segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Esquerda e Direita à moda de Jorge Amado

"Transmitida  pela televisão, a notícia da morte de Júlio de Mesquita Filho me aflige e me entristece, saio a andar por entre as árvores do jardim, sento-me no banco de azulejos sob a copa da mangueira e o revejo alto e decoroso, cônscio de seu poder e de sua responsabilidade.
A presença de Julinho comprovava a possibilidade de convivência civilizada, democrática, a negação do conceito político tão em voga entre a chamada elite, que considera o adversário inimigo a odiar e a exterminar. Penso nas relações que mantivemos a partir dos dias de exílio na Argentina, as diferenças não marcaram distâncias, as divergências não se radicalizaram em confrontos. As cigarras cantam em despedida, a tarde tomba das árvores de súbito e de vez, a noite chega e me envolve.
Telegrafo ao Estado de S. Paulo: De Júlio de Mesquita Filho se podia ser ao mesmo tempo adversário e amigo."

(capítulo "Bahia, 1969 - as cigarras", do livro "Navegação de Cabotagem", de Jorge Amado, escrito de 1986 a 1992, e publicado pela Ed. Record)

Hoje, às vésperas de mais uma eleição presidencial, vejo adversários desejarem o mal a seu oponente, apenas para ganhar o poder, o ilusório e transitório poder. Não é por falta de boas lições e exemplos - como o acima - que os homens se digladiam como animais. É por pura burrice.
Sou inundado por e-mails de pessoas "bem intencionadas", que para defender seu/sua candidato(a) escrevem horrores sobre o(a) adversário(a), mais inimigo(a) do que concorrente.
Fico triste, e me convenço que não é por aí, não. Não darei meu apoio a nenhum deles! Não é do meu voto que eles irão usufruir. Se querem ser presidente do Brasil, que sejam!!! Não o serão com minha conivência, concordância, conformismo! "Que se explodam!"

2 comentários:

Roger disse...

Coisas da paixão...
coisas do fanatismo...
enfim, política.

Chris Rodrigues disse...

É,Rubens! Gostaria tanto de ver dignidade e respeito entre eles, quem sabe ganhariam meu voto.