quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Meu Carnaval

Neste carnaval usufrui a companhia de meus pais. Deram-me a oportunidade de refletir sobre esta fase da vida, da qual me aproximo rapidamente, que é a velhice.
Convivendo com eles poucos dias, percebi que a inexorável e veloz passagem do tempo afeta muito a vidinha que estamos acostumados a ter desde que nos tornamos adultos.
As limitações se avolumam: os sentidos perdem acuidade; os movimentos perdem força, rapidez e leveza; a mente perde a memória, a sagacidade, a atenção; as manias se aprofundam; a teimosia cresce; a flexibilidade e adaptabilidade diminuem.
Vislumbrar um rumo, um objetivo, uma razão para viver não é fácil. Manter a saúde, a lucidez, o equilíbrio é um desafio, por vezes, além da capacidade individual. Não ser, ou sentir-se, um peso para si e para os outros é a questão.
Os avanços tecnológicos que permitem às pessoas atingirem 80, 90, 100 anos de idade, não garantem a qualidade de vida necessária para valer a pena chegar a ser um idoso.
Os exemplos festejados de centenários como Oscar Niemayer, e Derci Gonçalves são capciosos, como são tantos exemplos exaltados pela mídia - do milionário aos 25 anos, empreendedor vitorioso, ao esportista que venceu o câncer, passando pelo ex-interno da Febem que se fez homem notável, e por aí vai - que são o que são: EXCEÇÕES.
Não se pode estabelecer um padrão, uma expectativa a partir de exceções. O certo é que a grande maioria dos idosos padece, tal como padecem a grande maioria dos ex-internos da Febem, dos doentes de câncer, e dos empreendedores autônomos.
Não quero ser uma exceção; não aspiro a ser um Niemayer aos cem anos, se lá chegar. Prefiro que a sociedade caminhe logo para uma solução social que garanta ao idoso a vida digna de quem lutou, vencedor ou não, famoso ou anônimo.
Será?

Um comentário:

Carmen disse...

Gostei muito deste texto que, de carnaval não tem nada... Envelhecer é uma arte... e não é fácil, não!!!
Perder amigos, parentes, possibilidades, tempo que não se recupera...limitações, quantas limitações...É difícil aceitar as mudanças, tanto físicas quanto mentais... Também é difícil assistir o envelhecimento dos nossos ente-queridos, principalmente dos nossos pais, que nos são tão caros e amados!!! Quando vejo minha mãe, aos 84 anos de experiência, já com dificuldade de andar, apesar de 3 cirurgias, esperando a "eventual" visita dos filhos, tão desejada e festejada quando acontece; vejo como somos vulneráveis e necessitados de carinho e atenção, nem que seja em doses homeopáticas. Beijos. Carmen