quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

3 de janeiro de 2019

"Os que se creem autorizados a excluir são, 
naturalmente, os que se creem portadores da 
definição perfeita das coisas (ortodoxia). 
E não é a toa que desejem para si este status, 
porque decidir quem está dentro e quem está fora tem um nome, 
e se chama poder."

Paulo Brabo, em "As Divinas Gerações", capítulo 1, "As Indivinas Perfeições".

Ó, atemporalidade das verdades perenes!!! Pensar que este texto foi publicado em 2013!!! Será que o autor é um místico esotérico que antevia o Brasil de 2019???

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

2 de janeiro de 2019

Leio, lentamente, "Um Ano Sísifo", de Edgar Morin. Extraio, para futuras reflexões, um trecho no qual ele expõe os pontos de uma palestra sobre "Ética e Liberdade":

"1- A erosão e, com frequência, a dissolução das ética tradicionais na civilização individualista: as éticas tradicionais eram éticas integradas (religião, família, nação), com imperativos de solidariedade, de hospitalidade, de honra. Desde então, houve dissolução da sacralidade da palavra, da promessa.
2- A ideia de uma ética sem outro fundamento senão ela mesma; essa autoética significa simultaneamente autonomia e dependência.
3- Não existe ética sem fé que a alimente e ilumine. A fé na liberdade não basta, é preciso, também, uma fé de comunidade e de amor.
4- Os problemas éticos resultam das contradições (imperativos antagônicos simultâneos); das incertezas (ecologia da ação); da necessidade do autoconhecimento e do autoexame crítico (a boa má-fé, a mentira a si mesmo).

Por isso, a ética deve incluir um fator de inteligência e complexidade, origem do sentido da frase de Pascal: 'Trabalhar para o bem pensar, é esse o princípio da moral'."

01 de janeiro de 1964... ops, 2019

- Mamãe diz que vc manda no país.
- Não! Mamãe está enganada, eu estou na oposição...
- O que é isso?
- É reclamar dos que mandam no país...

(diálogo entre pai e filha no seriado de TV "Colateral" da Netflix. Apesar de ser inglês, o diálogo podia muito bem ser entre minha hipotética filha de 5 anos e eu...)

obs: postagem número 900 deste blogue.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

30 de dezembro de 2018

Aqui em São José dos Campos, para onde nos mudamos há 1 ano, é frequente os dias amanhecerem nublados, cinzas. Mas, na maioria das vezes, esta é uma falsa impressão. Com o passar das horas, por volta das 10, 11 horas da manhã, as nuvens se dissipam e vem um sol forte num céu azul.
Estranhei, no início, e minha reação matinal era: "Pôxa, que dia besta!" Preparava-me para um dia cinza, frio; vestia roupas adequadas e era obrigado a me trocar pouco depois pra não morrer de calor.
Com o tempo, acostumei-me e passei a perceber certa vantagem nas manhãs cinzas. Os dias, cada vez mais secos pela mudanças climáticas, aqui amanhecem com o ar mais úmido, excelentes para se respirar profundamente.
Assim foi hoje. Manhã cinza, fui olhar a previsão do tempo e tava lá: "Céu parcialmente nublado, temperatura máxima 31 graus Celsius, baixa probabilidade de chuva..." Ah, não são nuvens carregadas! É neblina, que vai desaparecer em pouco tempo. Logo, todos estaremos sofrendo com o calor do verão tropical.

sábado, 29 de dezembro de 2018

28 de dezembro de 2018

Minha sobrinha conversava com minha filha sobre os livros lidos em 2018. A conversa girava em torno de números. Falavam sobre 12 livros por ano e as dificuldades enfrentadas pra manter o ritmo, a  constância de leitura, devido a vários fatores: tamanho dos livros, interesse do assunto, disponibilidade de tempo para leitura.
A minha sobrinha lê livros físicos e digitais. Isto facilita ler 2 ou mais livros ao mesmo tempo, pois o e-reader pode ser facilmente levado a qualquer lugar e lido mesmo no escuro. Mas prefere livros físicos por sua textura, cor, e até cheiro.
Ambas falam sobre as oportunidades de leitura: sala de espera de consultórios e escritórios, a necessária ida diária ao banheiro, viagens de ônibus, avião, metrô e uber, momentos livres no trabalho, momentos antes de dormir.
Na verdade, para pessoas como elas, os livros são parte essencial do cotidiano.
Já não leio obsessivamente como elas. Adotei o método "slow reader" e leio só 3 a 4 livros/ano. Leio uma ou duas páginas e deixo o texto "sink in" - penetrar minha mente, meu corpo - provocar as emoções que possa provocar e ser digerido, antes de retomar a leitura, horas ou dias depois.
Este ano li "Quase Canções" - deliciosa coletânea de depoimentos de vida - publicado pelo Museu da Pessoa, de SP. Li "Homo Sapiens", de Yuval Harari, também extraordinário.
No segundo semestre comecei - na verdade, recomecei depois de alguns anos - a leitura de "Viva o Povo Brasileiro", de Ubaldo Ribeiro, atraído pela possibilidade deste texto me ajudar a entender a inaceitável guinada à direita da política brasileira. Ainda não terminei. E comecei a ler o diário de Edgar Morin, "Um Ano Sísifo", pois já li - e adorei - dois outros diários dele ("Diário da Califórnia" e "Chorar, Amar, Rir, Compreender").
A influência de Edgar Morin sobre mim é tão grande que a decisão de escrever sobre minha vida e reflexões neste blog se deve a ele.
Espero não matar meus leitores de tédio.
Também adquiri um e-reader. Sobre isso, falarei outro momento.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

27 de dezembro de 2018

O Helio Shimada, colega querido dos tempos de faculdade, publica no grupo de Whatsapp uma reportagem da Carta Capital que afirma ter a China se transformado de país pobre a potência econômica em apenas 40 anos.
Faço um comentário: "Eu só me pergunto quantos dos 2 bilhões de chineses  sentem que sua vida melhorou realmente. Suspeito que "potência econômica" não equivale a "bem estar humano"."
A "economização" da vida humana, na Política, na Sociologia, no Direito e até na Psicologia tem causado, no entender de Edgar Morin - com quem me identifico totalmente - um reducionismo míope e nefasto na análise e avaliação do "Progresso Humano".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Natal de 2018

Passado o Natal, o comentário, entre os meus familiares, era de que "este Natal foi chocho". A razão, segundo alguns era a chuva forte que caiu à tarde e que causou alguns dissabores; outros diziam que a revelação de amigos secretos, tradicionalmente feita após a Ceia, mudara para a tarde do dia 25, quando a ressaca da comilança já se instalara e todos estavam meio desanimados.
Meu cunhado comentou a meia voz, temendo ser ouvido por todos: "mas é claro que o Natal foi decepcionante! Depois dessa eleição, vocês queriam o quê?!?!?"
Felizmente, ouvi. Porque foi umas das risadas mais gostosas que dei este ano!!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Percepções

"O mundo não é mais percebido como um todo, mas como um aglomerado de problemas compartimentalizados, estudados sem considerar o futuro. A hiperespecialização mais a televisão [e Internet] criam esse novo tipo de cretinismo."

Edgar Morin, em "Um Ano Sísifo", ed SESC

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Que país queremos? (texto de 2016)

QUE PAÍS QUEREMOS?

Depois de um ano (2015?) turbulento, é oportuno debruçar sobre os conceitos que podem dar um rumo para a nação.
Para isso é necessário ter claro e bem definidos alguns termos fundamentais. Como bem disse Sakamoto: “É preciso saber interpretação de texto.”

  • O que é “desenvolvimento”?
  • O que é “bem estar”?
  • O que é “qualidade de vida”?
  • O que entendemos por “democracia”?
  • O que é “progresso”?
  • O que é “viver em sociedade”?
  • O que é “organização social”?
  • O que é “participação política”?
  • O que vem a ser “estado de direito”?
  • Qual a importância da “educação formal”?
  • Qual o papel do “Governo" e da “Iniciativa Privada”?
  • Quais são as “direitos fundamentais” e os “deveres sociais"?
  • Quais são os “Direitos Humanos”?
  • Que “infra-estrutura” queremos?
  • Qual o papel da “Cultura”? E da “Economia”?
  • O que é “Felicidade”?
Alguém pode dizer que tudo isso é óbvio… mas não é. Cada um de nós enxerga essas palavras de um jeito próprio e muito das nossas divergências tem origem - não em uma opinião contrária sobre algo - na simples compreensão diferente que cada um tem sobre um assunto.

É, portanto, essencial chegarmos a um acordo inicial sobre o que entendemos ser estes termos. Deste ponto torna-se possível conversar sobre que país realmente queremos. E, oxalá, chegar a uma conclusão sobre como obtê-lo.