quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lou e eu

(o meu amigo Lou Mello pode estar pensando que este texto é sobre ele. Não é. Mas poderia ser; já passamos por poucas e boas juntos...)

Já postei aqui uma música - das mais recentes - do Lou Reed.

Hoje, quero falar da minha ligação com ele, motivo de orgulho e uma pequena, mas sincera homenagem a esse roqueiro "cult", recém falecido:

Em 1974 eu dava aulas de inglês pra ganhar uma graninha  (na verdade, as aulas visavam pagar a prestação da moto - Yamaha 50cc - que me permitia ir à faculdade em 20 minutos - bem devagar - e não em 1 hora e 15 minutos como era no caso de ir de ônibus...). 
Um dos meus alunos era alto funcionário da RCA Victor no Brasil, gravadora que lançou o disco "Rock 'n' Roll Animal", famoso disco do Lou Reed com a banda Velvet Underground, no país.
Um dia, durante a aula, meu aluno me conta do problema que a RCA enfrentava: a censura prévia - em pleno regime ditatorial militar - barrara o disco porque continha uma música chamada "Heroin", com claras referências às drogas. Ele sabia que eu era fã de rock e me pediu para ajudá-lo a achar outro nome para a música, quem sabe assim a censura liberava o lançamento do disco...
Ficamos a aula toda ouvindo "Heroin", escrevendo a letra, e foi fácil  sugerir um nome alternativo à música: "I just don't care" - frase contundente, repetida várias vezes no refrão.
Algum tempo depois, meu aluno aparece contente na aula, com o novo disco em mãos. Entrega-o a mim - com dedicatória - e diz: "Você é parte desse projeto".
Lá está, na contra capa da edição brasileira, a lista de músicas, e a segunda, depois de "Intro/Sweet Jane" é "I just don't care".
Eu fazia parte definitivamente da história do "Rock & Roll"...


2 comentários:

Lou Mello disse...

É, quando li o título pensei mesmo estar envolvido nessa história. De certa forma, devo meu apelido ao Lou Reed. Quando moramos nos EUA, nossa casa era em Davie - Ft. Lauderdale e eu trabalhava em Miami, ao lado do aeroporto, em uma esquina. Na esquina do outro lado havia um restaurante cubano onde costumávamos tomar café e, às vezes, almoçar. O dono do restaurante resolveu mudar meu nome desde o primeiro dia. Dizia que Luiz era um nome latino demais e com ele estaria morto nos EUA. Naquele momento o Lou Reed estava tocando na vitrola automática do lugar e ele apontou para ela e disse: Lou, perfect, my friend! Então meu Lou, de certa forma, é devido ao Lou Reed e ao Manolo, o cubano dono do restaurante, cujo nome verdadeiro era Manoel. Ah, eu gosto de Rock.

Hernan disse...

Pô, que legal, Rubens.

Até da ditadura foi possível tirar algo de bom: sua participação na história do rock no Brasil.

Parabéns!