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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

"Às pessoas que amo e optaram pelo capitão" - por Leo Moraes

 "Em várias ocasiões em que fui conversar com alguma pessoa próxima que vota nesse cara, as pessoas tentam levar a discussão para o lado de corrupção, ou de economia, ou da importância de tirar o PT, ou sei lá. O problema é que pra mim a opção passa por um lugar muito mais profundo, de humanidade, e moral básica. É simples: eu não voto em quem idolatra torturador. Eu não voto em quem fala que o erro da ditadura foi ter matado pouco. Eu não voto em quem diz que preferia ver o filho morto do que sendo gay. Eu não voto em quem diz abertamente que é contra a democracia. E mais uma lista de aberrações que esse cara disse, que são tantas que não dá nem pra listar.

Perto disso tudo, discussões sobre estado mínimo, direita e esquerda, reforma da previdência, educação, segurança, ou outras pautas, que tanto precisamos discutir como país, ficam insignificantes. É como se na eleição do condomínio um dos candidatos a síndico te desse um soco na cara, um chute no saco, matasse seu cachorro, e depois viesse querer discutir de que cor tem que pintar o portão, e pedir seu voto. Não dá.

O que ele fez foi roubar de nós a oportunidade de discutir que rumo queremos para o país. Não dá pra debater propostas, com um projeto como esse perigando ganhar. Então não se trata de um discussão meramente política, é uma questão de valores humanistas. Mesmo se eu achasse as propostas desse Jair sensacionais, eu ainda assim votaria contra ele. “Mas e o PT?” Foda-se! Qualquer um! Se fosse qualquer um dos candidatos, de todas as eleições desde 89, contra ele eu votaria. E olha que essa lista tem Maluf, Collor, etc.

Olha, eu também não gosto dessa polarização, externei minha opinião no primeiro turno, votei em outro candidato, acho que esse segundo turno prolongou por 4 anos essa inhaca que estamos passando. Tenho muitas críticas pesadas ao PT, quem me conhece sabe. Mas não há dúvida sobre qual o voto errado aqui.

O mundo está vendo, todos os jornais importantes, de direita e esquerda, de todos os países, estão alertando. Até Madonna e Roger Waters sabem. Tem focinho de fascismo, rabo de fascismo, orelha de fascismo. O que é?"

Assim, fica difícil amar vocês, viu?

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Deus existe?

Há um conto de ficção científica antigo (década de 60, 70) que mostra a 1a rede mundial de computadores sendo inaugurada pelo secretário executivo da ONU. 
Ao ligar o botão, há um zumbido baixo e na tela aparece a frase em letras verdes: "Boa noite! Faça uma pergunta". 
Aí o cara escreve: "Deus existe?". 
Após alguns segundos, nos quais o zumbido fica um pouco mais alto, a tela pisca e uma frase brilha: "Agora, sim." 
Passado um momento de espanto, o técnico responsável, visivelmente horrorizado, corre em direção à tomada, para desligar o fio do computador, mas é eletrocutado por uma faísca elétrica que sai do aparelho...

sábado, 31 de agosto de 2019

Melô do bolsominion

Por incrível que pareça, procurei essa canção pelo YouTube e Google inteiros e não achei!!! (que vexame, hein, Google!!!)
Quando moleque, década de 60, gostava de uma música da Jovem Guarda, acho que cantada suave pela Wanderlea (não tenho certeza), que dizia assim:
♬
"Tal como é, vazio e sem fé, indiferente, mau para mim... amo, e gosto dele assim, assim, assim..."
♫

Tem melhor descrição de um bolsominion do que essa canção? Tem não!!!!! 😜 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Filtro Solar... de novo!?!?

 Wear Sunscreen
"Se eu pudesse lhe dar um conselho em relação ao futuro, seria: “use filtro solar”. Os benefícios do uso do filtro solar a longo prazo foram cientificamente provados. Quanto aos demais conselhos que dou, baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Vou lhes dar esses conselhos:
Desfrute do poder e da beleza da sua juventude. Não... Esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da juventude quando já tiver passado. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará fotos de você de um jeito que você não pode compreender agora e perceberá quantas possibilidades se abririam para você e o quão fabuloso você realmente era... Você não é tão gordo(a) quanto imagina!
Não se preocupe com o futuro. Ou preocupe-se, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente importam em sua vida são aqueles que nunca passaram pela sua cabeça, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.
Faça todos os dias alguma coisa que te assuste.
(Cante...)
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. E não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.
(Relaxe...)
Não perca tempo com a inveja. Às vezes se ganha, às vezes se perde. A corrida é longa, e, no final, você só pode contar consigo mesmo.
Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos. (Se você conseguir fazer isso, me diga como...).
Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários.
(Estique-se...)
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas de 40 anos mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez você se divorcie aos 40. Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. Seja o que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Assim como as de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Use-o de todas as formas que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele. Ele é o maior instrumento que você possuirá.
Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.
Tente entender seus pais. Você não sabe a falta que você vai sentir quando eles forem embora pra valer.
Seja gentil com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente não deixarão você na mão.
Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.
More em São Paulo algum tempo. Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura. More em Salvador por um tempo. Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
(Viaje...)
Aceite algumas verdades eternas: Os preços vão subir, os políticos são veniais e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem os preços eram razoáveis, os políticos, nobres e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos.
Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha um fundo de garantia. Talvez você tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito com seu cabelo. Senão, aos quarenta anos, vai ter a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos. Mas seja paciente com elas. Um conselho é uma forma de nostalgia. Dar um conselho é um jeito de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.
Mas... acredite em mim, quando eu falo do filtro solar."
 
(Video disponível aqui: http://rubensosorio1.blogspot.com.br/2014/11/use-filtro-solar.html)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Cem mil, em dez anos, sem perceber

Curioso.
Enquanto estive afastado quase que totalmente da Internet, e, portanto, do meu blogue, eis que atingi 100000 visitas (somados os três que tenho, dos quais só este ainda está meio ativo).
Cem mil visitas em dez anos (completados em maio) não é grande coisa. Há muitos blogues que tem em um mês o que tive em dez anos.
E nunca aspirei a celebridade, o sucesso editorial, nem imaginei ganhar um tostão com essa atividade (e não ganhei).
Fi-la porque qui-la.
Mas não deixa de ser uma emoção atingir seis dígitos. Será que há alguém que me lê agora que leu minha primeira postagem nos idos de maio de 2006? Se há - duvido - muito obrigado! Tem sido um prazer e um sofrimento postar 1220 reflexões em forma de textos, músicas, e fotos.
Quanto tempo ainda virei aqui deixar minhas pegadas? Não faço a menor ideia. Se você ficar por aqui, saberá...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nas ondas do Radio

Anos atrás, incentivado pelo meu amigo Valter Ferraz, à época, entusiasmado, ele, pela possibilidade de ter, na Internet, uma estação de radio só pra ele, aventurei-me a gravar alguns "spots" de 3 a 5 minutos cada para serem colocados "no ar" pela programação da Pier FM.
Infelizmente, a radio não vingou... espero que minha participação não tenha responsabilidade nisso.
Nos próximos dias, postarei as minhas gravações.
Quem quiser ser ousado e ouvir, é pro sua conta e risco!!!


Programa 1:  clique AQUI

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lou e eu

(o meu amigo Lou Mello pode estar pensando que este texto é sobre ele. Não é. Mas poderia ser; já passamos por poucas e boas juntos...)

Já postei aqui uma música - das mais recentes - do Lou Reed.

Hoje, quero falar da minha ligação com ele, motivo de orgulho e uma pequena, mas sincera homenagem a esse roqueiro "cult", recém falecido:

Em 1974 eu dava aulas de inglês pra ganhar uma graninha  (na verdade, as aulas visavam pagar a prestação da moto - Yamaha 50cc - que me permitia ir à faculdade em 20 minutos - bem devagar - e não em 1 hora e 15 minutos como era no caso de ir de ônibus...). 
Um dos meus alunos era alto funcionário da RCA Victor no Brasil, gravadora que lançou o disco "Rock 'n' Roll Animal", famoso disco do Lou Reed com a banda Velvet Underground, no país.
Um dia, durante a aula, meu aluno me conta do problema que a RCA enfrentava: a censura prévia - em pleno regime ditatorial militar - barrara o disco porque continha uma música chamada "Heroin", com claras referências às drogas. Ele sabia que eu era fã de rock e me pediu para ajudá-lo a achar outro nome para a música, quem sabe assim a censura liberava o lançamento do disco...
Ficamos a aula toda ouvindo "Heroin", escrevendo a letra, e foi fácil  sugerir um nome alternativo à música: "I just don't care" - frase contundente, repetida várias vezes no refrão.
Algum tempo depois, meu aluno aparece contente na aula, com o novo disco em mãos. Entrega-o a mim - com dedicatória - e diz: "Você é parte desse projeto".
Lá está, na contra capa da edição brasileira, a lista de músicas, e a segunda, depois de "Intro/Sweet Jane" é "I just don't care".
Eu fazia parte definitivamente da história do "Rock & Roll"...


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cenas Inesquecíveis do Cinema e da TV - 2

O filme já acabou.
Foi muito divertido e nosso herói (ou anti-herói), um adolescente malandro, está no quarto depois de enganar os pais de que está doente. Na verdade, ele cabulou aula e fez mil estripulias com seus amigos. Foi o dia de folga de Ferris Bueller (e esse é o nome original do filme).
Na tela, os letreiros já acabaram. Da tela preta aparece o corredor que dá para o quarto de Ferris, palco da última cena do filme.
De repente, o rapaz aparece no corredor. Parece surpreso, avança uns passos e diz, olhando para a plateia:
"Ainda estão aí? Já acabou! Vão pra casa! Podem ir embora!"
Pega todo mundo - todo mundo não,  porque algumas pessoas, ao virem os letreiros já saíram do cinema; vão se arrepender depois - de surpresa. Surpresa essa que se torna uma gostosa e última risada, e que fica na memória o resto da vida.

(Quer ver a cena de Curtindo a Vida Adoidado? Clique aqui)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cenas Inesquecíveis do Cinema e da TV - 1

Todos nós temos algumas cenas de filmes que marcaram a memória de tal forma que as vemos claramente, como se as tivéssemos assistido agorinha.
Tenho algumas, que pretendo postar aqui e para começar, duas cenas que me vieram à mente assim que pensei nesse tema. Não, não! Sinto muito frustrar quem espera que minhas primeiras cenas inesquecíveis sejam "cult" e intelectuais, provenientes de filmes de Godard, Bergman ou Pasolini. Não serão também as famosas cenas de "Casablanca" - o adeus dos protagonistas e o "play it again, Sam" - ou o triste murmúrio, "Rosebud", de Wells. As duas cenas são bem mais simplórias, mas... fazer o quê? São elas que me marcaram:

Cena 1: Filme, "O Planeta dos Macacos" original, com Charlton Heston.
O herói escapa a cavalo do mundo dos macacos; ele viajou para um planeta onde a evolução caminhou às avessas, e os macacos são civilizados enquanto os humanos são primitivos. Exausto, cavalga pela praia com sua nova companheira. Para, assustado e desce na areia, ajoelha-se desolado, e soca o chão, gemendo e gritando: "Vocês conseguiram!" "Malditos" "Queimem no inferno!". A câmera gira lentamente, abre o ângulo de visão e vemos a Estátua da Liberdade, semi enterrada na areia à beira mar. É assim que ficamos sabendo que ele nunca saiu da Terra, apenas avançou no tempo.
Voltei para casa em estado de torpor tal que não me lembro como cheguei lá...

Cena 2: Seriado da TV, "Magnum", com Tom Selleck.
Tom é um cara alto, fortão, com um bigode bem másculo (para os anos 80, claro!). Mas quando se envolve em uma discussão e se convence que não vai ganhar, tem uma reação característica: deixa pender a cabeça, num gesto de desistência e desânimo que se tornou sua marca registrada. Um charme!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O poder da Imagem

Muitas pessoas mudam com frequência a foto do seu perfil no Facebook.
Na semana da criança, assim como muitos, mudei a minha foto. Coloquei uma foto de quando era nenezinho... tão bunitinho!!! Veja abaixo:
Mas a semana da criança passou e em lugar de colocar de volta minha imagem atual, resolvi mostrar o quanto havia mudado, de pequenino a jovem. E coloquei uma foto bem característica dos meus 18 aos 35 anos.
Fiquei impressionado pela reação das pessoas.
Em apenas 3 dias recebi mais comentários e "curtições" do que todas as outras postagens que já fiz no Facebook, a maioria delas abordando assuntos de maior interesse (pensava eu) do que uma foto de 30 anos atrás.
Fiquei surpreso e também com o ego inchado porque a maioria disse que eu era bem apessoado, um galã!!!
Então pus-me a pensar: Serei eu aquele da foto? Além da aparência, o que mudou em mim de lá pra cá? Ganhei ou perdi com o passar do tempo?
Ainda não sei... mas, minha imagem naqueles tempos era assim:

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma ajuda para atravessar a rua

Quem passava por mim, há uns dias, poderia pensar que eu tivesse perdido o juízo. Talvez o tenha.
Viam-me no meio da rua, freneticamente a acenar para que os carros se desviassem, enquanto – munido de um graveto seco – eu cutucava algo escuro no chão de asfalto. O que seria aquilo? O que pretendia aquele insano no meio da rua? Talvez, como um pouco mais de atenção, ao passar bem lento por mim, veriam que meus esforços se destinavam a garantir que uma aranha caranguejeira – já vista por vocês em postagem no Facebook– fizesse a travessia da rua incólume.
Eu - por coincidência, saía de casa no exato momento em que a aranha resolveu atravessar a rua em frente ao meu portão - levei um susto ao perceber um vulto escuro se movimentando vagarosamente pela rua. Parei o carro e fui ver. Reconheci imediatamente a bichona que já me visitara e, ao perceber que ela não desistiria de seu intento de cruzar a rua, decidi acompanha-la, cutucando-a, sem sucesso, com um graveto para que se apressasse e gesticulando para os carros que vinham sem atentar para o ser vivo no asfalto.
Fui bem sucedido, a aranha chegou sã e salva ao outro lado, mas minha imagem deve ter ficado seriamente abalada.
Foto tirada por ocasião de sua visita à minha casa...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Orós - poema do PV (O tempo passa...)

Esta é pros meus amigos do Acampamento PV, nos idos da década de 60...
Fechem os olhos, que vocês enxergarão o Ciro no palco, declamando:
ORÓS
A chuva chegou , devagarinho,
como quem não vai ficar.
Deu um banho de chuveiro
no cajueiro menino
lá da porta do curral.
Zefa ria de contente;
meu filho pôs-se a chorar.
Peguei Raimundinho de ano
e botei lá no balanço
da rede de buriti…
Ficou pra lá… e pra cá…
Miado de gato com fome ,
a rede pôs-se a miar.
“- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais!”
“- Deixa chover, Zeferino.
O teu boi morreu de sede.
Morte, chuva não traz”.
“- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais!”
E choveu o dia inteiro.
E choveu a noite inteira.
“- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais”!
“- Deixa chover, Zeferino.
O teu boi morreu de sede,
afogado na poeira
que o sol jogou no sertão.
Plantamos e não colhemos,
pois a seca disse:- Não!
E, quando a chuva chega,
tu ficas a reclamar ?
Não pode mesmo ser muito
quem nunca vem pra chegar…”
“- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais.
Vamos pegar o menino
E botar o pé no mundo
Que isto não é vida não.
A gente escapa da seca
Vai no dilúvio afogar ?
Zefa, junta os teréns e o Raimundo,
Vamos tocar o pé no mundo,
Vamos embora do sertão.
Esta terra é maninha
E é madrasta também.
Zefa, junta os teréns,
Jaguaribe-jararaca
“ta” virando sucuri;
desde que me entendo por gente,
chover assim nunca vi!”
“- Deixa chover, Zeferino.
Vamos ter canjica nova,
vamos plantar arrozal;
vamos engordar um porquinho;
paçoca, pamonha, pão…
Vamos aumentar a família:
um Raimundinho só não dá!
E quando os meninos crescerem,
A Zefa vai descansar…
Deixa chover, Zeferino…”
E veio a enchente bravia:
levou a casa da Zefa,
levou a Zefa afogada
e o Raimundinho também,
por estes mundos de Deus…
Abriu uma estrada, um caminho,
de sofrimento e de dor…
E, sem Zefa, sem rancho,
sem Raimundinho, sem nada,
o Zeferino, na estrada
segue falando sozinho:
“Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais…”

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Muita água rolou

De março de 1972 até novembro de 2010, muita água rolou e muito aconteceu com aquele grupo de calouros da Geologia da USP. Mas a amizade continuou intacta, a alegria de conviver, a aventura de viver. Éramos 35 colegas no encontro de 35 anos de formatura. Na foto, somos 34, mas chegou outra colega pouco depois. Foram dois dias de muitos reencontros, risos, cerveja, causos, cachaça, música e saudades . Valeu a pena, como valeu!

(Ah, vocês acertaram! Na foto anterior, eu sou o que está em pé, no meio da foto - oitavo da esquerda ou direita.)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

38 anos depois...

Em março de 1972, cinquenta jovens entusiamados começaram o curso de Geologia da USP em São Paulo. Pra ser sincero, o trote foi a coisa mais difícil, ninguém se conhecia, todos um pouco assustados com a radicalidade do trote, mas foi o que abriu as portas para a formação de um grupo coeso, amigo, animado e que se divertiu muito durante os quatro anos do curso.
Amanhã, 38 anos depois desse início tragicômico, vamos nos reunir novamente para comemorar 35 anos de formados, e juntos, curtir novamente aqueles anos.
Vocês conseguem me identificar nesse estranho grupo?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma hora no céu

Não foi difícil chegar lá. Pena que durou tão pouco! Mas valeu a pena! Ah! Como valeu! Uma hora no céu refaz tuas energias, te enche de ânimo pra seguir a vida. É um presente de Deus!!!
Saí de casa com a Elaine e fomos até o Campolim, pequeno parque arborizado em Sorocaba, dois grandes lagos, e muita gente passeando num domingo morno e ensolarado de inverno. Em meio às árvores, dezenas de redes penduradas para quem quisesse deitar e ouvir - numa tenda branca, armada com um palco, junto às redes - quatro músicos tocando blues.
Nunca imaginei que ir ao céu fosse tão simples. Deitado à sombra das árvores, na rede com a mulher que amo, ouvir blues tocado com alma e arte é uma experiência celestial!!!
Pena que o show acabou em pouco mais de uma hora, e fui obrigado, a contragosto, voltar às lides terrenas.
Mas valeu o show!!!

sábado, 1 de maio de 2010

Navegando

A leitura feliz de "Navegação de Cabotagem", do mestre Jorge Amado, tem-me remetido a fatos do meu passado e me dado vontade de retomar os textos de "O Tempo Passa...".
Para os jovens pode parecer ridículo e supérfluo, mas para mim, essas lembranças evocadas são puro deleite, mesmo quando renascem dores e sofrimentos do passado. Passaram, já não podem me atingir, e lembrar delas agora é mais prazer do que dor. E as alegrias antigas alegram-me outra vez com o vigor de piada nova.
Talvez essa seja a maior vantagem de uma vida longa: tanta coisa para relembrar!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

O estádio do Pacaembu - SP

Ver imagem em tamanho grandeO mais tradicional estádio de futebol da cidade de São Paulo completa 70 anos.
A primeira vez que fui ao estádio, ele não tinha mais do que 20 anos. Eu era garoto, morava perto, dava para ir a pé. O estádio é muito charmoso, tem uma arquitetura elegante - naquele tempo mais, por não ter ainda o horroroso "tobogã" ao fundo - e o bairro onde foi construído é elegantíssimo. O texto abaixo foi publicado um tempo atrás no meu blogue "O Tempo Passa".
Republico hoje, como homenagem ao velho estádio:

Desde moleque ainda, torcia para o Santos F. C., o time de Pelé, Edu, Toninho e cia. Meu tio era corintiano “roxo”. Um dia ele passou em casa à tarde para me levar ao Pacaembu, próximo de onde eu morava, para assistir ao clássico "Santos X Corinthians". 
Chegamos no estádio perto da hora do jogo, e por isso não havia mais lugar pra sentar na torcida corintiana. Estávamos em pé, no alto das arquibancadas atrás de um dos gols, quando um grupo acenou do meio da arquibancada, mostrando que poderiam me acomodar entre eles. Fui pra lá e fui recebido amigavelmente, mesmo após dizer que era santista.
Disseram: “Então, ele fica com o bolão”. Eram cinco amigos, e haviam feito uma aposta: cada um sorteou um número de 7 a 11; quem tivesse o número do atacante que marcasse o primeiro gol, ganhava o dinheiro.
Peguei o dinheiro e passei-o para um dos rapazes. Ele me olhou desconfiado e disse: “Guarde-o. Você vai dar o dinheiro para quem tiver o número do artilheiro”. E eu respondi: “Pois é, você não tirou o número 10? Tome, o dinheiro é seu”. Todos deram risada, e procuraram não levar muito a sério o que eu dissera.
Começou o jogo. Passaram-se uns 15 minutos e um jogador santista leva a bola para a linha de fundo e centra. A bola vai para o centro da área, e lá, no meio da zaga corintiana, sobe um jogador negro, de uniforme branco, número "10" às costas. Com leveza e precisão, cabeceia a bola. Esta passa pelo goleiro que se atira desesperada e inutilmente em sua direção e vai parar no fundo da rede. É goool... de Pelé!!!
Virei para o portador do número 10: “Não disse que o dinheiro era seu?”