terça-feira, 27 de maio de 2008

115- INFLAÇÃO (O Tempo Passa...)

Morava em Sorocaba, interior de São Paulo, nos anos 80. Tempos bicudos, de inflação altíssima. O dinheiro que ficava na mão hoje, valia menos amanhã. Melhor gastá-lo ou aplicar no banco.

Nossa situação financeira não era das piores, mas meu salário era pouco e Elaine também não ganhava bem. Com dois filhos pequenos, as despesas de manutenção da família e educação dos filhos deixava todo mes, alguns dias sobrando depois do fim do dinheiro. Era uma correria pra tapar buraco ou pra economizar qualquer coisa.

Um jeito de fazer economia era percorrer todos os três grandes supermercados da cidade, num único dia, anotando o preço de tudo que precisávamos comprar, e depois voltar, adquirindo os produtos de menor preço de cada um deles. Com isso, uma compra que hoje faço em uma hora, uma hora e meia, tomava-me quatro a cinco horas!

E quando o preço era bom mesmo, o jeito era fazer um estoque do produto, porque aquele preço não se manteria por muito tempo. Às vezes, mantinha-se por alguns minutos apenas. Como resultado, o espaço ocupado pela despensa era enorme.

Hoje, aqueles dias parecem pesadelos. Eu rio quando leio nos jornais que a inflação subiu “quase meio ponto percentual por ano em um mês”, preocupando a todos. Os preços naquela época chegaram a subir mais de um por cento num dia!!!

Espero, sinceramente, que esses velhos tempos não voltem mais...

5 comentários:

Tuco Egg disse...

Eu era muito pequeno na época. O que me afetou mesmo foi ter que sair às 5h da manhã de casa pra entrar na fila do leite. E ia a família toda porque só era permitido comprar 2 litros por pessoa. Acho que era na mesma época. Ou um pouco depois, quando houve os congelamentos de preço e os produtos sumiam das prateleiras...

bete pereira da silva disse...

Rubinho, eu sou tão desligada, agora que eu percebi que você numera as suas postagens, gostei da idéia. Olha, eu trabalhava em bancos naquela época, o pessoal vivia doido em cima das aplicações, muita gente maluca vendeu o que tinha e passou a viver de juros, acho que depois eles tiveram um bom tempo pra se arrepender.

Anônimo disse...

Pois é, aqueles eram tempos de pesadelo... e de sobrevivência!
Êta tempos difíceis!!! Beijos,Carmen

PS: coloquei no meu site um artigo para você levar para os nossos pais idiotivos... Veja se você divulga o meu site, tá? www.cronicasaoentardecer.com.br

alealb disse...

é...
tudo é uma questão de comparar, pra vermos que já foi pior né?
beijos,
:)

Roger disse...

Rubinho,

naquela época, tinha um professor de geografia que dizia em tom profético, a inflação no Brasil nunca vai acabar.
De fato ela não acaba, mas nem se pode comparar!

Saudações,

Roger