Ser "dona de casa" era função básica da mulher há tempos idos. Ela era a gerente do lar, administrando os empregados domésticos, a despensa, os serviços de limpeza da casa, a preparação das refeições, os cuidados com os filhos, etc. Ufa! Coisa pra caramba! Trabalho cansativo e exigente. Enquanto isso o marido saía para o trabalho e ganhava o "pão de cada dia".
Os tempos mudaram. As mulheres se livraram pouco a pouco da obrigação social de ser "dona de casa"; invadiram o mercado de trabalho e hoje estão em todas as áreas de atuação humana.
Este processo, aliado ao alto nível de desemprego, criou a ainda rara, mas crescente figura do "dono de casa". É o marido que fica em casa com os afazeres domésticos, muito mais leves com o advento dos eletrodomésticos e a diminuição da área ocupada pelos lares modernos.
Sou um desses, quase. Tenho ficado em casa nos últimos meses, em parte deles trabalhando em casa com tradução e revisão de textos; em parte, só cuidando da casa porque a Elaine fica no trabalho muito tempo. Não gosto. Cozinhar, arrumar a louça, "ajeitar" a casa não são coisas que faço com prazer. Outros maridos "assumem" o fogão com visível prazer. Eu me saio bem, mas a contragosto. E tenho ajuda semanal de pessoas que vem cuidar da roupa e da limpeza da casa.
Por outro lado, percebo agora tentação de classificar o trabalho doméstico como "trabalho improdutivo" como era antigamente. À pergunta: "você trabalha?", as mulheres respondiam: "não, eu sou dona de casa".
Apesar de ter consciência de que minhas atividades domésticas permitem que minha esposa se dedique com afinco às suas atividades na área médica, promovendo assim a saúde de centenas de milhares de cidadãos de minha cidade, volta e meia sinto-me meio "inferior" aos meus amigos - gerentes de empresas, funcionários públicos ou empresários.
É isso. Agora me deem licença que preciso por o arroz pra cozinhar...