privatizados e a hipocrisia é o lugar comum no trato com a população... ...como todo poder dito “público”, ávidos por “autorizações” e taxas, no vício de arrancar dinheiro da gente, sem contrapartida com o cumprimento nem da própria constituição. Um poder público que não merece nem o próprio nome, sempre aplicado ao atendimento dos interesses de poucos, os financiadores de campanhas eleitorais, e em enganar a população. Não pagaremos pra expor, nem ganhamos o suficiente pra isso, pois nos aplicamos em pagar as próprias contas, com dificuldade mas com persistência pra não se render aos valores e comportamentos vigorantes nesta sociedade criminosa, que abandona e sabota grande parte das pessoas – a miséria, a exploração, a ignorância, a desinformação são crimes sociais tão cotidianos que estão absurdamente naturalizados, quando ninguém devia se conformar com isso. Assim como ninguém deveria se conformar com uma vida sem sentido que gira em torno do consumo e da posse material, valorizando o desenvolvimento tecnológico, mas não o desenvolvimento moral pra tratar com ele, o que dá origem à escandalosa concentração de renda e propriedade e à consequente carência, criminalidade e violência. A violência do Estado é a mãe de todas as violências. E a vida imposta é a origem maior das frustrações existenciais. Essa é a base do meu trabalho. Escrito, desenhado e falado." - 

Eduardo Marinho em seu blogue "Observar e Absorver"

terça-feira, 7 de junho de 2016

Observações de um Turista distraído - Londres

Movido pelo desejo de visitar minha sobrinha e seu marido recém instalados em Londres para um período de 4 anos, e pelo incontrolável impulso de viajar (este, sei que partilho com alguns de vocês também) fomos, pela primeira vez, para as Ilhas Britânicas.
Meados de maio supostamente é plena primavera e contávamos com um clima ameno.
Os planos incluíam uma viagem à Escócia, país que seduziu meus filhos quando tiveram chance de visita-lo. Também queríamos muito conhecer Cambridge, a cidade universitária onde estudaram C. S. Lewis e meu amigo Paul Freston.
A viagem via Madrid (para economizar) foi tranquila, perturbada apenas pelo fato inusitado de vários dos filmes disponíveis terem apenas legendas em chinês (!!!), o que nos forçada a ouvir com muita atenção o inglês ou espanhol originais... possível, mas cansativo.
Londres é uma cidade sedutora. Não tem o charme de Paris, a beleza natural do Rio ou o sex-appeal de Roma, mas é também uma cidade maravilhosa.
Duas fortes impressões sobre a arquitetura da cidade: 1- a grandiosidade dos edifícios (tanto antigos quanto novos) e 2- a amplitude e quantidade de parques (não é só o Hyde Park! São muitos!).
Duas fortes impressões sobre as vias da cidade: 1- a mão à esquerda é uma insanidade! 2- a quantidade de linhas de transporte público (trem, metrô e ônibus) é tão grande que parece feita para uma cidade maior do que Londres realmente é.
Duas coisas boas e valiosas: 1- o sistema de saúde público é onipresente e funciona! Não tem a concorrência de "planos de saúde" (esses sanguessugas!), nem a sofisticação da medicina americana, mas está presente no cotidiano da vida inglesa mesmo depois de muitos anos de governo conservador (Tatcher e Cameron), que tentaram, sem sucesso, demoli-lo... 2- os museus, com raras exceções, são gratuitos!!! (uma delícia poder ver tudo com calma, sabendo que se desejar, pode-se retornar quantas vezes quiser!).
Duas surpresas agradáveis: 1- é mentira que o inglês só sabe de gastronomia internacional porque não tem culinária local, se bem que não são pratos sofisticados, os ingleses tem o popular "fish & fries" - um prato de peixe empanado, com fritas que não são iguais às do McDonald's, não - e tem também o "Sunday Roast" - a comida de domingo, muito saborosa - e as "pies" - as tortas deliciosas, salgadas e doces, que experimentamos num restaurante em Greenwich com mais de 1 século de existência. 2- o famoso Tate Modern, um dos museus de arte moderna mais importantes do mundo tem várias obras de artistas brasileiros, inclusive uma sala exclusiva para Cildo Meireles... um orgulho para nós brasileiros!
E tem mais... que fica para a próxima postagem... até lá!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Cem mil, em dez anos, sem perceber

Curioso.
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Edgar Morin: Capitalismo, Ecologia e Alimentação

"Com sua lógica de rentabilidade a curto prazo, as produções de monoculturas industrializadas não levam em conta os desastres climáticos, ambientais e sociais que em parte elas provocam.
Assim, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária industrializadas destrói as culturas de subsistência, reduz a biodiversidade, devasta florestas, degrada o solo. Esse desenvolvimento não somente provocou devastações ambientais consideráveis, entre elas a miséria, a exclusão, as migrações. Ele continua a promover a desertificação das zonas rurais e a morte dos camponeses; ele aumentou as desigualdades gritantes entre países ricos e países pobres.
...
Acrescenta-se a isso o neocolonialismo agrário, que, a partir de 2008, efetuou a compra massiva de terras no hemisfério Sul por empresas do Norte, a fim de satisfazer um consumo exterior... As terras se tornaram ativos rentáveis para os capitais das bolsas de valores. Em um ano, dezenas de milhões de hectares representando, por vezes, porcentagens elevadas dos países do Sul, passaram para o controle de alguns grandes grupos.
...
A transformação da terra em bem de mercado, por meio da captação de riquezas e de rendas, tornada lícita pelos contratos "voluntários" concluídos em uma relação desigual de forças financeiras, técnicas e jurídicas, acelera o desemprego por meio da mecanização, da proletarização, da migração e do desaparecimento irreversível da metade da humanidade rural e seus saberes.
...
Finalmente, a crise agrícola, que atinge sobretudo os camponeses desenraizados e habitantes do Sul, provém dos efeitos da mundialização de tripla face (globalização, desenvolvimento, ocidentalização), da expansão descontrolada da economia capitalista, com a extensão da agricultura industrializada e todas as suas consequências."

(Morin, Edgar, "A Via para o futuro da humanidade", ed. Bertrand Brasil, p 275 - 277.)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Fala Edgar Morin:

"Atualmente, a África importa um terço de suas necessidades [alimentares]. A explicação encontra-se na política dos países que favorecem as exportações agrícolas em detrimento de sua soberania alimentar, que permitiria alimentar sua população de maneira autônoma, principalmente em cereais. Em consequência, o trigo de baixo preço, originário de países que subvencionam sua produção cerealista (França, EUA), e que substitui o mileto, o sorgo, a mandioca, extingue as produções indígenas. No meio agrícola, essa política se traduz pela eliminação dos recursos dos pequenos agricultores que praticam uma agricultura de subsistência, em benefício dos agroinvestidores, os quais, por sua vez, preferem trabalhar prioritariamente para o mercado internacional, com apoio dos governos que buscam divisas estrangeiras... a industrialização agrícola desenfreada provoca a degradação acelerada da terra, da água e o rápido empobrecimento da biodiversidade. Pior ainda: a concorrência desigual na exploração dos recursos agrava o processo de empobrecimento e de exclusão de milhões de famílias de pequenos agricultores rurais..."
(Morin, Edgar "A Via para o futuro da humanidade" ed. Bertrand Brasil, p 273, 274)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Por que o Congresso é essa M*???

Estamos todos - pelo "sim" e pelo "não" - horrorizados com o comportamento do Congresso na sessão que aceitou o processo de impeachment.
Muitos falam que esse Congresso é apenas o reflexo da sociedade que o elegeu.
Concordo e discordo.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
NENHUM.
Deixe-me repetir: N-E-N-H-U-M.
E sabe por que? Porque se ele não "entrar na jogada", não participar das "manobras", não fizer o que os carreiristas e vendidos quiserem, ele, por melhor que seja, nunca aprovará medida alguma, nunca fará parte de comissão importante, nem terá seu nome pronunciado em plenário. E, claro, nunca subirá no palanque. Será jogado às traças, será um zero à esquerda. Há alguns por aí.
Qual a solução para esse problema?
Não é uma, são muitas soluções. Todas passam por uma profunda reforma política.
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.

sábado, 16 de abril de 2016

E Sonhos Não Envelhecem...

Tenho hoje, aos 64 anos, os mesmos sonhos que tinha há 50 anos.

Não os sonhos devaneios, os sonhos adolescentes, infantis, diáfanos, insubstanciados.
Mas os sonhos mesmo, aqueles desejos ardentes, profundos, de moldar a vida, moldar o mundo, os sonhos divinos...

Sabem por que? Porque Sonhos Não Envelhecem...

 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Vivo por...

Alguém já disse que ninguém vive para si, nem morre para si...
Caso seja verdade, a questão se resume a: Viver (e morrer) por quem (ou por o quê).
Alguns vivem por uma pessoa, outros vivem por um ideal e estes podem ser mais ou menos merecedores dessa dedicação.
Se você sabe por o quê ou quem vive, e está seguro de que vale a pena viver e morrer por isso, esta música é para você ouvir e cantar.
Basta substituir "Lei" (ela, em italiano) pelo objeto da sua dedicação.
E que o fervor com que essa canção linda é maravilhosamente interpretada sirva também como oportunidade de analisar e avaliar se, realmente, vale a pena viver por...