segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A maior revolução

"Ao proteger a mulher apanhada em adultério de seus algozes masculinos, Jesus chegou a relativizar a própria letra da Lei, argumentando basicamente que a universalidade do pecado deveria produzir não uma demanda universal por uma justiça estrita que ninguém é capaz de honrar, mas uma postura universal de misericórdia – lição que aprendemos a esquecer tão logo foi pronunciada."
Somos todos a favor da Justiça. Clamamos por justiça contra os ladrões, estupradores, corruptos, assassinos, políticos, e todos os que violam as tantas leis que temos - e como temos leis neste país! No entanto, meu amigo Paulo Brabo provoca um reflexão subversiva em nosso culto à justiça quando propõe que o Homem de Nazaré advogava a misericórdia* - que palavra esquisita essa! - universal para lidar com os relacionamentos humanos, fossem eles individuais ou sociais, particulares ou institucionais. Em seguida, Paulo afirma insanamente que 
"Numa palavra, Jesus promulgou a supremacia do amor: apenas o amor deve e pode ser usado como bússola em todos os relacionamentos interpessoais. Todas as formas de dominação devem cair por terra diante desse regime de graça e aceitação".
Como colocar em prática nesse mundo tal conceito? Como fazer funcionar uma sociedade baseada em tal loucura? Como fazer a maior revolução da História? Confesso que não sei. Tenho fracassado consistentemente na tentativa de chegar perto de uma atitude misericordiosa em qualquer situação real nos últimos 50 anos. Antes disso, não me lembro...


[* "Misericórdia, s. f. Compaixão despertada pela miséria alheia; perdão; instituição de piedade e caridade; ...grito de quem pede compaixão"
Compaixão, s. f. Pesar que em nós desperta o mal de outrem; piedade, dó." - Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira.]

4 comentários:

Roger disse...

Como diria nosso amigo Lou, melhor esquecermos essas bobagens...

Juber Donizete Gonçalves disse...

Rubinho,

A proposta de Jesus de Nazaré continua subversiva até hoje.

Coloquei um comentário na postagem lá no meu blog, conforme você, bem me lembrou. Depois dá uma conferida.

Abraço.

Dona Sra. Urtigão disse...

Ah ! Não creio que se fracasse consistentemente nessas tentativas. temos fracassos, sim, mas também situações em que nos aproximamos bastante desse ideal. Pensar que só há fracasso quando só não atingimos plenamente o ideal, é como aquela historia do copo meio cheio ou meio vazio. Se esforços ou sucessos parciais não forem considerados, então onde estará a misericórdia daquele que nos veio indicar sua necessidade ?

carmen disse...

Achei muito interessante a sua postagem...

Dá o que pensar...

E quando você sente compaixão por uma pessoa e todos acham que você não passa de uma bobalhona e te discriminam?!?!?! Só a misericórdia do Pai! E saber que, em última instância, quem nos interessa realmente é Ele...

bjs