terça-feira, 27 de agosto de 2019

SUS é "balbúrdia"!!! Sem o SUS é barbárie!!!!

SEM O SUS É A BARBÁRIE 
Por Dráusio Varela
"O Brasil foi ousado ao levar assistência médica gratuita a toda a população
“Sem o SUS, é a barbárie.” A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.
Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos antes da existência do SUS.
Talvez você não saiba que, naquela época, só os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica, pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país ou dependiam da caridade alheia, concentrada nas santas casas de misericórdia e em algumas instituições religiosas.
Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.
Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.
Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.
Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado”.
Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.
Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, da Noruega, da Alemanha, do Reino Unido, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes,
baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.
Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.
Esquecem-se de que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a Aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.
Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa dois terços dos habitantes, é citada pelos técnicos da Organização
Mundial da Saúde como um dos mais importantes do mundo.
Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é, disparado, o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% disso.
Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias e já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer,
degenerações neurológicas.
Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa. Nos últimos dez anos tivemos 13 ministros da Saúde.
Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele.
O Brasil foi ousado ao levar assistência médica gratuita a toda a população
“Sem o SUS, é a barbárie.” A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.
Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos antes da existência do SUS.
Talvez você não saiba que, naquela época, só os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica, pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país ou dependiam da caridade alheia, concentrada nas santas casas de misericórdia e em algumas instituições religiosas.
Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.
Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.
Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.
Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado”.
Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.
Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, da Noruega, da Alemanha, do Reino Unido, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes,
baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.
Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.
Esquecem-se de que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a Aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.
Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa dois terços dos habitantes, é citada pelos técnicos da Organização
Mundial da Saúde como um dos mais importantes do mundo.
Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é, disparado, o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% disso.
Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias e já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer,
degenerações neurológicas.
Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa. Nos últimos dez anos tivemos 13 ministros da Saúde.
Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele."

(extraído de postagem de Karen Souza, no FB. Obrigado!)

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Bando de Cafonas - texto de Fernanda Young

Este texto não estava na minha lista de publicações, mas é impossível não prestar um homenagem singela a quem teve a perspicácia de escrever algo assim:

Bando de cafonas
Por Fernanda Young, no O Globo (26/08/2019)

A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. Não exatamente nas roupas que vestimos ou nas músicas que escutamos – a pessoa quer falar do mau gosto existencial. Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias.

O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas.

O cafona manda cimentar o quintal e ladrilhar o jardim. Quer todo mundo igual, cantando o hino. Gosta de frases de efeito e piadas de bicha. Chuta o cachorro, chicoteia o cavalo e mata passarinho. Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele. É rude na língua e flatulento por todos os seus orifícios. Recorre à religião para ser hipócrita e à brutalidade para ser respeitado.

A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara.

O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer vencer, para ver o outro perder. Quer ser convidado, para cuspir no prato. Quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado. Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem como ratos.

Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país.

Democracia morta, segundo Steven Levitsky

"A via eleitoral para o colapso é perigosamente enganosa. Com um golpe de Estado clássico, como no Chile de Pinochet, a morte da democracia é imediata e evidente para todos. O palácio presidencial arde em chamas. O presidente é morto, aprisionado ou exilado. A Constituição é suspensa ou abandonada. Na via eleitoral, nenhuma dessas coisas acontece. Não há tanques nas ruas. Constituições e outras instituições nominalmente democráticas restam vigentes. As pessoas ainda votam. Autocratas eleitos mantêm um verniz de democracia enquanto corroem a sua essência. 

Muitos esforços do governo para subverter a democracia são “legais”, no sentido de que são aprovados pelo Legislativo ou aceitos pelos tribunais. Eles podem até mesmo ser retratados como esforços para aperfeiçoar a democracia – tornar o Judiciário mais eficiente, combater a corrupção ou limpar o processo eleitoral. Os jornais continuam a ser publicados, mas são comprados ou intimidados e levados a se autocensurar. Os cidadãos continuam a criticar o governo, mas muitas vezes se veem envolvidos em problemas com impostos ou outras questões legais. Isso cria perplexidade e confusão nas pessoas. Elas não compreendem imediatamente o que está acontecendo. Muitos continuam a acreditar que estão vivendo sob uma democracia."
Steven Levitsky, em "Como as Democracias Morrem" (obrigado, Obadias de Deus, pela dica)

domingo, 25 de agosto de 2019

Observar e absorver: Em cima do muro?


"Tem quem diga que estou em cima do muro porque não voto. Visão superficial de quem só vê os dois lados. Eu me sinto no centro de um círculo e posso caminhar na direção que minha consciência decidir. Não me vejo em cima de muro porque não vejo só dois lados pra pular. Que pulem os que pensam assim, escolham seus lados. Na minha visão, é pura indução midiática, cultural, comportamental, da natureza de uma sociedade competitiva, superficial e estrategicamente enraizada no inconsciente coletivo, adaptadas às mentalidades antagônicas, criadas pra dar a ilusão de que se muda alguma coisa desse jeito. 
Os banqueiros, em suas fortalezas, dão risada.
Não é só não votar, é não ter patrão nem empregado, é detestar ostentação de luxos e consumos "de elite", é não desejar mais do que se precisa, é ter vergonha de privilégios da riqueza, é respeitar o modo de ser dos outros, é olhar com igualdade mesmo pras diferenças. É querer pouco e reconhecer a própria pequeneza diante do todo e grandeza diante de si mesmo. É gostar do respeito alheio, mas não abrir mão do próprio. É ouvir a própria consciência acima da própria conveniência. Essas são algumas posições que aplico em minha vida. Sem querer posar de exemplo ou dar conselho a ninguém. 
Não é o que acho certo, é só o MEU certo.
Cada um com sua própria consciência. E sem cobranças."
(Eduardo Marinho, um dos mais instigantes pensadores brasileiros, um verdadeiro subversivo)

sábado, 24 de agosto de 2019

Desigualdade crescente

DESIGUALDADES DE RENDA NO BRASIL E NO MUNDO

por Amir Khair (19/08/2019)

"Desde a década de 80, a desigualdade de renda aumenta em quase todo o mundo, mas com velocidades diferentes. É a conclusão do relatório “World Inequality Report 2018”. O estudo aponta que as variações na desigualdade em economias com graus de desenvolvimento similares evidenciam a importância das políticas públicas e das instituições.
Em 2016, a participação dos 10% mais ricos no total da renda nacional correspondia a 37% na Europa, 41% na China, 46% na Rússia, 47% nos Estados Unidos e Canadá, e em torno de 55% no Brasil. O Oriente Médio é a região mais desigual, na qual os 10% mais ricos detém, em média, 61% da renda total.
O estudo classifica o Brasil entre os países da “fronteira da desigualdade”, um termo que engloba os países em que a desigualdade se manifesta de forma mais intensa, o que inclui a Índia e a África do Sul.
Diferentes dos Países Desenvolvidos, principalmente os da Europa Ocidental, países como o Brasil não passaram por políticas voltadas para o bem-estar social e o pleno emprego, que caracterizaram o pós-guerra. Os ditos anos gloriosos do capitalismo, da década de 50 a 80, no qual as economias desenvolvidas cresceram de forma acelerada com redução das desigualdades.
O relatório destaca a diferença do ritmo do aumento das desigualdades entre os Estados Unidos e os Países da Europa Ocidental, que até a década de 80 tinham níveis similares, com o 1% de renda superior com apropriação de 10% da renda total. Em 2016, na Europa Ocidental a participação subiu para 12%, e nos Estados Unidos o 1% mais rico passou a capturar 20% da renda total.
Em termos comparativos, segundo o relatório “Bem Público ou Riqueza Privada?”, divulgado pela OXFAM no início do ano, na América Latina e Caribe a parcela de 1% mais rica detém, em média, 40% da riqueza total. No Brasil, o 1% mais rico detém 27,8% da renda nacional.
Dados da pesquisa “Rendimento de todas as fontes” (2017), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que os 10% da população com os maiores rendimentos ficavam com 43,3% do total da renda. Enquanto os 10% menores rendimentos detinham apenas 0,7% da renda.
Diferente dos países na “fronteira da desigualdade”, que como o Brasil sempre tiveram uma alta desigualdade de renda, os países da Europa Ocidental e Estados Unidos vem ampliando a desigualdade a partir de 1980, mas por que em diferentes ritmos?
O relatório “World Inequality Report 2018” explica que a ampliação da desigualdade de renda observada nos Estados Unidos é em grande parte determinada pelas expressivas desigualdades educacionais, combinadas com alterações no sistema tributário que o tornaram menos progressivo. Enquanto na Europa Ocidental, no mesmo período, ocorreu um declínio menor na progressividade do sistema tributário, políticas educacionais universalizantes e fixação de salários de base que preservaram a renda de grupos de baixa e renda média. Outro fator determinante foi a transferência de riqueza pública para o setor privado, que ocorreu de forma mais acentuada nos EUA.
Em estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), “Escalada da Desigualdade”, aponta que há quatro anos a desigualdade de renda não para de subir. Enquanto a renda do trabalho da metade mais pobre da população caiu 17,1%, a renda dos 1% mais ricos subiu 10,1% e a renda da classe média (posicionada entre os 40% intermediários) teve queda de 4,2%.
No enfrentamento das desigualdades de renda, o relatório “World Inequality Report 2018” destaca a importância de políticas de renda, sistema tributário progressivo, o acesso democrático ao sistema educacional, mas combinado com políticas de fixação de salário mínimo que possibilitem o melhor ingresso no mundo do trabalho.
No Brasil, com uma desigualdade crônica que se agrava com a estagnação econômica, as políticas preconizadas para o combate às desigualdades de renda, são ao mesmo tempo essências a retomada do crescimento econômico."

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Uma instituição paternal

“- Olhe a lista de fatos sem precedentes no séc. XX:
um presidente assassinado,
uma guerra impopular, perdida...
- A Guarda Nacional mata 4 estudantes...  Watergate.
- A gente mal pode atinar…
- Nossa democracia está virando isso? Essa é a política?
Apenas uma reação ao tumulto?
- O governo era simbolicamente uma instituição paternal.
- Agora, salve-se quem puder.
- O mundo não faz sentido, então o crime também não faz.
- Podemos teorizar a noite toda, mas não sabemos, ninguém sabe.
- Claro, mas o problema é que ninguém questiona.”

(diálogo em “Mindhunter”, da Netflix)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A delícia e o sofrimento que é ler Edgar Morin

Estou no fim de "Um Ano Sísifo", diário da vida de Edgar Morin, escrito em 1994.
É o terceiro diário de Morin que leio. "Diário da Califórnia" (1969) e "Chorar, Amar, Rir, Compreender" (1995), todos publicados pela ed. SESC, foram os outros. Dos seus diários, só me falta ler "X da Questão - O Sujeito à Flor da Pele" (1962-1963).
Apesar de já ter lido 2 diários, esse terceiro me traz prazeres e sofrimentos novos em sua leitura. 
A situação da ex-Iugoslávia e de Ruanda, com seus genocídios incríveis, além do "beco sem saída" político em que se encontrava a França (na visão de Morin) e o mal estar que sente por morar em Paris criam um clima melancólico que perpassa o texto em entra pelos poros. 
Nesse clima, o autor se manifesta contrariado pelas idas e vindas de seus afazeres, pelas contradições que enfrenta nos sentimentos, pensamentos e ações que realiza. E que ele, honesto, não esconde do leitor.
É uma forma de alívio saber que uma mente brilhante como a de Morin - talvez a mais brilhante dos últimos 80 anos - passe por dilemas e contrariedades, até comezinhas, como todos nós. 
Em suas mais de 500 páginas, há tesouros de valor incalculável, alegrias, tristezas, curiosidades, reflexões, e até trechos cômicos (sim, os pensadores também apreciam piadas!).
"Posso afirmar que é nos meus diários que dou o melhor de mim mesmo: são observações, reflexões, julgamentos nos quais me encanto ou me revolto"...  E o leitor pode se encantar ou revoltar-se junto... um privilégio!!!

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A Amazônia e o Fim do Antropoceno

O fim do mundo vem de um meteoro.
E o meteoro tem nome.
Chama-se "Amazônia".
Ao queimar-se, em contato com a atmosfera terrestre, vai eliminar também qualquer esperança de futuro para a humanidade (e, junto com ela, a biosfera terrestre).
Seremos, lenta e imperceptivelmente, queimados. Extintos.
O meteoro não vai se queimar espontaneamente, não. Não será o atrito que vai por-lhe em chamas.
O meteoro vai queimar por ser incinerado pelo próprio agente que será eliminado por ele: o ser humano.

"Ah! A infinita estupidez humana!"

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O maior problema

"O maior problema político hoje (2018) é que as pessoas estão tão polarizadas que não se entendem mais, e por isso não conseguem mais trabalhar juntas, e nada é feito, não se consegue fazer nada."
(Brittany Kaiser em "Privacidade Hackeada", da Netflix)