Wear
Sunscreen
Um ser à procura de sua humanidade. Seja bem vindo, e fique à vontade para comentar!!!
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Como ouvir quando você discorda
Ela me olhava apenas.
Tinha algo a dizer, e eu podia ver que ela estava curiosa sobre o cartaz "Free Listening" [algo tipo, Sou todo Ouvidos], mas não parecia ter a coragem para falar comigo.
Ainda.
Então, esperei. Nenhum lugar para ir e o dia todo para chegar.
Fazia calor lá fora.
Finalmente, ela andou em minha direção, como um jovem guerreiro preparando-se para batalha, e disse:
Ela era diferente.
Não havia um circo aqui.
Ela estava curiosa.
Há poucas horas como um Free Listening na Convenção e a maior parte das pessoas falaram comigo sobre suas famílias, seus empregos e as coisas que os haviam levado à Convenção. Ninguém havia se aberto sobre uma questão séria e controversa.
Mas lá estava ela.
Estava quente lá fora.
Convenhamos, o ruído está alto lá fora.
Parece que todos tem algo a dizer e um lugar para fazê-lo. Nosso feed do Facebook está cheio de artigos, postagens e imagens de todo tipo de pessoa. Para alguns de nós, isto é difícil de gerenciar, então eliminamos de quem discordamos até que nosso feed pareça-se mais com uma caixa de ressonância de nossos próprios pensamentos.
Se não formos cuidadosos, passaremos a tratar as pessoas da mesma forma.
Eliminar quem discorda de nós até ficarmos cercados de pessoas iguais a nós.
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Mas, sei o que você está pensando:
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Se há uma pergunta que me fazem mais do que qualquer outra é esta:
Como ouvir alguém quando você discorda dela?
Há várias formas de responder. Precisa de muito perdão, compaixão, paciência, e coragem para ouvir na cara o que discorda. Posso escrever páginas sobre cada um desses princípios, mas comecemos com aquilo que faz possível o perdão, a compaixão, a paciência e a coragem.
Devemos nos esforçar para ouvir a outra pessoa, não apenas sua opinião.
Meu amigo, Agape, diz algo como:
Tal como as raízes de uma árvore, nossas histórias, que podem criar nossos crenças, são totalmente únicas, e também conectadas. É através da história que podemos encontrar um espaço comum suficiente para coexistir frente a uma grande, e frequentemente necessária, tensão.
Quando você se encontra em desacordo com alguém, faça apenas uma pergunta:
Então, quando ela me disse que eles deveriam ser presos por interromper uma gravidez, o fogo familiar da discordância começou a queimar no meu peito.
Havia tantas coisas que eu queria dizer.
Queria mudar sua cabeça, argumentar, discordar. É a reação natural. Mas, se minha história me levou às minhas crenças, então preciso saber como sua história a levou às suas convicções.
Ela pareceu surpresa com meu interesse.
“Por que? Não importa. Seu cartaz diz "Sou todo ouvido, então lhe dei algo para ouvir.”
“Dê-me mais para ouvir.”
“Deviam ser presos! Está errado. Não é certo sair e dormir com alguém, e aí apenas um vácuo como resultado, como se nada tivesse acontecido.”
Algumas vezes não há nada para se "discordar".
Quem sabe, um dia, ela ouvirá minha história. Mas hoje era minha vez de ouvir a dela.
Tinha algo a dizer, e eu podia ver que ela estava curiosa sobre o cartaz "Free Listening" [algo tipo, Sou todo Ouvidos], mas não parecia ter a coragem para falar comigo.
Ainda.
Então, esperei. Nenhum lugar para ir e o dia todo para chegar.
Fazia calor lá fora.
Finalmente, ela andou em minha direção, como um jovem guerreiro preparando-se para batalha, e disse:
“Não costumo fazer isso, e sei que esse não é mais um tópico do momento… mas acho aborto errado. Não é uma forma de controle da natalidade, e as pessoas que fazem deviam ser presas por homicídio."A maior parte dos protestos na Convenção do Partido Republicano em Cleveland gritava contra ou a favor Donald Trump—tudo parte deste lindo circo da livre expressão.
Ela era diferente.
Não havia um circo aqui.
Ela estava curiosa.
Há poucas horas como um Free Listening na Convenção e a maior parte das pessoas falaram comigo sobre suas famílias, seus empregos e as coisas que os haviam levado à Convenção. Ninguém havia se aberto sobre uma questão séria e controversa.
Mas lá estava ela.
Estava quente lá fora.
Convenhamos, o ruído está alto lá fora.
Parece que todos tem algo a dizer e um lugar para fazê-lo. Nosso feed do Facebook está cheio de artigos, postagens e imagens de todo tipo de pessoa. Para alguns de nós, isto é difícil de gerenciar, então eliminamos de quem discordamos até que nosso feed pareça-se mais com uma caixa de ressonância de nossos próprios pensamentos.
Se não formos cuidadosos, passaremos a tratar as pessoas da mesma forma.
Eliminar quem discorda de nós até ficarmos cercados de pessoas iguais a nós.
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Mas, sei o que você está pensando:
“É meu, vou bloquear quem eu quiser. Eu não preciso ser ofendido. Não tenho tempo para isso. a vida é muito curta. Quero ver só o que eu quiser.”Se não formos cuidadosos, passaremos a tratar as pessoas da mesma forma.
E aí nos perguntamos por que estamos tão divididos.
Se há uma pergunta que me fazem mais do que qualquer outra é esta:
Como ouvir alguém quando você discorda dela?
Há várias formas de responder. Precisa de muito perdão, compaixão, paciência, e coragem para ouvir na cara o que discorda. Posso escrever páginas sobre cada um desses princípios, mas comecemos com aquilo que faz possível o perdão, a compaixão, a paciência e a coragem.
Devemos nos esforçar para ouvir a outra pessoa, não apenas sua opinião.
Meu amigo, Agape, diz algo como:
Ouça a Biografia, não a ideologia.Quando alguém tem um ponto de vista difícil de aceitar, desagradável, ou mesmo ofensivo, devemos olhar para o conjunto de circunstâncias que a pessoa passou que resultaram naquele ponto de vista. Consiga sua história, sua biografia, e você conseguirá uma possibilidade real de compreensão que transcende a discórdia.
Tal como as raízes de uma árvore, nossas histórias, que podem criar nossos crenças, são totalmente únicas, e também conectadas. É através da história que podemos encontrar um espaço comum suficiente para coexistir frente a uma grande, e frequentemente necessária, tensão.
Quando você se encontra em desacordo com alguém, faça apenas uma pergunta:
“Você me conta a sua história? Adoraria saber como você chegou a este ponto de vista.”Ao falar sobre suas crenças sobre o aborto, eu queria interrompê-la e contar a minha história. Acompanhei duas pessoas amadas enquanto sofriam pela difícil decisão e consequências de terminar uma gravidez. Foi uma experiência humana brutal, e me deu uma visão de algo que nunca esperei testemunhar. Em momentos como aqueles, "escolha" não parece ser a palavra correta.
Então, quando ela me disse que eles deveriam ser presos por interromper uma gravidez, o fogo familiar da discordância começou a queimar no meu peito.
Havia tantas coisas que eu queria dizer.
Queria mudar sua cabeça, argumentar, discordar. É a reação natural. Mas, se minha história me levou às minhas crenças, então preciso saber como sua história a levou às suas convicções.
"Quando você ouve, pode aprender algo novo” — Dalai Lama“Obrigado por compartilhar isso comigo. Conte-me sua história! Gostaria muito de saber como você chegou a esta conclusão.”
Ela pareceu surpresa com meu interesse.
“Por que? Não importa. Seu cartaz diz "Sou todo ouvido, então lhe dei algo para ouvir.”
“Dê-me mais para ouvir.”
“Deviam ser presos! Está errado. Não é certo sair e dormir com alguém, e aí apenas um vácuo como resultado, como se nada tivesse acontecido.”
Fez uma pausa... e inalou o mundo inteiro.“E não é justo. Tudo que eu sempre quis foi ser mãe. Toda minha vida soube que tinha sido feita para ser mãe. Então, quando tinha 18 anos —18!— o médico me disse que eu nunca teria filhos. Meus ovários eram defeituosos ou ausentes... não importa. Mantive segredo e quando meu marido descobriu, abandonou-me. Estou só, meu corpo não funciona, estou velha... ninguém jamais vai me amar…”
Fiquei a imaginar se ela teria ouvido meu coração partir-se.“…portanto, imagino que me aborreço quando vejo gente que pode ficar grávida, que pode ter filhos, cujos corpos funcionam… que podem ser mães… e apenas escolhem não ser…”
Algumas vezes não há nada para se "discordar".
Eu não precisava estar certo. Eu precisava apenas estar ali.Ela enxugou as lágrimas. deu-me um abraço e agradeceu por tê-la ouvido. Expirou e caminhou de volta para a o circo da Convenção Republicana.
Quem sabe, um dia, ela ouvirá minha história. Mas hoje era minha vez de ouvir a dela.
Espero que ela tenha se sentido amada.Na verdade, se nosso amor puder dar espaço para o paradoxo, tensão e desacordo, há espaço para todos os tipos de crenças e opiniões.
A divisão é uma escolha.A vida não é um feed do Facebook. Nosso amor, nossa escuta deve trazer para junto, não lançar para fora. Arrisque-se a ouvir, arrisque-se a ficar quieto, arrisque-se a compreender; no fim, são as pessoas, e não suas ideias, que devemos amar.
Como você ouve alguém quando discorda do que esta sendo dito?
(Tradução do texto em inglês publicado AQUI)
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Um pouco de Eduardo Marinho
"As falcatruas por trás das ações do estado e de empresas interessadas
podem ser sentidas no ar, nos procedimentos, uma sociedade cujos poderes
públicos são na prática privatizados e a hipocrisia é o lugar comum no
trato com a população... ...como todo
poder dito “público”, ávidos por “autorizações” e taxas, no vício de arrancar
dinheiro da gente, sem contrapartida com o cumprimento nem da própria
constituição. Um poder público que não merece nem o próprio nome, sempre
aplicado ao atendimento dos interesses de poucos, os financiadores de campanhas
eleitorais, e em enganar a população. Não pagaremos pra expor, nem ganhamos o
suficiente pra isso, pois nos aplicamos em pagar as próprias contas, com
dificuldade mas com persistência pra não se render aos valores e comportamentos
vigorantes nesta sociedade criminosa, que abandona e sabota grande parte das
pessoas – a miséria, a exploração, a ignorância, a desinformação são crimes
sociais tão cotidianos que estão absurdamente naturalizados, quando ninguém
devia se conformar com isso. Assim como ninguém deveria se conformar com uma
vida sem sentido que gira em torno do consumo e da posse material, valorizando
o desenvolvimento tecnológico, mas não o desenvolvimento moral pra tratar com
ele, o que dá origem à escandalosa concentração de renda e propriedade e à
consequente carência, criminalidade e violência. A violência do Estado é a mãe
de todas as violências. E a vida imposta é a origem maior das frustrações
existenciais. Essa é a base do meu trabalho. Escrito, desenhado e falado." -
Eduardo Marinho em seu blogue "Observar e Absorver"
Eduardo Marinho em seu blogue "Observar e Absorver"
terça-feira, 5 de julho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
Observações de um Turista distraído - Londres
Movido pelo desejo de visitar minha sobrinha e seu marido recém instalados em Londres para um período de 4 anos, e pelo incontrolável impulso de viajar (este, sei que partilho com alguns de vocês também) fomos, pela primeira vez, para as Ilhas Britânicas.
Meados de maio supostamente é plena primavera e contávamos com um clima ameno.
Os planos incluíam uma viagem à Escócia, país que seduziu meus filhos quando tiveram chance de visita-lo. Também queríamos muito conhecer Cambridge, a cidade universitária onde estudaram C. S. Lewis e meu amigo Paul Freston.
A viagem via Madrid (para economizar) foi tranquila, perturbada apenas pelo fato inusitado de vários dos filmes disponíveis terem apenas legendas em chinês (!!!), o que nos forçada a ouvir com muita atenção o inglês ou espanhol originais... possível, mas cansativo.
Londres é uma cidade sedutora. Não tem o charme de Paris, a beleza natural do Rio ou o sex-appeal de Roma, mas é também uma cidade maravilhosa.
Duas fortes impressões sobre a arquitetura da cidade: 1- a grandiosidade dos edifícios (tanto antigos quanto novos) e 2- a amplitude e quantidade de parques (não é só o Hyde Park! São muitos!).
Duas fortes impressões sobre as vias da cidade: 1- a mão à esquerda é uma insanidade! 2- a quantidade de linhas de transporte público (trem, metrô e ônibus) é tão grande que parece feita para uma cidade maior do que Londres realmente é.
Duas coisas boas e valiosas: 1- o sistema de saúde público é onipresente e funciona! Não tem a concorrência de "planos de saúde" (esses sanguessugas!), nem a sofisticação da medicina americana, mas está presente no cotidiano da vida inglesa mesmo depois de muitos anos de governo conservador (Tatcher e Cameron), que tentaram, sem sucesso, demoli-lo... 2- os museus, com raras exceções, são gratuitos!!! (uma delícia poder ver tudo com calma, sabendo que se desejar, pode-se retornar quantas vezes quiser!).
Duas surpresas agradáveis: 1- é mentira que o inglês só sabe de gastronomia internacional porque não tem culinária local, se bem que não são pratos sofisticados, os ingleses tem o popular "fish & fries" - um prato de peixe empanado, com fritas que não são iguais às do McDonald's, não - e tem também o "Sunday Roast" - a comida de domingo, muito saborosa - e as "pies" - as tortas deliciosas, salgadas e doces, que experimentamos num restaurante em Greenwich com mais de 1 século de existência. 2- o famoso Tate Modern, um dos museus de arte moderna mais importantes do mundo tem várias obras de artistas brasileiros, inclusive uma sala exclusiva para Cildo Meireles... um orgulho para nós brasileiros!
E tem mais... que fica para a próxima postagem... até lá!
Meados de maio supostamente é plena primavera e contávamos com um clima ameno.
Os planos incluíam uma viagem à Escócia, país que seduziu meus filhos quando tiveram chance de visita-lo. Também queríamos muito conhecer Cambridge, a cidade universitária onde estudaram C. S. Lewis e meu amigo Paul Freston.
A viagem via Madrid (para economizar) foi tranquila, perturbada apenas pelo fato inusitado de vários dos filmes disponíveis terem apenas legendas em chinês (!!!), o que nos forçada a ouvir com muita atenção o inglês ou espanhol originais... possível, mas cansativo.
Londres é uma cidade sedutora. Não tem o charme de Paris, a beleza natural do Rio ou o sex-appeal de Roma, mas é também uma cidade maravilhosa.
Duas fortes impressões sobre a arquitetura da cidade: 1- a grandiosidade dos edifícios (tanto antigos quanto novos) e 2- a amplitude e quantidade de parques (não é só o Hyde Park! São muitos!).
Duas fortes impressões sobre as vias da cidade: 1- a mão à esquerda é uma insanidade! 2- a quantidade de linhas de transporte público (trem, metrô e ônibus) é tão grande que parece feita para uma cidade maior do que Londres realmente é.
Duas coisas boas e valiosas: 1- o sistema de saúde público é onipresente e funciona! Não tem a concorrência de "planos de saúde" (esses sanguessugas!), nem a sofisticação da medicina americana, mas está presente no cotidiano da vida inglesa mesmo depois de muitos anos de governo conservador (Tatcher e Cameron), que tentaram, sem sucesso, demoli-lo... 2- os museus, com raras exceções, são gratuitos!!! (uma delícia poder ver tudo com calma, sabendo que se desejar, pode-se retornar quantas vezes quiser!).
Duas surpresas agradáveis: 1- é mentira que o inglês só sabe de gastronomia internacional porque não tem culinária local, se bem que não são pratos sofisticados, os ingleses tem o popular "fish & fries" - um prato de peixe empanado, com fritas que não são iguais às do McDonald's, não - e tem também o "Sunday Roast" - a comida de domingo, muito saborosa - e as "pies" - as tortas deliciosas, salgadas e doces, que experimentamos num restaurante em Greenwich com mais de 1 século de existência. 2- o famoso Tate Modern, um dos museus de arte moderna mais importantes do mundo tem várias obras de artistas brasileiros, inclusive uma sala exclusiva para Cildo Meireles... um orgulho para nós brasileiros!
E tem mais... que fica para a próxima postagem... até lá!
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Cem mil, em dez anos, sem perceber
Curioso.
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Edgar Morin: Capitalismo, Ecologia e Alimentação
"Com sua lógica de rentabilidade a curto prazo, as produções de monoculturas industrializadas não levam em conta os desastres climáticos, ambientais e sociais que em parte elas provocam.
Assim, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária industrializadas destrói as culturas de subsistência, reduz a biodiversidade, devasta florestas, degrada o solo. Esse desenvolvimento não somente provocou devastações ambientais consideráveis, entre elas a miséria, a exclusão, as migrações. Ele continua a promover a desertificação das zonas rurais e a morte dos camponeses; ele aumentou as desigualdades gritantes entre países ricos e países pobres.
...
Acrescenta-se a isso o neocolonialismo agrário, que, a partir de 2008, efetuou a compra massiva de terras no hemisfério Sul por empresas do Norte, a fim de satisfazer um consumo exterior... As terras se tornaram ativos rentáveis para os capitais das bolsas de valores. Em um ano, dezenas de milhões de hectares representando, por vezes, porcentagens elevadas dos países do Sul, passaram para o controle de alguns grandes grupos.
...
A transformação da terra em bem de mercado, por meio da captação de riquezas e de rendas, tornada lícita pelos contratos "voluntários" concluídos em uma relação desigual de forças financeiras, técnicas e jurídicas, acelera o desemprego por meio da mecanização, da proletarização, da migração e do desaparecimento irreversível da metade da humanidade rural e seus saberes.
...
Finalmente, a crise agrícola, que atinge sobretudo os camponeses desenraizados e habitantes do Sul, provém dos efeitos da mundialização de tripla face (globalização, desenvolvimento, ocidentalização), da expansão descontrolada da economia capitalista, com a extensão da agricultura industrializada e todas as suas consequências."
(Morin, Edgar, "A Via para o futuro da humanidade", ed. Bertrand Brasil, p 275 - 277.)
Assim, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária industrializadas destrói as culturas de subsistência, reduz a biodiversidade, devasta florestas, degrada o solo. Esse desenvolvimento não somente provocou devastações ambientais consideráveis, entre elas a miséria, a exclusão, as migrações. Ele continua a promover a desertificação das zonas rurais e a morte dos camponeses; ele aumentou as desigualdades gritantes entre países ricos e países pobres.
...
Acrescenta-se a isso o neocolonialismo agrário, que, a partir de 2008, efetuou a compra massiva de terras no hemisfério Sul por empresas do Norte, a fim de satisfazer um consumo exterior... As terras se tornaram ativos rentáveis para os capitais das bolsas de valores. Em um ano, dezenas de milhões de hectares representando, por vezes, porcentagens elevadas dos países do Sul, passaram para o controle de alguns grandes grupos.
...
A transformação da terra em bem de mercado, por meio da captação de riquezas e de rendas, tornada lícita pelos contratos "voluntários" concluídos em uma relação desigual de forças financeiras, técnicas e jurídicas, acelera o desemprego por meio da mecanização, da proletarização, da migração e do desaparecimento irreversível da metade da humanidade rural e seus saberes.
...
Finalmente, a crise agrícola, que atinge sobretudo os camponeses desenraizados e habitantes do Sul, provém dos efeitos da mundialização de tripla face (globalização, desenvolvimento, ocidentalização), da expansão descontrolada da economia capitalista, com a extensão da agricultura industrializada e todas as suas consequências."
(Morin, Edgar, "A Via para o futuro da humanidade", ed. Bertrand Brasil, p 275 - 277.)
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Fala Edgar Morin:
"Atualmente, a África importa um terço de suas necessidades [alimentares]. A explicação encontra-se na política dos países que favorecem as exportações agrícolas em detrimento de sua soberania alimentar, que permitiria alimentar sua população de maneira autônoma, principalmente em cereais. Em consequência, o trigo de baixo preço, originário de países que subvencionam sua produção cerealista (França, EUA), e que substitui o mileto, o sorgo, a mandioca, extingue as produções indígenas. No meio agrícola, essa política se traduz pela eliminação dos recursos dos pequenos agricultores que praticam uma agricultura de subsistência, em benefício dos agroinvestidores, os quais, por sua vez, preferem trabalhar prioritariamente para o mercado internacional, com apoio dos governos que buscam divisas estrangeiras... a industrialização agrícola desenfreada provoca a degradação acelerada da terra, da água e o rápido empobrecimento da biodiversidade. Pior ainda: a concorrência desigual na exploração dos recursos agrava o processo de empobrecimento e de exclusão de milhões de famílias de pequenos agricultores rurais..."(Morin, Edgar "A Via para o futuro da humanidade" ed. Bertrand Brasil, p 273, 274)
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Delicadeza, sensibilidade, emoção... Ryuichi Sakamoto
Pequena homenagem a David Bowie, protagonista do filme da qual essa música belíssima é premiada trilha sonora:
terça-feira, 19 de abril de 2016
Por que o Congresso é essa M*???
Estamos todos - pelo "sim" e pelo "não" - horrorizados com o comportamento do Congresso na sessão que aceitou o processo de impeachment.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.
Muitos falam que esse Congresso é apenas o reflexo da sociedade que o elegeu.Concordo e discordo.
Tendo sido eleito em eleições "diretas", esse Congresso pode sim, ser considerado um espelho do brasileiro. E devemos, sim, nos envergonhar dele.
Porém, as eleições não são tão "diretas" assim. Dois fatores mudam e muito, a composição do Congresso.
O primeiro fator é a eleição por legenda. Isto é, um partido que consiga muitos votos, por ter alguns candidatos fortes (famosos, conhecidos, celebridades, políticos de carreira notável) elege, pelo "coeficiente eleitoral", muitos outros candidatos com poucos votos. E por esses dois caminhos (votar em quem já é conhecido, mas nem sempre reconhecido; e ser eleito por conta dos votos na legenda, e não em si mesmos), muitas portas para a mediocridade e corrupção são abertas.
O segundo fator é que as candidaturas exigem investimento vultuoso. E os detentores do poder econômico estão sempre sedentos por "financiar" uma campanha de alguém que depois, irá defender e representar seus interesses. O resultado é que muitos candidatos são eleitos com uma corda (ou coleira!) no pescoço e não se pode esperar nada de bom deles, apenas a defesa dos interesses - alguns inconfessáveis - do poder econômico.
E não é só. Suponhamos que um bom sujeito - honesto, trabalhador, bem intencionado - ganhe uma cadeira no Parlamento. O que acontece com ele? Qual o efeito da presença dele nos rumos do Congresso?
NENHUM.E sabe por que? Porque se ele não "entrar na jogada", não participar das "manobras", não fizer o que os carreiristas e vendidos quiserem, ele, por melhor que seja, nunca aprovará medida alguma, nunca fará parte de comissão importante, nem terá seu nome pronunciado em plenário. E, claro, nunca subirá no palanque. Será jogado às traças, será um zero à esquerda. Há alguns por aí.
Deixe-me repetir: N-E-N-H-U-M.
Qual a solução para esse problema?Não é uma, são muitas soluções. Todas passam por uma profunda reforma política.
Não há impeachment que mude essa situação desastrosa. Apenas a mobilização de todos - os "sim e os "não" - por uma reforma política completa vai nos tirar o gosto amargo da boca e a sensação de sermos eleitores bocós.
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