segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Fede mais, fede menos...

Fé demais, fé de menos...


O padre fazia a cerimônia de casamento. Explicava aos noivos que o casamento, na Igreja Católica, é um sacramento válido por toda a vida. O casamento é feito por Deus, e portanto, homem algum pode desfazê-lo. E completa: “É isso o que nós, católicos cremos, é essa a nossa fé, que Deus vai manter unido aquilo que Ele mesmo uniu”.


A jornalista da revista “Época”, relatou, na edição de 07 de janeiro de 2008, a experiência de passar dez dias em meditação em um retiro budista: “Desde o início, Goenka, o mestre vipássana, pedia que cada aluno desse 'uma chance justa à prática'. Sua proposta era semelhante ao método científico. Não acredite, duvide. Teste. Mas faça isso com rigor para que os resultados sejam confiáveis. Pareceu-me uma proposta honesta.


Habacuque, um personagem secundário na história religiosa dos judeus, escreveu, provavelmente cinco séculos antes de Cristo: “Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas na videira, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.


Muitas pessoas não testam sua fé (religiosa ou não), com medo que ela falhe.

Muitas pessoas não admitem colocar sua crença em dúvida, pois acham que dúvida e fé são incompatíveis.

Muitas pessoas acham que a fé correta depende do resultado, é aquela que “dá certo”, e que uma crença tem que dar “provas” de estar certa. Fé torna-se quase um sinônimo de “sucesso”.

Muitas pessoas abraçam uma fé por sua “racionalidade e sensatez”. Querem explicar a fé.

Outras, negam qualquer valor à racionalidade quando o assunto é fé, dizem que a fé e a razão são incompatíveis. E crêem num vínculo umbilical entre fé e emoção. Querem sentir a fé.

Há quem pense que a fé é apenas uma bengala religiosa, iludem-se que podem viver sem fé; crêem piamente nisso.

Tem gente que diz ter fé, mas vive como se não tivesse. O contrário também acontece, dizem não ter fé alguma, mas confiam cegamente nas centenas de pessoas – falíveis todas, incompetentes algumas – que fabricam os automóveis e aviões aos quais entregam suas vidas.

E tem quem pense que a fé é algum íntimo e pessoal, que não pode - nem deve – ser discutido ou ter papel social. Para outros, a fé, qualquer que seja, só é válida enquanto instrumento de promoção social.


Forrest Gump pergunta se cada um tem seu destino traçado na vida, ou se a vida é como uma penugem flutuando ao vento, sem destino certo. E responde: “Por que não pode ser as duas coisas, ao mesmo tempo?”


Assim também é a : um conjunto aparentemente paradoxal de conceitos, experiências, convicções, dúvidas que envolvem a pessoa como um todo - corpo, razão, emoção – individual e socialmente.

Ser” é ter “”. Você é a fé que tem. Qual é ela?

7 comentários:

Tuco Egg disse...

Muito interessante. Sou a fé que tenho. Não sei se isso é uma boa ou péssima notícia...

Peregrina disse...

É. Este assunto dá mesmo muito pano para mangas.

Como católica apostólica romana, sei qual a minha fé. E respeito a dos outros. Como toda a gente o deveria fazer :)

Beijinho*

Roger disse...

Rubinho,

esse foi o melhor Post seu que já li!!!

Nem te falo como invejo isso...

Acho que as idéias que estavam borbulhando entraram em erupção de uma forma avassaladora!

Abração,

Roger
PS: roubando suas palavras: manda mais!

rica disse...

Fé na vida!!

Alice disse...

Rubens .... arrazou !!! estou com o Roger..!! escreveste com maestria !
Espero o próximo ansiosa.


e com fé de que seja breve.


beijos para ti

carmen disse...

Pois é, a minha fé está firmada em Deus, que nos criou, a nós e ao mundo que nos rodeia, e na Bíblia, palavra de Deus...
Ontem eu postei lá no meu blog algo a respeito da minha fé, por ocasião do meu aniversário, dê uma olhada...
bjs

Volney Faustini disse...

Rubinho,
Muito boa a postagem e a análise do que é ser e ter fé!

Manter o paradoxo vivo em nossas cabeças - taí desafio e tanto.

Gostei muito