segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

30 de dezembro de 2018

Aqui em São José dos Campos, para onde nos mudamos há 1 ano, é frequente os dias amanhecerem nublados, cinzas. Mas, na maioria das vezes, esta é uma falsa impressão. Com o passar das horas, por volta das 10, 11 horas da manhã, as nuvens se dissipam e vem um sol forte num céu azul.
Estranhei, no início, e minha reação matinal era: "Pôxa, que dia besta!" Preparava-me para um dia cinza, frio; vestia roupas adequadas e era obrigado a me trocar pouco depois pra não morrer de calor.
Com o tempo, acostumei-me e passei a perceber certa vantagem nas manhãs cinzas. Os dias, cada vez mais secos pela mudanças climáticas, aqui amanhecem com o ar mais úmido, excelentes para se respirar profundamente.
Assim foi hoje. Manhã cinza, fui olhar a previsão do tempo e tava lá: "Céu parcialmente nublado, temperatura máxima 31 graus Celsius, baixa probabilidade de chuva..." Ah, não são nuvens carregadas! É neblina, que vai desaparecer em pouco tempo. Logo, todos estaremos sofrendo com o calor do verão tropical.

sábado, 29 de dezembro de 2018

28 de dezembro de 2018

Minha sobrinha conversava com minha filha sobre os livros lidos em 2018. A conversa girava em torno de números. Falavam sobre 12 livros por ano e as dificuldades enfrentadas pra manter o ritmo, a  constância de leitura, devido a vários fatores: tamanho dos livros, interesse do assunto, disponibilidade de tempo para leitura.
A minha sobrinha lê livros físicos e digitais. Isto facilita ler 2 ou mais livros ao mesmo tempo, pois o e-reader pode ser facilmente levado a qualquer lugar e lido mesmo no escuro. Mas prefere livros físicos por sua textura, cor, e até cheiro.
Ambas falam sobre as oportunidades de leitura: sala de espera de consultórios e escritórios, a necessária ida diária ao banheiro, viagens de ônibus, avião, metrô e uber, momentos livres no trabalho, momentos antes de dormir.
Na verdade, para pessoas como elas, os livros são parte essencial do cotidiano.
Já não leio obsessivamente como elas. Adotei o método "slow reader" e leio só 3 a 4 livros/ano. Leio uma ou duas páginas e deixo o texto "sink in" - penetrar minha mente, meu corpo - provocar as emoções que possa provocar e ser digerido, antes de retomar a leitura, horas ou dias depois.
Este ano li "Quase Canções" - deliciosa coletânea de depoimentos de vida - publicado pelo Museu da Pessoa, de SP. Li "Homo Sapiens", de Yuval Harari, também extraordinário.
No segundo semestre comecei - na verdade, recomecei depois de alguns anos - a leitura de "Viva o Povo Brasileiro", de Ubaldo Ribeiro, atraído pela possibilidade deste texto me ajudar a entender a inaceitável guinada à direita da política brasileira. Ainda não terminei. E comecei a ler o diário de Edgar Morin, "Um Ano Sísifo", pois já li - e adorei - dois outros diários dele ("Diário da Califórnia" e "Chorar, Amar, Rir, Compreender").
A influência de Edgar Morin sobre mim é tão grande que a decisão de escrever sobre minha vida e reflexões neste blog se deve a ele.
Espero não matar meus leitores de tédio.
Também adquiri um e-reader. Sobre isso, falarei outro momento.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

27 de dezembro de 2018

O Helio Shimada, colega querido dos tempos de faculdade, publica no grupo de Whatsapp uma reportagem da Carta Capital que afirma ter a China se transformado de país pobre a potência econômica em apenas 40 anos.
Faço um comentário: "Eu só me pergunto quantos dos 2 bilhões de chineses  sentem que sua vida melhorou realmente. Suspeito que "potência econômica" não equivale a "bem estar humano"."
A "economização" da vida humana, na Política, na Sociologia, no Direito e até na Psicologia tem causado, no entender de Edgar Morin - com quem me identifico totalmente - um reducionismo míope e nefasto na análise e avaliação do "Progresso Humano".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Natal de 2018

Passado o Natal, o comentário, entre os meus familiares, era de que "este Natal foi chocho". A razão, segundo alguns era a chuva forte que caiu à tarde e que causou alguns dissabores; outros diziam que a revelação de amigos secretos, tradicionalmente feita após a Ceia, mudara para a tarde do dia 25, quando a ressaca da comilança já se instalara e todos estavam meio desanimados.
Meu cunhado comentou a meia voz, temendo ser ouvido por todos: "mas é claro que o Natal foi decepcionante! Depois dessa eleição, vocês queriam o quê?!?!?"
Felizmente, ouvi. Porque foi umas das risadas mais gostosas que dei este ano!!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Percepções

"O mundo não é mais percebido como um todo, mas como um aglomerado de problemas compartimentalizados, estudados sem considerar o futuro. A hiperespecialização mais a televisão [e Internet] criam esse novo tipo de cretinismo."

Edgar Morin, em "Um Ano Sísifo", ed SESC

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Que país queremos? (texto de 2016)

QUE PAÍS QUEREMOS?

Depois de um ano (2015?) turbulento, é oportuno debruçar sobre os conceitos que podem dar um rumo para a nação.
Para isso é necessário ter claro e bem definidos alguns termos fundamentais. Como bem disse Sakamoto: “É preciso saber interpretação de texto.”

  • O que é “desenvolvimento”?
  • O que é “bem estar”?
  • O que é “qualidade de vida”?
  • O que entendemos por “democracia”?
  • O que é “progresso”?
  • O que é “viver em sociedade”?
  • O que é “organização social”?
  • O que é “participação política”?
  • O que vem a ser “estado de direito”?
  • Qual a importância da “educação formal”?
  • Qual o papel do “Governo" e da “Iniciativa Privada”?
  • Quais são as “direitos fundamentais” e os “deveres sociais"?
  • Quais são os “Direitos Humanos”?
  • Que “infra-estrutura” queremos?
  • Qual o papel da “Cultura”? E da “Economia”?
  • O que é “Felicidade”?
Alguém pode dizer que tudo isso é óbvio… mas não é. Cada um de nós enxerga essas palavras de um jeito próprio e muito das nossas divergências tem origem - não em uma opinião contrária sobre algo - na simples compreensão diferente que cada um tem sobre um assunto.

É, portanto, essencial chegarmos a um acordo inicial sobre o que entendemos ser estes termos. Deste ponto torna-se possível conversar sobre que país realmente queremos. E, oxalá, chegar a uma conclusão sobre como obtê-lo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

No surprise

No surprise.

Como disse o Veríssimo em um texto de hoje, tudo volta ao normal no quintal, a que chamam Brasil.

Seus legítimos donos estão providenciando a reintegração de posse daquilo que lhes pertence por direito divino, desde um longínquo abril de 1500.

Sim, porque desde ali, isto aqui passou a ter donos de verdade e o povo que por aqui havia foi empurrado para os grotões, saqueado, humilhado e dizimado.

Certo que de tempos em tempos, algum zé povinho se mete a besta e tenta botar as manguinhas de fora, querendo um naco de suas posses.

Mas os donos legítimos do Brasil logo mostram a esse zé povinho quem manda nesta josta.

Onde já se viu ralé querer governar???

O nosso glorioso judiciário, como instituição, sempre foi braço dos donos do Brasil. Sempre lhes deu respaldo. SEMPRE.

Não haveria de ser diferente em 24/01/2018.

Se não são tempos de exército, pra que manter um judiciário que tanto custa? Que arranjem um triplex qualquer e provas indiciárias e depoimentos de ouvi dizer. Mas resolvam isto!

Pronto.

Quase consumatum est.

Certo que ainda falta acorrentar o Nove Dedos e exibi-lo à execração pública no JN [Jornal Nacional].

Mas, a casa grande já está providenciando isto. Não vai demorar.

Ao povo do Brasil, só resta agora ir subversando nas trevas, aqui e acolá, na esperança, que nunca morre, de que algum dia, um zé povinho surja novamente, com suas tochas incendiárias.

Por enquanto, fiquemos com as provas indiciárias.

Como réquiem do velório de ontem, transcrevo o discurso de um zé povinho retratado em "Viva o povo brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro. É só o que posso lhes dizer neste momento.

Em 1897, logo após a proclamação da República, respondendo a uma pergunta do pai, sobre o que ele fazia, um zé povinho metido a besta da época responde:

"Faço revolução, meu pai. Desde minha mãe, desde antes de minha mãe até, que buscamos uma consciência do que somos. Antes, não sabíamos nem que buscávamos alguma coisa. Apenas nos revoltávamos. .... Hoje sabemos que buscamos essa consciência e estamos encontrando essa consciência. Não temos armas que vençam a opressão e jamais teremos... Nossa arma há de ser a cabeça. A cabeça de cada um e de todos, que não pode ser dominada... Nosso objetivo não é bem a igualdade, é mais a justiça, a liberdade, o orgulho, a dignidade, a boa convivência. Isto é uma luta que trespassará os séculos, porque os inimigos são muito fortes. A chibata continua, a pobreza aumenta, nada mudou. A Abolição não aboliu a escravidão, criou novos escravos. A República não aboliu a opressão, criou novos opressores. O povo não sabe de si... e tudo o que faz não é visto e somente lhe ensinam o desprezo por si mesmo, por sua fala, por sua aparência, pelo que come, pelo que veste, pelo que é. Mas nós estamos fazendo essa revolução de pequenas e grandes batalhas, umas sangrentas, outras surdas, outras secretas, e é isto que eu faço, meu pai".

Então, nada a mais a dizer, a não ser que sem sangue, não se faz revolução. E reformas, somente são aceitas as reformas do tipo Temer: da CLT, da Previdência... Para a ralé deixar de sonhar e querer um naco maior do Brasil deles.

Tem uns zés povinhos por aí dizendo que a luta continua.

A ver.

​Baianinho​ [meu querido Reginaldo Leão]

sábado, 6 de janeiro de 2018

Comunismo não é um só

Quando afirmo enfaticamente ser contra o capitalismo, tem sempre algum amigo engraçadinho que me acusa de defender o comunismo e tece mil considerações sobre os horrores dos países comunistas, citam Venezuela, Cuba, China, URSS, Albânia como exemplos de que o comunismo é mau...
Meu Deus!!! Quanta ingenuidade!!!
Esse pessoal pensa - ainda!!! - que o comunismo é um só: o comunismo marxista do séc XX.
Devo ser muito estúpido e burro por imaginar que em pleno séc XXI algo tão claramente fracassado e ultrapassado possa servir de alternativa ao capitalismo.

Bem, amigos trago novidades:
1- Comunismo não é um só!!!
Verdade!!! Comunismo são vários, e muitos não são inspirados em Marx... Sério!!!
Veja o relato em Atos de como viviam as primeiras comunidades cristãs... comunismo!!!
Há comunismo em Noiva do Cordeiro - MG... Há entre a comunidade Amish americana... etc... Você nunca ouviu falar??? Pois é, depois o ignorante sou eu...
Houve comunismo em Canudos...
Há uma espécie de comunismo nas cooperativas várias que proliferam pelo mundo e pelo Brasil também.

2- A alternativa ao Capitalismo neoliberal vigente NÃO é o Comunismo marxista!!!
Pois é, pois é, pois é... Você pode não acreditar, mas existem alternativas não marxistas ao capitalismo!!! E muito, mas muito melhores do que o capitalismo!!! Sistemas com base na cooperação, na solidariedade, na união, no humanismo que só não vingam no mundo porque o sistema capitalista bloqueia (e elimina) ou coopta (e desvirtua), como fez com o movimento hippie (que era muito mais do que "paz, amor e drogas").

Portanto, amiguinhos, deixem de ser bobinhos e não me venham com essas conversa mole pra boi dormir de "o capitalismo é o que existe e a alternativa a ele é o comunismo (marxista), que não deu certo em lugar nenhum do mundo". Afinal isso é de uma pobreza intelectual que não faz justiça à inteligência de vocês... ou faz???

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Poder e a Estupidez (Dietrich Bonhoeffer)


O PODER DE UM PRECISA DA ESTUPIDEZ DO OUTRO:

"Em um artigo chamado "Estupidez", em seu livro de cartas da prisão "Resistência e Submissão", Dietrich Bonhoeffer nos dá uma dica sobre o perigo que estamos vivendo, principalmente à direita, mas igualmente em setores à esquerda, nesse momento de nosso país:
"Após uma observação mais próxima, torna-se evidente que todo forte impulso de tomada de poder na esfera pública, seja de natureza política ou religiosa, infecta uma grande parte da humanidade com estupidez. ... O poder de um precisa da estupidez do outro. O processo em ação aqui não se refere a uma capacidade particular do ser humano, por exemplo, o intelecto, que de repente atrofia ou falha. Em vez disso, parece que, sob o impacto irresistível do poder crescente, os humanos são privados de sua independência interior e, mais ou menos conscientemente, desistem de estabelecer uma posição autônoma em relação às circunstâncias emergentes. O fato de que a pessoa estúpida é frequentemente teimosa não deve nos cegar para o fato de que ela não é independente. Na conversa com a pessoa, eventualmente se percebe que não se está lidando com o indivíduo como pessoa, mas com slogans, palavras-chave e similares que se apoderaram dele. A Pessoa está sob um feitiço, cego, mal utilizado e abusado, em seu próprio ser. Tendo assim se tornado uma ferramenta sem mente, a pessoa estúpida também será capaz de qualquer mal e, ao mesmo tempo, incapaz de ver que é malvado. É aí onde o perigo do abuso diabólico se esconde, pois é isso que de uma vez por todas pode destruir seres humanos".
(roubartilhado de Claudio Oliver)

terça-feira, 18 de julho de 2017

O Mal e a Personificação do Mal

O mais comum nas redes sociais atualmente é a referência a pessoas como se elas fossem o Mal encarnado.

Há muitas pessoas que acusam Lula de ser um "lixo", o "chefe da quadrilha", o "responsável pela ruína do país", um "verme", e por aí vai.

Não tenho nenhuma ligação com o Lula. Votei nele algumas vezes, discordei deles muita vezes. Não acho que seja um santo e tenho severas críticas ao seu governo e de sua sucessora na presidência.

Sou a favor da investigação e responsabilização dos autores de qualquer irregularidade que prejudique a sociedade, não importando cargo, partido, situação financeira, "status" social.

O que não aceito passivamente é a classificação de alguém como "lixo", enquanto deixamos toda a classe política e empresarial de fora desse "lixo", demonizando uma pessoa e tornando todos os outros, "santos".

Não importa se é o Bolsonaro ou o Lula, você ou eu. Ninguém é "o demônio" sozinho. Somos responsáveis pela existência dos "Bolsonaros" e "Lulas" deste mundo, quando somos incompetentes em assumir as rédeas do nosso destino e permitimos um sistema socioeconômico e político mesquinho, perverso e corruptor vigorar no país.