sábado, 16 de novembro de 2019

Tempos Medievais

A gente pensa que a Humanidade caminhou muito desde a Idade Média... foram tantas as transformações sociais, tecnológicas, econômicas e culturais que nem parece que somos, no Séc XXI, os mesmos Homo Sapiens do Séc XIV...

Qual o quê!!!!

"Dois meses pra 2020 e a gente lidando com um governo que acredita em príncipes, terra plana, ameaça comunista, mas não acredita em vacina, aquecimento global, nem desigualdade social." (comentário colhido no Facebook).

Não só continuamos os mesmos, acho que retrocedemos um bocado nos últimos anos.

domingo, 10 de novembro de 2019

Religião, meritocracia, desempenho, e corrupção

"Porque, como vivo dizendo, o capitalismo é religião; seu deus, ao contrário do que se pensa, não é o dinheiro, mas a performance.

Resta-nos pouca moral, mas o que nossa ética de fato cultua é o talento e o empreendedorismo. Os heróis e santos contemporâneos são inequivocamente os vencedores, os talentosos, os empreendedores, os famosos, os bem-sucedidos. Esses, no nosso livrinho, é que são gente edificante, de valor, a ser admirada, seguida e – se tudo der certo – superada. O que temos no fim das contas não nos satisfaz, porque medimos nossa própria felicidade pela proporção em que nos conformamos aos padrões e precedentes estabelecidos pelos mais tecnicamente bem-sucedidos que nós.

É na verdade apenas essa crença no mérito inerente do desempenho que nos faz posicionar contra pecados modernos como a corrupção. O problema da corrupção, por essa nossa visão de mundo, é que ela impede o livre curso e a supremacia da performance – quando cremos que a performance é a verdadeira medida do valor. A corrupção nos parece ruim porque não permite que os verdadeiramente talentosos e esforçados sejam recompensados. E que os talentosos e esforçados devem ser recompensados e os incompetentes e preguiçosos punidos, é inquestionado item de fé da nossa religião.


Nossa teologia é o liberalismo econômico, nosso deus a performance.


Nosso panteão é por essa razão povoado por gente admirável como Ayrton Senna, Paul McCartney, Steve Jobs, George Clooney e Bill Gates – gente que se define pela naturalidade com que palmilha os átrios do talento e do empreendedorismo no templo do sucesso.

Naturalmente que nossa idolatria da performance é, por necessidade, contraditória e distorcida. Na mesma medida em que nos prostramos diante de santos contemporâneos como Senna, nos deleitamos na desconstrução pública de outros de nossos ícones. Acompanhamos com delícia e horror o espetáculo da autodestruição de Michael Jackson ou a infâmia do mais recente ídolo do rock encontrado morto e drogado e nu (não necessariamente nessa ordem) em sua banheira." - Paulo Brabo, na Bacia das Almas

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O Poder não liga pra Esquerda... nem para a Direita.

Ao mesmo tempo que a Direita comemora a aprovação da Reforma da Previdência no Brasil, a Esquerda comemora o fracasso da mesma reforma no Chile.
Ambos estão errados.
Não é correto dizer que a reforma feita no Chile não deu certo. Deu certo, para quem a queria. Os grupos econômicos dominantes no Chile lucraram muitíssimo no curto período de vigência das reformas neoliberais no Chile. Se tudo for apagado agora, o dinheiro está no bolso. E bem guardado.
Não é correto que a reforma aprovada no Brasil vai, de alguma forma, ajudar o Estado, e em consequência, a população. Ela só vai favorecer o enriquecimento maior de quem já é rico (tanto brasileiros, quanto estrangeiros, mas, principalmente estes) e detém o poder sobre a Nação (políticos e partidos, inclusive).
O que aprendemos com a História, se é que aprendemos algo, é que passada a tormenta - que pode ser uma revolução, uma grande mobilização popular, uma violenta onda de protestos, uma resistência moral e física contra os poderosos, um conflito armado - tudo volta ao que era, com uns poucos garantidos no poder e muitos garantidos na submissão e sofrimento. 
E la Nave va.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Busca 2

O que busca o homem? 

A felicidade
A satisfação das necessidades básicas
Dar um sentido, um significado à sua vida
Fazer o que lhe der na cabeça e "foda-se o resto"?
Amealhar fortuna e fama?
Adiar o mais possível o inevitável dia da morte?
O máximo de prazer, com o mínimo de sofrimento?

Seja qual for a sua resposta, este conselho - da sabedoria africana - lhe serve:
"Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá em grupo."
(reflexão inspirada pela leitura de "Como Entender e Sobreviver ao Intento", de Fabio Ortiz Jr.)

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Busca

Estou na busca, constante, incansável, interminável de "cometer melhores erros".

(inspirado em Ana Maria Medeiros de Fonseca, citada por Fabio Ortiz Jr, em "Como Entender e Sobreviver ao Intento")

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A bênção da incerteza

"A natureza da realidade, essa impermanência, traz para nós, seres humanos, principalmente os criados nos valores da cultura ocidental, um maldisfarçado desconforto, frequentemente uma angústia. Ressentimo-nos da aparente falta de chão, a falta da certeza e de ordem, precisamos ver pedras onde pisar.
...
...abençoados os que navegam  pela incerteza, pois dela é feito o caminho para o conhecimento."

("Como Entender e Sobreviver ao Intento", de Fabio Ortiz Jr., CEPA, 2019) 

domingo, 6 de outubro de 2019

"It's a beautiful day to save lives"

"É um lindo dia para salvar vidas". Com essa frase o personagem Dr. Derek Shepard - neurocirurgião do Seattle Grace Hospital - começava uma cirurgia intracraniana...

Dez anos depois, revendo episódios desta famosa série de TV, "A Anatomia de Grey", a frase finalmente captou minha atenção. E fiz uma transposição para o dia-a-dia que nós - seres comuns que não "salvam" pessoas em arriscadas cirurgias - podemos fazer: podemos todo dia, a cada novo dia, dizer para nós mesmos: "É um lindo dia para ajudar pessoas"...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

O instrumento e o problema, segundo M. Twain

Frequentemente me deparo com pessoas estarrecidas pelo que julgam "estreito", "fundamentalista", "bitolado" o pensamento de pessoas atualmente no exercício do poder (do "presidente" aos "ministros", "governadores" e "secretários"). Eu mesmo acho difícil entender como pessoas adultas, das classes média e alta, em pleno século XXI, podem ter ideias, convicções e pensamentos tão toscos e estapafúrdios quanto o que ouvimos atualmente de nossos governantes.
Qual não foi minha surpresa e "insight" quando me vi frente a Mark Twain, e uma citação no excelente livro de Fabio Ortiz Jr, "Como Entender e Sobreviver ao Intento".
Com sua verve humorista e um olhar agudo e profundo da natureza humana, Twain abre meus olhos com a simples frase:
"Quando o único instrumento que você tem é um martelo, todo problema que aparecer você tratará como prego."
Então é isso!!!! Pessoas com visão unidimensional, restrita a dogmas, e alienadas pela autoridade moral, religiosa, filosófica ou política do grupo a que pertencem SÓ podem enxergar "pregos"!!!!

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O homem e a transformação da realidade - Paulo Freire

"Quando o homem compreende sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e com seu trabalho pode criar um mundo próprio: seu eu e suas circunstâncias."

(Paulo Freire em "Educação e Mudança", ed Paz e Terra, 20a edição, 1994.) 

Um grande pequeno livro, uma pérola de enorme valor. Recomendadíssimo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

"A Guerra do Vietnã", um documentário para ser visto... e refletido.

O mais impactante neste documentário não são as imagens - impressionantes, inesquecíveis - não é o horror e burrice desta guerra - claramente apresentados -, mas as reflexões atemporais, despejadas como tempestade torrencial, uma atrás da outra, por personagens variados e de ambos os lados da guerra. Gente que conseguiu não só sobreviver, mas refletir sobre o sofrimento inimaginável que sofreu nessa guerra estúpida (como todas, mas, talvez, mais ainda essa) e extrair lições, conceitos, sentimentos profundos e positivos, humanos até o âmago, e que nos dão, em meio a agonia de "ver" uma guerra, o alívio de saber que a humanidade resiste à barbárie.
Um grande, um enorme documentário. Parabéns Ken Burns e Lynn Novick pela esplêndida produção!