segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Arrebatado

Você se interessa, ou já se interessou algum dia por filosofia? Por política? Por religião?
Você foi, é ou será fã de J. R. R. Tolkien e do seu épico "Senhor dos Anéis", transformado em deslumbrante cinema por P. Jackson?
Você tem refletido sobre a loucura deste mundo globalizado e imaginado qual seria uma solução possível, uma alternativa ao capitalismo insandecido dos nossos dias?
Não importa. Vá imediatamente à Bacia das Almas e leia "O Profeta e a Revolução"
Depois, volte aqui e me diga se não é arrebatador...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Self Interest"

Um dos livros que mais me causaram impacto foi "Rules for Radicals", de Saul Alinski, de 1971. Eu o ganhei de presente, em 1988, de um assistente social que trabalhava para a YMCA de Chicago. Apesar de escrever para o contexto americano dos anos 60, vários conceitos eu ainda vejo como válidos no Brasil do século 21.
A premissa básica de Alinski era universalidade do "self interest", ou interesse próprio. Ele dizia que todas as pessoas só agem movidas por interesse próprio e que a grande "sacada" é ter o "self interest" correto. E dá vários exemplos, como Gandhi, cujo interesse era elevar os indianos à posição dos ingleses, torná-los "iguais" sem faze-los "semelhantes". Ou Jesus Cristo, cujo interesse era a "fazer a vontade de Deus", conforme Ele a via. E etc.
Basicamente, ele argumentava que não existe diferença entre o egoísta e o altruísta: ambos defendem e buscam seu "self interest"; apenas são diferentes naquilo que consideram "interesse próprio": um quer tudo para si, outro, tudo para o próximo.
E vai além, afirma que para alcançar o "self interest" é válido e necessário o uso da força - não da violência - mas da força. Força essa que pode ser conseguida pela mobilização das pessoas, pelo valor da mensagem, pela disposição de dedicar-se.
Vejo agora pessoas de todo o país a doarem tempo e recursos em favor das vítimas da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro. Que força, que mobilização!!!
O que as move? "Self interest", sem dúvida. Querem sentir o coração aquecido pela solidariedade demonstrada, querem fazer parte de algo maior que elas próprias, querem fazer parte do "Bem".
Quem dera mantivessem o foco de seu interesse próprio nesta direção em todos os momentos! O país seria outro, muito melhor e em pouco tempo...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Religião e a Espiritualidade

A Religião, tal como se apresenta hoje, me incomoda muito. A tal ponto que cortei os laços que um dia tive com a ela, como membro ativo de uma organização religiosa cristã protestante.
Mas não deixei de ser cristão, nem de dar importância à Deus e Sua relação com os homens. O que me irrita são as barbaridades que as instituições religiosas cometem em nome de Deus. E não me refiro nem ao cristianismo nem ao islamismo apenas. Você pode por o budismo, o espiritismo e todos os outros "ismos" na lista.
Encontro no blog visceral do Marinho um longo poema no qual ele contrapõe a religião à espiritualidade. E confesso que mesmo sem concordar 100% com o que ele afirma - para alívio dele, com certeza - vi muito do que penso refletido no seu texto. Basta ver as frases abaixo:
"...A religião é um conjunto de regras e dogmas, não admite questionamentos.
A espiritualidade te leva à reflexão, a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo...
...A religião inventa.
A espiritualidade descobre...
...A religião é crença.
A espiritualidade é busca..."
Eduardo Marinho em Observar e Absorver. Se você ainda não investiu seu tempo na leitura e na arte deste real profeta dos nossos tempos, você não sabe o que está perdendo...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Certeza, dúvida, razão e fé

"Todo ponto de vista é a vista de um ponto" - Leonardo Boff em "A águia e a galinha".
Invejo as pessoas que tem certeza.
Deve ser tão bom sentir a segurança, tranquilidade, até, talvez, um pouco de superioridade por ter certeza. Deve ser melhor ainda a sensação que tem as pessoas cujas certezas advém da fé. Sim, porque caso a certeza, como as dos cientistas, seja baseada na razão, sempre há a possibilidade de uma argumentação contrária, uma prova cabal do oposto, uma descoberta que desmonte a certeza anterior.
Mas não a fé.
A certeza da fé é inabalável. Qualquer, absolutamente qualquer argumento contra a certeza da fé pode ser - e geralmente é - refutado com um simples dar de ombros e "você não entende", "eu sei que estou certo", "a fé tem razões que a razão não entende", "um dia, se Deus quiser, você chega lá" ou outra frase condescendente qualquer. Sim, uma coisa que a certeza da fé provoca é o orgulho de se estar certo. Por vezes, travestida de falsa humildade, tipo "Deus me iluminou", "a graça de Deus me fez ver a verdade", a certeza da fé coloca o eleito acima dos meros mortais pecadores, coitados.
Meu ponto de vista é apenas a vista de um ponto. Não tenho ambição de ser a verdade, tenho a esperança que possa estar próximo dela, tenho o desejo de que meu ponto de vista possa ajudar a vista de um ponto alguém e ambos possamos nos aproximar mais do que seja verdadeiramente verdadeiro. E vice-versa. Tento, em cada ponto de vista de outrem, enriquecer a minha visão de um ponto.
Mas, certeza mesmo, não tenho.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Zere o mal!

"Para que o sol apareça,
Acalme-se e não se esqueça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que o sonho aconteça,
A vida você mereça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que o amor não pereça,
Ame em paz, não estremeça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que a fé não feneça,
Atue e não esmoreça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que o olhar se enterneça,
A alma se fortaleça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que o trabalho cresça
Aja logo e estabeleça:
Zere o mal, use a cabeça!

Para que a paz permaneça,
Acalme-se e não se esqueça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que a razão floresça,
A mente não apodreça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que a alma se teça,
Ao coração obedeça,
Zere o mal, use a cabeça!

Para que o Bem se enriqueça,
A maldade se entristeça,
Zere o mal, use a cabeça!

Pelo bem que o perdão faz,
Ame o amor que a vida traz,
Zele, sempre, pela Paz!!! "

Adozinda Kuhlmann.
(31/12/10) 

roubado da Biba Russo via Facebook

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Orós - poema do PV (O tempo passa...)

Esta é pros meus amigos do Acampamento PV, nos idos da década de 60...
Fechem os olhos, que vocês enxergarão o Ciro no palco, declamando:
ORÓS
A chuva chegou , devagarinho,
como quem não vai ficar.
Deu um banho de chuveiro
no cajueiro menino
lá da porta do curral.
Zefa ria de contente;
meu filho pôs-se a chorar.
Peguei Raimundinho de ano
e botei lá no balanço
da rede de buriti…
Ficou pra lá… e pra cá…
Miado de gato com fome ,
a rede pôs-se a miar.
- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais!”
- Deixa chover, Zeferino.
O teu boi morreu de sede.
Morte, chuva não traz”.
- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais!”
E choveu o dia inteiro.
E choveu a noite inteira.
- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais”!
- Deixa chover, Zeferino.
O teu boi morreu de sede,
afogado na poeira
que o sol jogou no sertão.
Plantamos e não colhemos,
pois a seca disse:- Não!
E, quando a chuva chega,
tu ficas a reclamar ?
Não pode mesmo ser muito
quem nunca vem pra chegar…”
- Olha Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais.
Vamos pegar o menino
E botar o pé no mundo
Que isto não é vida não.
A gente escapa da seca
Vai no dilúvio afogar ?
Zefa, junta os teréns e o Raimundo,
Vamos tocar o pé no mundo,
Vamos embora do sertão.
Esta terra é maninha
E é madrasta também.
Zefa, junta os teréns,
Jaguaribe-jararaca
ta” virando sucuri;
desde que me entendo por gente,
chover assim nunca vi!”
- Deixa chover, Zeferino.
Vamos ter canjica nova,
vamos plantar arrozal;
vamos engordar um porquinho;
paçoca, pamonha, pão…
Vamos aumentar a família:
um Raimundinho só não dá!
E quando os meninos crescerem,
A Zefa vai descansar…
Deixa chover, Zeferino…”
E veio a enchente bravia:
levou a casa da Zefa,
levou a Zefa afogada
e o Raimundinho também,
por estes mundos de Deus…
Abriu uma estrada, um caminho,
de sofrimento e de dor…
E, sem Zefa, sem rancho,
sem Raimundinho, sem nada,
o Zeferino, na estrada
segue falando sozinho:
Zefa, Zefa, Zefa,
está chovendo demais…”

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nudez elogiável

O Sr. Reinaldo é só um cidadão morador de Sorocaba, cidade do interior paulista. Nada haveria de realçar sobre ele não fosse a sua nudez.
E por que a nudez de um homem seria elogiável? Não seria o caso de censurar a sua indecência e imoralidade???
Acrescente-se que o Sr. Reinaldo ficou nu no plenário da Câmara de Vereadores da cidade!!!
Pois foi a única maneira que ele achou de chamar a atenção para o deplorável, mas não surpreendente, ato imoral dos salafrários vereadores que duplicou os salários próprios e acrescentou mais 20 cargos de "confiança" (cuja contratação de dá ao bel prazer dos vereadores) aos quadros da Câmara! São R$ 15 mil de salários, fora as mordomias para ser vereador de uma bostinha (pardon my french) de cidade como Sorocaba!!!!
É óbvio que o ato insano do Sr. Reinaldo não impediu a Câmara de aprovar o tal "projeto legislativo" em menos de um minuto. Mas a segurança da Câmara foi forçada a retira-lo.
Portanto, deixo aqui minha homenagem sincera ao Sr. Reinaldo, que com sua nudez mostrou a imoralidade de todos aqueles engravatados daquela casa de leis.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Questão de ponto-de-vista

O psicólogo faz um teste de Rochard (aquelas manchas abstratas) em uma pessoa:
- Eu vou lhe mostrar umas figuras e vc me diz a primeira coisa que vier à cabeça, ok?
- Ok.
- Esta?
- Sexo!
- E esta?
- Sexo
- Mais esta...
- Sexo!!!
- Escute, meu amigo, vc só pensa em sexo?
- Ué! Também, vc só me mostra figura pornográfica!

A piada é velha - mas é boa. É boa inclusive para ilustrar uma situação que eu tenho percebido com frequência: quanto mais velha é a pessoa, mais inclinada é em achar defeito nas coisas e reclamar de tudo.
Pensando a respeito, cheguei a conclusão que esta atitude tem a ver com a expectativa de vida. Explico-me.
Quando somos jovens, a expectativa de vida é longa; torna-se necessário um bocado de otimismo para enfrentar os muitos anos que virão. Se não formos otimistas, será muito difícil viver mais 40, 50 anos, enfrentar todos os problemas, frustrações e dissabores que certamente virão. É mais agradável prestar atenção naquilo que é prazeroso. E esquecer o mal.
À medida que envelhecemos, percebemos que nos resta pouco tempo e é preciso encontrar um jeito para não encarar a morte como um prejuízo inevitável. Então, começamos a ver defeitos em tudo, porque assim a vida se torna um pouco menos boa e a morte, próxima, um pouco mais aceitável.
Talvez o fato de eu ter ultrapassado a metade da vida adulta me faz perceber claramente isto nas pessoas, tanto nas mais jovens, quanto nas mais idosas.

E eu, no meio! Não é fácil!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De um amigo, sobre a amizade


Depois do encontro de 35 de formatura, meu colega "Baianinho", literato de mão cheia e inspiração poética, escreveu para os colegas este poema. Decidi partilhar com meus leitores, pois é um hino à amizade, que vale a pena divulgar:

Olhando assim nos rostos, cara a cara
Me vem um misto de ternura e espanto,
Vindos do fundo d’alma, dos refolhos!
Porque vejo ainda acesa, em chama rara,
A juventude que curtimos tanto e tanto
Refletida no imortal brilho dos olhos.

Que importa as rugas do espelho idiota
E a negra cabeleira, outrora vasta,
Agora rala, cor das cinzas na fornalha?
Importa mesmo é o riso aberto que conforta;
É a alegria, é a amizade inteira e casta,
Que construímos pela vida: eterna malha.

Importa mesmo é só revê-los e abraçá-los,
Saber de cada um, ouvir histórias,
E recordar os tempos bons, os velhos planos
E estreitar os laços, reforçá-los,
Na emoção dos causos, quedas e vitórias
No reencontro desses 35 anos.

Sei que amanhã, ao retomar a vida,
Registrarei três coisas nas fotografias:
Ao revê-los, a emoção mais sentida
Ao abraçá-los, a mais sincera alegria
E a saudade mais atroz na despedida
Por isso, um brinde a esse grande dia!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Tortura

"A Bíblia é como um ser humano. Se você torturá-la, ela dirá o que você quiser ouvir"
(frase genial, ouvida em um programa da NatGeo)