quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Janela


Há a história de dois homens, ambos seriamente doentes, no mesmo quarto de um grande hospital. Um deles, como parte de seu tratamento, podia sentar-se na cama por uma hora à tarde para drenar fluído dos seus pulmões, e sua cama ficava próxima à janela.
Mas o outro homem tinha que ficar o tempo todo deitado de costas. Eles conversavam por horas a fio sobre suas esposas, seus filhos, suas casas e seus empregos.
Toda tarde, quando o homem na cama perto da janela era erguido por uma hora, passava o tempo descrevendo o que conseguia ver. E o outro homem começou a ansiar por estes momentos.
A janela aparentemente permitia ver um parque com um lago onde havia patos e cisnes, crianças atirando-lhes pão, e barcos à vela em miniatura, e jovens namorados andando de mãos dadas; onde havia flores e tapetes de grama, jogos de futebol, pessoas descansando ao sol, e à distância, uma linda vista da silhueta da cidade.
O homem deitado de costas ouvia tudo isto, apreciando cada minuto: como uma criança foi salva de cair no lago, como estavam lindas as meninas em vestidos de verão, e o excitante jogo de bola ou o garoto brincando com o cãozinho. Chegou ao ponto do homem quase poder ver o que acontecia lá fora.
Com os dias se passando, o homem deitado de costas tornou-se ressentido por não poder ser colocado em posição próxima à janela para ver tudo aquilo por si mesmo. Ele ficou cismado, perdeu o sono e tornou-se mais irritado com sua condição.
Uma manhã o homem próximo à janela morreu; seu corpo foi retirado rapidamente. Logo que foi possível, o homem perguntou se podia ser mudado para a cama próxima à janela. E quando eles o mudaram, fizeram-no ficar bem confortável, e o deixaram.
No momento que se viu só, ele se apoiou nos cotovelos e, dolorosamente e persistentemente, olhou pela janela.
E viu uma parede branca!

(extraído de "Conquering the Fear of Failure", de Erwin Lutzer, Kregel Publications, 2011)

2 comentários:

Tuco Egg disse...

Legal. Bem legal mesmo.

Juber Donizete Gonçalves disse...

Rubinho,

Gostei do texto, bacana mesmo. Me lembrou do filme "A vida é bela".

Abraço.