sábado, 24 de agosto de 2019

Desigualdade crescente

DESIGUALDADES DE RENDA NO BRASIL E NO MUNDO

por Amir Khair (19/08/2019)

"Desde a década de 80, a desigualdade de renda aumenta em quase todo o mundo, mas com velocidades diferentes. É a conclusão do relatório “World Inequality Report 2018”. O estudo aponta que as variações na desigualdade em economias com graus de desenvolvimento similares evidenciam a importância das políticas públicas e das instituições.
Em 2016, a participação dos 10% mais ricos no total da renda nacional correspondia a 37% na Europa, 41% na China, 46% na Rússia, 47% nos Estados Unidos e Canadá, e em torno de 55% no Brasil. O Oriente Médio é a região mais desigual, na qual os 10% mais ricos detém, em média, 61% da renda total.
O estudo classifica o Brasil entre os países da “fronteira da desigualdade”, um termo que engloba os países em que a desigualdade se manifesta de forma mais intensa, o que inclui a Índia e a África do Sul.
Diferentes dos Países Desenvolvidos, principalmente os da Europa Ocidental, países como o Brasil não passaram por políticas voltadas para o bem-estar social e o pleno emprego, que caracterizaram o pós-guerra. Os ditos anos gloriosos do capitalismo, da década de 50 a 80, no qual as economias desenvolvidas cresceram de forma acelerada com redução das desigualdades.
O relatório destaca a diferença do ritmo do aumento das desigualdades entre os Estados Unidos e os Países da Europa Ocidental, que até a década de 80 tinham níveis similares, com o 1% de renda superior com apropriação de 10% da renda total. Em 2016, na Europa Ocidental a participação subiu para 12%, e nos Estados Unidos o 1% mais rico passou a capturar 20% da renda total.
Em termos comparativos, segundo o relatório “Bem Público ou Riqueza Privada?”, divulgado pela OXFAM no início do ano, na América Latina e Caribe a parcela de 1% mais rica detém, em média, 40% da riqueza total. No Brasil, o 1% mais rico detém 27,8% da renda nacional.
Dados da pesquisa “Rendimento de todas as fontes” (2017), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que os 10% da população com os maiores rendimentos ficavam com 43,3% do total da renda. Enquanto os 10% menores rendimentos detinham apenas 0,7% da renda.
Diferente dos países na “fronteira da desigualdade”, que como o Brasil sempre tiveram uma alta desigualdade de renda, os países da Europa Ocidental e Estados Unidos vem ampliando a desigualdade a partir de 1980, mas por que em diferentes ritmos?
O relatório “World Inequality Report 2018” explica que a ampliação da desigualdade de renda observada nos Estados Unidos é em grande parte determinada pelas expressivas desigualdades educacionais, combinadas com alterações no sistema tributário que o tornaram menos progressivo. Enquanto na Europa Ocidental, no mesmo período, ocorreu um declínio menor na progressividade do sistema tributário, políticas educacionais universalizantes e fixação de salários de base que preservaram a renda de grupos de baixa e renda média. Outro fator determinante foi a transferência de riqueza pública para o setor privado, que ocorreu de forma mais acentuada nos EUA.
Em estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), “Escalada da Desigualdade”, aponta que há quatro anos a desigualdade de renda não para de subir. Enquanto a renda do trabalho da metade mais pobre da população caiu 17,1%, a renda dos 1% mais ricos subiu 10,1% e a renda da classe média (posicionada entre os 40% intermediários) teve queda de 4,2%.
No enfrentamento das desigualdades de renda, o relatório “World Inequality Report 2018” destaca a importância de políticas de renda, sistema tributário progressivo, o acesso democrático ao sistema educacional, mas combinado com políticas de fixação de salário mínimo que possibilitem o melhor ingresso no mundo do trabalho.
No Brasil, com uma desigualdade crônica que se agrava com a estagnação econômica, as políticas preconizadas para o combate às desigualdades de renda, são ao mesmo tempo essências a retomada do crescimento econômico."

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Uma instituição paternal

“- Olhe a lista de fatos sem precedentes no séc. XX:
um presidente assassinado,
uma guerra impopular, perdida...
- A Guarda Nacional mata 4 estudantes...  Watergate.
- A gente mal pode atinar…
- Nossa democracia está virando isso? Essa é a política?
Apenas uma reação ao tumulto?
- O governo era simbolicamente uma instituição paternal.
- Agora, salve-se quem puder.
- O mundo não faz sentido, então o crime também não faz.
- Podemos teorizar a noite toda, mas não sabemos, ninguém sabe.
- Claro, mas o problema é que ninguém questiona.”

(diálogo em “Mindhunter”, da Netflix)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A delícia e o sofrimento que é ler Edgar Morin

Estou no fim de "Um Ano Sísifo", diário da vida de Edgar Morin, escrito em 1994.
É o terceiro diário de Morin que leio. "Diário da Califórnia" (1969) e "Chorar, Amar, Rir, Compreender" (1995), todos publicados pela ed. SESC, foram os outros. Dos seus diários, só me falta ler "X da Questão - O Sujeito à Flor da Pele" (1962-1963).
Apesar de já ter lido 2 diários, esse terceiro me traz prazeres e sofrimentos novos em sua leitura. 
A situação da ex-Iugoslávia e de Ruanda, com seus genocídios incríveis, além do "beco sem saída" político em que se encontrava a França (na visão de Morin) e o mal estar que sente por morar em Paris criam um clima melancólico que perpassa o texto em entra pelos poros. 
Nesse clima, o autor se manifesta contrariado pelas idas e vindas de seus afazeres, pelas contradições que enfrenta nos sentimentos, pensamentos e ações que realiza. E que ele, honesto, não esconde do leitor.
É uma forma de alívio saber que uma mente brilhante como a de Morin - talvez a mais brilhante dos últimos 80 anos - passe por dilemas e contrariedades, até comezinhas, como todos nós. 
Em suas mais de 500 páginas, há tesouros de valor incalculável, alegrias, tristezas, curiosidades, reflexões, e até trechos cômicos (sim, os pensadores também apreciam piadas!).
"Posso afirmar que é nos meus diários que dou o melhor de mim mesmo: são observações, reflexões, julgamentos nos quais me encanto ou me revolto"...  E o leitor pode se encantar ou revoltar-se junto... um privilégio!!!

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A Amazônia e o Fim do Antropoceno

O fim do mundo vem de um meteoro.
E o meteoro tem nome.
Chama-se "Amazônia".
Ao queimar-se, em contato com a atmosfera terrestre, vai eliminar também qualquer esperança de futuro para a humanidade (e, junto com ela, a biosfera terrestre).
Seremos, lenta e imperceptivelmente, queimados. Extintos.
O meteoro não vai se queimar espontaneamente, não. Não será o atrito que vai por-lhe em chamas.
O meteoro vai queimar por ser incinerado pelo próprio agente que será eliminado por ele: o ser humano.

"Ah! A infinita estupidez humana!"

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O maior problema

"O maior problema político hoje (2018) é que as pessoas estão tão polarizadas que não se entendem mais, e por isso não conseguem mais trabalhar juntas, e nada é feito, não se consegue fazer nada."
(Brittany Kaiser em "Privacidade Hackeada", da Netflix)

domingo, 18 de agosto de 2019

O que vemos?

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si.
Rubem Alves

Esta frase deu-me a chave para entender por que tantos amigos queridos tornaram-se tão ferozes inimigos do Lula, a ponto de admitirem que "odeiam o PT e tudo que ele representa". Tornaram-se ácidos, mesquinhos, cegos e parciais em seus comentários, atacando a torto e direito qualquer frase, pensamento, fato ou pessoa (o que é pior) que tenha a menor semelhança de uma defesa do governo PT.
Eles foram atingidos pela enorme desilusão de ver um partido que julgava-se moralmente acima dos outros, ser manchado e sugado pela lama moral da corrupção e do ilícito.
Eu também sofri e sofro com os percalços de Lula e do PT. Desde há muitos anos denuncio erros e posturas com as quais não concordo.
Mas ao invés de julgá-los todos hipócritas, devassos, gananciosos e criminosos, prefiro ver o PT e Lula como pessoas corrompidas por um sistema corrupto e corruptor, que leva ao inferno até as melhores intenções: O poder corrompe.
Não tendo ódio, consigo olhar serenamente para esta situação, sem rancor, mágoa ou ressentimento. 
Empatia? Não sei... talvez. 

sábado, 17 de agosto de 2019

Adeus Redes...

Parei com o Facebook e Twitter.
(razões para isso, procuram no documentário "Privacidade Hackeada", do Netflix)
Estavam me fazendo mal à saúde e às amizades que ainda tenho com quem pensa diferente de mim.
O clima é de guerra, de ódio, de desencanto, de desesperança, de burrice, de despreparo lógico, de falta de interpretação de texto, de fakenews que os benefícios (que são muitos) que eu apreciava nessas redes não conseguiram suplantar o mal que causam.
Então, pra saber o que penso e sinto, pra dar um recado ou fazer uma pergunta, escreva um comentário nas minhas postagens aqui, ou deixem um recado no Messenger.
Que o Amor vença o Ódio!!!!
Beijos

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O dinheiro não corrompe ninguém... mesmo?

O site "osegredo.com" publicou: "O dinheiro não corrompe ninguém. Só piora quem é ruim, e melhora quem é bom." 
Eis minha reflexão sobre isso: 
Há um porém. O dinheiro vem acompanhado pelo poder, a sensação de que você tem o controle, que você "pode". Estes dois fatores - dinheiro e poder - são, sim, corruptores. Corrompem, sim, pessoas boas, com boas intenções, que só querem fazer o bem, mas que estão convictas que o "bem" é aquilo que elas enxergam como sendo "bem". E aí se acham no direito - e até dever - de eliminar tudo o que se oponha ao "bem" que querem fazer. Tornam-se arrogantes, despóticas, cruéis até. Tudo porque são pessoas boas, com dinheiro e poder. 
Salvo engano.