segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Justiça, Vingança, Castigo, Perdão, Arrependimento.

A reação dos meus amigos ao meu post anterior, sobre a "velhinha justiceira", me convenceu que este assunto precisa ser refletido com mais profundidade.

Aproveitei a visita ao meu pai no fim-de-semana e conversei sobre estes assuntos.

Não há respostas fáceis. No mundo pós-moderno em que vivemos, não há mais diretrizes claras sobre atitudes adequadas. Situações como essa tornam-se dilemas. E posições confluentes são raras, e comuns as contradições ("sou contra, mas se fosse comigo...").

Meu pai mencionou dois tipos de perdão:

Um é o perdão que todos devemos estar dispostos a dar a todos, em qualquer situação, que é o de abrir mão da vingança, ou retribuição do mal causado;

Outro é "esquecer como se não tivesse acontecido" o mal feito a nós, sendo este devemos conceder a qualquer um que se mostre sinceramente arrependido.

O primeiro concede à sociedade a autoridade para punir o culpado de acordo com o crime cometido; o segundo, livra o arrependido de qualquer impedimento nas relações com quem o perdoou.

Um não prescinde nem substitui o outro. Um é "macro", outro "micro", como menciona a Bete.

Minha caríssima Sra. Urtigão, a quem não conheço pessoalmente, mas aprendi a admirar e respeitar pelos seus posts e comentários, menciona arrepender-se mais tarde tanto de agir igual à velhinha, como de não fazê-lo. Imagino-me frente a frente com o malfeitor, pedindo-lhe seu perdão pelo mal que lhe fiz; e imagino-o escrevendo-me uma carta da prisão, pedindo meu perdão pelo mal que me fez... escolho o segundo cenário!!!

Já meu caro Felipe dá ênfase ao tratamento recíproco que devemos uns aos outros: Fazer aos outros como desejamos que nos façam a nós. E aí, claramente, eu não gostaria de receber um tiro por alguma maldade que eu venha a cometer (ou já a tenha cometido). Não é? O perdão seria mais contundente e eficaz do que uma bala 9mm.; me atingiria a alma, não o corpo. E não me isentaria de responder à sociedade pelo mal cometido.

Em algum momento, essa espiral ascendente de violência precisa ser quebrada. Que eu tenha a humildade e coragem de tomar a atitude de quebrá-la!!!

6 comentários:

bete disse...

Rubinho, bem vinda coragem em voltar ao tema, confesso que coloquei ponto final. OU se voltar, darei uma de paulo brabo: sem comentários. Não porque não quero ouvi-los, mas para deixar as pessoas mais à vontade para refletirem melhor. As pessoas se sentem "cobradas" por algum ser superior a falarem em termos de vingança.

Eu fiz um post, depois fiz outro post para explicar o post, e constatei que quase ninguém me entendeu.

Eu queria chamar as pessoas para olharem pela ótica da criança. A maioria passou a falar do agressor. Isso assusta porque na realidade é assim mesmo: a vítima acaba sendo o grande esquecido da história, no meio de nossa feroz discussão.

E quando a gente abre a boca para falar que o agressor é vitima também...sai de baixo...

valter ferraz disse...

Rubinho,
teu pai trouxe a fala da experiência de vida e também sob a ótica cristã: perdoar é passar uma borracha. Humanamente dificil, quase impossível. Nossa pequenez não permite. Ou diria, poucos conseguem. Só quem viveu a experiência do perdão verdadeiro. Digo isso, pois sei das minhas imperfeições. Não perdôo fácil. Nessa amplitude que o teu pai sugere, acho que nunca perdoei.
Tema difícil, meu caro. Muito difícil e portanto necessário.
Ainda bem que voltou a ele. Nossos post são de fácil degustação, logo esquecidos.
Um abraço forte

Anônimo disse...

Olá!
Vim lhe fazer uma visitinha!
Beijos
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Dona Sra. Urtigão disse...

Rubinho,
esta questão, o perdão, ficou em aberto em um ponto do que escrevi e na verdade nas minhas duvidas. Mas voce refere-se a perdoar e esquecer, concedendo o perdão " a quem se tenha arrependido" (mais ou menos suas palavras). Então volta a questão do perdão aos que não se arrependem, a questão do dar a outra face e a condição do amor de si,pois não perdoar seria manter-se num estado de ...raiva ( e isso adoece), mas aceitar ofensas infinitamente, 7 vezes n...também é falta de amor...por si
Veja que rodo ando nado penso e não avanço.

* O Cantinho da Lia * disse...

O primeiro tipo de perdão que vc citou é mais fácil de conceder...o segundo já é que são elas...

Felipe Fanuel disse...

Humm! Dois tipos de perdão... Vai entender o que nossos pais querem dizer. São "crianças" como nós, já cantou Renato Russo.