terça-feira, 24 de junho de 2008

119 - Motoqueiro - 3 (O Tempo Passa...)

Uma das características marcantes dos motoqueiros era – não sei se ainda o é – a solidariedade que havia entre eles. Talvez por serem minoria no trânsito, talvez por serem “mal vistos” pelos motoristas de autos, talvez porque nos sentíamos mesmo “diferentes”, um grupo à parte e nos identificávamos por isso.
Tive a oportunidade de experimentar essa solidariedade uma vez. Estava há pouco tempo com minha primeira moto – um pequena e leve Yamaha de 50 cilindradas – e a rua fazia uma curva à esquerda. Um pouco antes, obstáculos – do tipo “tartarugas” - obrigavam os motoristas a diminuírem a velocidade. Tentando não passar sobre o obstáculo, o que faria a moto dar um solavanco desconfortável, fiz pontaria para passar entre duas, pois havia espaço suficiente para o pneu da moto atravessar incólume. E fui bem sucedido! Passei sem sentir nenhum tranco, mas... preocupado com as “tartarugas” não percebi que a curva tinha um bocado de areia sobre o asfalto, justo na trajetória da moto.
Não deu outra. A roda traseira derrapou na areia ao fazer a curva, perdi o equilíbrio e fui ao chão. Não houve dano, a não ser no ego e no cotovelo um pouco ralado. Mas eu nem bem havia me levantado e já duas ou três motos paravam por perto, um motoqueiro vindo me ajudar, outro levantando a moto e outro ainda desviando os automóveis da minha direção.
Segui em frente, depois de verificar que estava inteiro e a moto também. Os “companheiros motoqueiros” fizeram questão de me dizer que isto era coisa normal, que todos já haviam passado por uma situação assim, que não havia do que me envergonhar. E realmente, em poucos minutos o constrangimento pelo tombo bobo foi substituído pelo orgulho de fazer parte desse grupo anônimo de gente solidária.

4 comentários:

bete pereira da silva disse...

E não é que você está certo? Uma vez eu atravessei com meu fusquinha um farol vermelho, e derrubei um motoqueiro. Entrei em pânico, felizmente não foi nada grave, só quebrou o meu retrovisor. Foi então que o jovem, se levantou, e veio ...me acalmar. Calma moça, calma eu estou bem, a gente que é motoqueiro tem prática em cair, fica tranquila. Pode? Ele, o atingido!

Carmen disse...

Deus me livre de atropelar um motoqueiro!!! Além de considerar muito desigual eu, com carro, "pegar" uma moto... aqui na rod. Raposo Tavares, quando alguém consegue acertar uma moto... é um terror!!! Param muiiitos do "clube da motoca" e mesmo que o culpado não seja o motorista... Dá medo da reação da turba... Eu, hein???

Roger disse...

Isso aconteceu mesmo ou é uma parábola sobre nossas quedas e o papel da igreja?

alealb disse...

e ai você se empolgou pra comprar uma de 400 cilindradas??
:)
:)
beijos,
alê